domingo, 9 de março de 2014

ÓBÁTÀLÁ


ORISALÁ (OBATALÁ/OSALÁ/ÒRÌSÀLÁ/OBÀTÁLÁ)
 Òrìsànlá ou Obàtálá na África
 “Òrìsànlá ou Obàtálá, “O Grande Òrìsa” ou” Rei do Pano Branco” , ocupa uma posição única e inconteste do mais importante òrìsa e o mais elevado dos deuses iorubás. Foi o primeiro a ser criado por Olodumaré, o deus supremo. Òrìsànlá-Obàtálá é também chamado Òrìsà ou Obà-Ìgbò, o Òrìsa ou o Rei dos Igbos. Tinham um caráter bastante obstinado e independente o que lhe causava inúmeros problemas.
Òrìsànlá foi encarregado por Olodumaré de criar o mundo com o poder de sugerir (àbà) e o de realizar (àsé), razão pela qual é saudado com o título de Aláàbáláàsé. Para cumprir sua missão, antes da partida, Olodumaré entregou-lhe o “ saco da criação” . O poder que lhe fora confiado não o dispensava, entretanto, de submeter-se a certas regras e de respeitar diversas obrigações como os outros òrìsas.
Uma história de Ifa nos conta como, em razão de seu caráter altivo, ele se recusou a fazer alguns sacrifícios e oferendas a Exu, antes de iniciar sua viagem para criar o mundo.
Òrìsànlá pôs-se a caminho apoiado num grande cajado de estanho, seu opá o sorò ou pasoro, o cajado para fazer cerimônias. No momento de ultrapassar a porta do Além, encontrou Exu, que entre as suas múltiplas obrigações, tinha a de fiscalizar as comunicações entre os dois mundos. Exu, descontente com a recusa do Grande Òrìsa em fazer as oferendas prescritas, vingou-me fazendo-o sentir uma sede intensa. Òrìsànlá, para matar sua sede, não teve outro recurso senão o de furar, com o seu pasoro, a casca do tronco de um dendezeiro. Um líquido refrescante dele escorreu: era o vinho de palma. Ele bebeu-o ávida e abundantemente. Ficou bêbado, não sabia, mas onde estava e caiu adormecido. Veio então Olofin-Odùduà, criado por Olodumaré depois de Òrìsànlá é o maior rival deste. Vendo o Grande Òrìsa adormecido, roubou-lhe “o saco da criação”, dirigiu-se à presença de Olodumaré para mostrar-lhe seu achado e lhe contar em que estado se encontrava Òrìsànlá. Olodumaré exclamou: “Se
ele esta neste estado, vá você, Odùduà! Vá criar o mundo!” Odùduà saiu assim do Além e se encontrou diante de uma extensão ilimitada de água. Deixou cair à substância marrom contida no “ saco da criação” . Era terra. Formou-se então um montículo que ultrapassou a superfície das águas.
Aí, ele colocou uma galinha cujos pés tinham cinco garros. Esta começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície das águas. Onde ciscava, cobria as águas, e a terra ia se alargando cada vez mais, o que o ioruba se diz ilè nfé, expressão que deu origem ao nome da cidade de ilê Ifé. Odùduà aí se estabeleceu, seguido pelos outros òrìsas, e tornou-se assim o rei da terra.
Quando Oxalá acordou não mais encontrou ao seu lado o “saco da criação”. Despeitado, voltou a Olodumaré. Este, com castigo pela sua embriaguez, proibiram ao Grande Òrìsa, assim como aos outros de sua família, os òrìsas funfun, ou “òrìsas brancos”, beber vinho de palma e mesmo de usar azeite-de-dendê. Confiou-lhe, entretanto, como consolo, a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos, aos quais ele, Olodumaré, insuflaria a vida.
Por essa razão, Osalá é também chamado de Alámérere, o “proprietário da boa argila”. Pôs-se a modelar o corpo dos homens, mas não levava muito a sério a proibição de beber vinho de palma e, nos dias em que se excedia, os homens saíam de suas mãos contrafeitos, deformados, capengas, corcundas. alguns, retirados do forno antes da hora, saíam mal cozidos e suas cores tornavam-se tristemente pálidas: eram albinos. Todas as pessoas que entravam nessas tristes categorias são-lhe consagradas e tornam-se adoradoras de Orixalá.
Mais tarde, quando Òrìsànlá e Odùduà reencontraram-se, eles discutiram e se bateram com furor. A lembrança dessas discórdias é conservada nas histórias de Ifá, das quais algumas podem ser encontradas em outra obra. As relações tempestuosas entre divindades podem ser consideradas como transposição ao domínio religioso de fatos históricos antigos. A rivalidade entre os deuses dessas lendas seria a fabulação de fatos mais ou menos reais, concernentes à fundação da cidade de Ifé, tinha como o “ berço da civilização ioruba e do resto do mundo” .Obàtálá teria sido o rei dos igbos, uma população instalada perto do lugar que se tornou mais tarde a cidade de Ifé. “A referência a esse fato não se perdeu nas tradições orais no Brasil, onde Orisalá e freqüentemente mencionado nos cantos como Òrìsa Igbo ou Babá Igbo, “ou òrìsa” ou “ o rei dos
igbos” . Durante seu reinado, ele foi vencido por Odùduà, que encabeçada um exército, fazendo-se acompanhar da dezesseis personagens, cujos nomes variam segundo os autores. Estes são conhecidos pelo nome de awón agbàgbà, “ os antigos” . Esses acontecimentos históricos corresponderiam à parte do mito onde Orixalá foi enviado para criar o mundo (enquanto, na realidade, ele tornou-se o rei dos igbos) e foi no mito que Odùduà tornou-se o rei do mundo, por ter roubado a Orisalá o “ saco da criação” (enquanto, na realidade, ele destronou Òrìsànlá-Obà-Ìgbò, usurpando-lhe o reino).
Odùduà teria vindo do leste, no momento das correntes migratórias causadas por uma invasão berbere no Egito. Esse fato provocou deslocamentos de populações inteiras, expulsando-se progressivamente, umas às outras, em direção ao oeste, para terminar em Borgu, também chamada região dos baribas.
Segundo uns, Odùduà teria vindo de uma longínqua região do Egito ou mesmo de Meca e, segundo outros, de um lugar perto de Ifé, chamado Oké-ara, onde os invasores teriam habitado durante várias gerações.
Não foi sem resistência que Òrìsànlá-Ìgbò perdeu seu trono. Ele reagiu com energia e chegou mesmo a expulsar Oduduwà de seu palácio, onde já se encontrava instalado. Foi ajudado por seus partidários, Orolúéré e Obawinni, mas foi uma vitória de curta duração, pois, por sua vez, foi expulso por Obameri, partidário de Odùduà, e, assim, Òrìsànlá teve que se refugiar em Ideta-Oko. Obameri
instalou-se na estrada que ligava esse lugar e Ifé para impedir, durante muito tempo, a volta de Òrìsànlá a esse lugar. Tendo este perdido o seu poder político, conservou funções religiosas e voltou mais tarde para instalar-se em seu templo em Ideta-Ile. A coroa de Òrìsànlá-Obà-Ìgbò, tomada por Odùduà, teria sido conservada até hoje no palácio do Oòni, rei de Ifé e descendente de Odùduà. Essa coroa, chamada até, é elemento essencial na cerimônia de entronização de um novo Oòni. Os sacerdotes de Òrìsànlá desempenham um papel importante nessas ocasiões. Eles participam de certos
ritos, durante os quais eles próprios colocam a coroa na cabeça do novo soberano de Ifé. Este também, antes da sua coroação, deveria dirigir-se ao templo de Òrìsànlá. Durante as festas anuais, celebradas em Ifé para Òrìsànlá, os sacerdotes desse deus fazem alusão à perda da coroa de Obà-Ìgbò, lembrando seu antigo poder sobre o país antes da chegada de Odùduà e da fundação de Ifé. Além disso. Oòni deve enviar todos os anos um seu representante a Ideta-Oko, onde residiu Òrìsànlá. O representante deve levar oferendas e receber instruções ou a benção de Òrìsànlá.
Os deuses da família de Òrìsànlá-Obàtálá, o “Òrìsa” ou o “Rei do Pano Branco”, deveriam ser sem dúvida, os únicos a serem chamados òrìsas, sendo os outros deuses chamados por seus próprios nomes ou, então, sob a denominação mãos geral de ebora para os deuses masculinos. O termo “Imole”, empregado por Epega, abrangeria o conjunto dos deuses iorubás.
Essa família de òrìsas funfun, os òrìsas brancos, é daqueles que utilizam o _fun (giz branco) para enfeitar o corpo. São-lhe feitas oferendas de alimentos brancos, como pasta de inhame, milho, caracóis e limo da costa. O vinho e o azeite, provenientes do dendê, e o sal são as principais interdições. As pessoas que lhe são consagradas devem sempre se vestir de branco, usar colares da mesma cor e pulseiras de estanho, chumbo ou marfim.
Os òrìsas funfun seriam em número de cento e cinqüenta e quatro, dos quais citamos alguns nomes:
Òrìsá Olufon ajígúnà koari, “aquele que grita quando acorda”;
Òrìsá Ògiyán Ewúléèjìgbò, “Senhor de Ejigbô”;
Òrìsá Obaníjìta;
Òrìsá Àkirè ou Ìkirè, um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo-mudo aquele que o negligencia;
Òrìsá   Eteko Oba Dugbe, outro guerreiro muito ligado a Òrìsànlá;
Òrìsá Alásé ou Olúorogbo, que salvou o mundo fazendo chover num período de seca
Òrìsá Olójo;
Òrìsá Àrówú;
Òrìsá Oníkì;
Òrìsá Onírinjà;
Òrìsá Ajagémó, para o qual, durante sua festa anual em Édé, dança-se e representa-se com mímicas um combate entre ele e Olunwi, no qual este último sai vencedor e aprisiona seu adversário. Mas tarde Òrìsá Ajagémó é libertado e volta triunfante para seu templo Ulli Beier sugere que nesta
representação poderia haver uma espécie de reconstituição da conquista do reino Igbo por Odùduà, da derrota de Orixalá no plano temporal e de sua vitória final no plano espiritual.
Òrìsá Jayé em Jayé;
Òrìsá Ròwu em Owu;
Òrìsá Olobà em Obá;
Òrìsá Olúófin em Iwófin;
Òrìsá em Oko;
Òrìsá Eguin em Owú, etc.
William Bascom observa que o ritual da adoração de todos esses òrìsas funfun é tão semelhante que, em alguns casos, é difícil saber se trata de divindades distintas ou simplesmente de nomes e manifestações diferentes de Òrìsànlá.
Òrìsànlá-Óbàtálá é casado com Yemowo. Suas imagens são colocadas um ao lado da outra e coberta por traços e pontos desenhados com _fun, no ilésìn, local de adoração desse casal no templo de Ideta- Ilê, no bairro de Itapa, em Ilê-Ifé.
Dizem que Yemowo foi à única mulher de Òrìsànlá-Óbàtálá. Um caso excepcional de monogamia entre os òrìsas e eboras, muito propensos, como vimos nos capítulos precedentes, a ter aventuras amorosas múltiplas e a renovar facilmente seus votos matrimoniais.
Cerimônias para Òrìsànlá-Obàtálá

As cerimônias públicas para Òrìsànlá em Ilê-Ifé comemoram acontecimentos históricos. Antigamente, as festas duravam nove dias e foram posteriormente reduzidas para cinco. Como estão em concordância com a semana ioruba de quatro dias, começam e terminam no dia consagrado a Obàtálá.
Nos dois casos observados, começaram no dia imediato ao primeiro quarto da lua, respectivamente, em 13 de janeiro de 1977 e em 1º de fevereiro de 1978.
Foram realizados sacrifícios de cabras no templo de Óbàtálá, no ilésìn de Ideta-Ilê, onde se encontram as imagens de Óbàtálá-Òrìsànlá e de sua mulher Yemowo. Uma parte do sangue é derramada sobre as imagens que, em seguida, são lavadas com infusão de folhas colhidas na floresta de Yemowo. Essas folhas são de diferentes variedades, entre as quais figuram as plantas calmantes: Ódúndún (Kalanchoe crenata), àbámódá (Bryophyllum pinnatum), òwú (Gossypium sp.), efinrin (Ocimun viride), rinrin
(Peperomnia pellucida), tétérégun (Costus afer), etc. Em seguida, as duas imagens são enfeitadas com uma série de traços e pontos brancos feitos com _fun. O sacerdote mais importante, o Óbàlásé, guarda de Obàtálá, e Óbàlásé, guarda do Òrìsà Alásé, dança por muito tempo nesse primeiro dia ao som dos tambores ìgbìn, próprio do culto de Òrìsànlá. São tambores pequenos e baixos, apoiados
sobre pés, um macho e outro fêmea. O ritmo é marcado pelos eru, ferros achatados em forma de “T” “T”, batidos uns no outro.
No dia seguinte, Óbàlálé e Obàlásé fazem abluções com as mesmas infusões que serviram na véspera para Òrìsànlá e Yemowo; seus corpos são igualmente enfeitados com desenhos feitos com _fun. As imagens são bem enroladas em pano branco e levadas, de manhã cedinho, em procissão desde Ideta- Ilê até Ideta-Oko. Todos os ingredientes da oferenda — ibó òrìsà — a ser feita são levados até lá. Essa oferenda consta de dezesseis caracóis, dezesseis ratos, dezesseis peixes, dezesseis nozes de cola e
limo da costa. O dia será passado em Ideta-Oko, lembrando o exílio de Òrìsànlá-Obà-Ìgbò quando teve de deixar o palácio de Ifé.
No momento da chegada à floresta, faz-se uma pequena parada diante de uma árvore isìn, “a que é adorada”, e o cortejo penetra mais adentro numa vasta clareira, cercada de grandes árvores e margeada de montículos de terra que parecem ser ruínas de construções antigas. No centro, encontra se uma espécie de grande pote emborcado com um pequeno furo a meia altura, através do qual pode se ver o crânio de animais sacrificados nos anos anteriores. As imagens são desenroladas e colocadas no chão, de costas para o pote; Òrìsànlá à direita e Yemowo à esquerda, como no ilésìn em Ideta-Ilê.
Todos os participantes sentam-se em silêncio na floresta calma e sombria. Pouco a pouco a multidão se amontoa. Os tambores ìgbìn tocam de vez em quando, acompanhando os cantos e os oríkì de Obàtálá e Yemowo. Sacrifica-se uma cabra. Faz-se uma adivinhação, com as quatro partes de uma noz de cola, para saber se os deuses estão satisfeitos. A cabeça do animal é separada do corpo e jogada embaixo do grande pote. Recomeçam os cantos acompanhados pelos tambores. Os sacerdotes
dançam. Obàlálá, com ar distante e crispado, está em transe, possuído por Òrìsànlá.
No entardecer, dois mensageiros do Oòni de Ifé chegam e param à entrada da floresta, perto da árvore isìn. Traz da parte de seu senhor, descendente de Odòduwà, uma cobra como oferenda; antigamente era um ser humano que deveria ser sacrificado. O animal é levado para uma pequena clareira, contígua ao local da reunião. Já quase à noite e a cabeça do animal é presa no chão por uma forquilha. Óbàlásé, com o rosto tenso e entorpecido pelo transe, dança ao redor da pequena clareira e faz várias idas e vindas ao local onde estão as imagens dos òrìsas. Em seguida, ele pega um dos ferros eru, em forma de “T” “T”, e com ele bate com força na cabeça da cabra, matando-a. Molha suas mãos no sangue que escorre do corte e vai passá-las na cabeça das imagens de Òrìsànlá e Yemowo.
Um ajudante de Óbàlálásé arrasta, com a forquilha, a cabra abatida, evitando tocá-la, e a lança no mato.
A multidão grita: “Gbákú ló, gbárùn ló!!!”
“Leva a morte para longe, leva as doenças para longe”
Em contraste com a primeira cabra sacrificada, cuja carne foi cozida e distribuída para ser ritualmente
comida pelos presentes, em comunhão com os deuses, a carne da segunda cabra, que substituiu a vítima humana, não pode ser tocada nem comida, pois seria atrair sobre si a morte e as doenças… e praticar antropofagia.
Terminada a cerimônia desse dia, as imagens dos deuses são novamente enroladas nos panos brancos, levadas a Ideta-Ilê e reinstaladas no ilésìn até o ano seguinte.
No último dia, consagrado a Yemowo, os sacerdotes e seus auxiliares vão à floresta sagrada dessa divindade, a Ita-Yemowo. Levam para ali um acento de madeira esculpida, àgá Yemowo, devidamente lavado e purificado com a infusão de folhas e enfeitado com traços brancos. Um dos sacerdotes, dedicado a Yemowo, entra em transe, possuído por essa divindade. A expressão de seu rosto, com seu ar distante, lembram o transe de Óbàlásé na floresta de Ideta-Oko, porém mais calmo e tranqüilo. Transformando-se momentaneamente em Yemowo, o sacerdote é revestido com um grande pano branco e amarra em sua cabeça um turbante também branco. Seguida por uma grande multidão, na qual predominam as mulheres, algumas das quais tiveram filhos por sua intercessão, Yemowo, encarnava, vai sentar-se em sua cadeira, em frente ao palácio de Oòni. Porém o descendente de Odùduà não se apresenta e Yemowo retira-se para o templo de Ideta-Ilê. Esta visita de Yemowo é repetida duas vezes mais sem que o Oòni apareça; entretanto, a cada vez, ele envia nozes de cola a Ideta-Ilê por um mensageiro.
Não obtivemos explicação sobre o sentido preciso dessa parte do ritual. Parece tratar-se de uma referência aos esforços sucessivos que antigamente fez Yemowo para restabelecer a paz entre Òrìsànlá e Odùduà e a acolhida reticente reservada por este último aos esforços de pacificação.
 Osalufã (Òrìsà Olúfon)
 Òrìsà Olúfón, Òrìsà fun, velho e sábio, cujo templo é em Ifón, pouco distante de Osogbô. Seu culto permanece ainda relativamente bem preservado nessa cidade tranqüila, que se caracteriza pela presença de numerosos templos, igrejas católicas e protestantes e mesquitas que atraem, todas elas, aos domingos e sextas-feiras, grandes números de fiéis de múltiplas formas de monoteísmos importados do estrangeiro. Em contraste, infelizmente, com essa afluência, o dia da semana ioruba consagrado a Òrìsànlá só interessa atualmente a pouca gente. Exatamente um pequeno núcleo de seis
sacerdotes, os Ìwèfà méfà (Aájá, Aáwa, Olúwin, Gbógbó, Aláta e Ajíbódù) ligados ao culto de Òrìsà Olúfón e uns vinte olóyè, os dignitários portadores de títulos, que fazem parte da corte do rei local, Óbà Olúfón.
A cerimônia de saudação ao rei de dezesseis em dezesseis dias pelos Ìwófà e pelos Olóyè é impressionante pela calma, simplicidade e dignidade. O rei, Olúfon, espera sentado à porta do palácio reservada só para ele e que dá para o pátio. Ele estava vestido com um pano e um gorro brancos. Os Olóyè avançam vestidos de tecido branco amarrado no ombro esquerdo, e seguram um grande cajado. Aproximam-se do rei, param diante dele, colocam o cajado no chão, tiram o gorro, ficam descalços, desatam o tecido e amarram-no à cintura. Com o torso nu em sinal de respeito, ajoelha-se e
prostra-se vária vez, ritmando, com uma voz respeitosa, um pouco grave e abafada, uma série de votos de longa vida, de calma, felicidade, fecundidade para suas mulheres, de prosperidade e proteção contra os elementos adversos e contra as pessoas ruins. Tudo isso é expresso em uma linguagem enfeitada de provérbios e de fórmulas tradicionais. Em seguida, os Olóyè e os Ìwèfà vão sentar-se de cada lado do rei, trocando saudações, cumprimentos e comentários sobre acontecimentos recentes que
interessam à comunidade. A seguir, o rei manda servir-lhes alimentos, dos quais uma parte foi colocada diante do altar de Òsàlúfón, para uma refeição comunitária com o deus.
Osaguiã (Òrìsà Ògiyán)
 Òrìsà Ògiyán é um òrìsa funfun jovem e guerreiro, cujo templo principal encontra-se no Ejigbô. Foi a esse local que este òrìsa chegou, depois de uma viagem que o fez passar por vários lugares; num deles, Ikiré deixou um de seus companheiros que se tornou o opulento Òrìsà-Ìkìrè.
Chegando ao ponto final de sua viagem, tomou o título de Eléèjìgbó, rei de Ejigbô. Porém, uma característica deste òrìsa era o gosto descontrolado que tinha pelo inhame pilado, chamado iyán, que lhe valeu o apelido de “Òrìsa-Comedor-de-Inhame-Pilado”, o que se exprime em ioruba pela frase Òìsà-jé-iyán e pela contração Òrìsàjiyán ou Òrìsàgiyán. Comia inhame dia e noite; de fato, o inhame era-lhe necessário há todas as horas. Dizem que ele foi o inventor do pilão para facilitar a preparação de seu prato predileto. Também, quando um elégùn desse òrìsa é possuído por ele, traz sempre na
mão, ostensivamente, um pilão com alusão a sua preferência alimentar. Esse detalhe é conhecido no Brasil pelas pessoas consagradas a Osaguiã que, quando estão em transe durante suas danças, agitam com a mão, infalivelmente, o pilão simbólico. Além disso, a festa que lhe oferecem todos os anos chama-se “o Pilão de Osaguiã”.
Por ocasião das cerimônias anuais em Ejigbô, a tradição exige que os habitantes de dois bairros da cidade, Osolô e Oke Mapô, lutem uns contra os outros a golpes de varas durante várias horas. Uma história de Ifá explica a origem desse costume com a seguinte lenda:
“Certo Awoléjé, babalawo companheiro e amigo de Eléèjìgbò, havia-lhe indicado o que deveria fazer para transformar a aldeia de Ejigbô, recentemente fundada, em uma cidade florescente. Em seguida, dirigiu-se para outro lugar. Em alguns anos, a aglomeração tornou-se uma grande cidade, cercada de muralhas e fossos, com portas fortificadas, guardas, um palácio para Eléèjìgbò, numerosas casas, um grande mercado para onde vinham de muito longe, compradores e vendedores de mercadorias diversas e escravos. Eléèjìgbò vivia em grande estilo e era costume, quando se falava de sua pessoa, designá-lo pelo termo bajulador Kábiyèsi (‘Sua Majestade Real’). Ao cabo de vários anos, Awoléjé voltou e, embora babalawo, nada sabia da grandeza de seu amigo, o ‘Comedor-de-Inhame- Pilado’. Chegando ao posto da guarda, na porta da cidade, pediu familiarmente notícias do Ojiyán. Os guardas surpresos e indignados com a insolência do viajante para com o soberano do lugar agarraram Awoléjé, bateram-lhe”. cruelmente e o prenderam. O babalawo ferido vingou-se utilizando seus poderes. Ejigbô conheceu então anos difíceis: não chovia mais, as mulheres ficaram estéreis, os cavalos do rei não tinham mais pasto e outros dissabores. Eléèjìgbò fez uma pesquisa e soube da prisão de Awoléjé. Ordenou imediatamente que o pusessem em liberdade e pediu-lhe para perdoar e para esquecer os maus-tratos de que fora vítima. “Awoléjé concordou, mas com uma condição: ‘No dia da festa de Òsàgiyán, os habitantes de Ejigbô deveriam lutar entre si, com golpes de varas, durante várias horas’”.
Esta flagelação expiatória realiza-se todos os anos em presença de Eléèjìgbò, enquanto as mulheres consagradas ao òrìsa cantam os oríkì e batem no chão com o ìsán, varinhas de atori (Glyphea laterifolia), para os mortos, e fazê-los participar da cerimônia. Elas exortam Osaguiã a fazer reinar a paz e a abundância em sua cidade e a mandar chover regularmente. Os axés do deus são trazidos da floresta sagrada, onde se encontra seu templo. Terminada a luta, forma-se um cortejo, precedido por Eléèjìgbò. A multidão entra dançando no palácio, onde os axés ficaram por algum tempo. Depois, retornarão acompanhados por Eléèjìgbò e seu séqüito até o templo de Osaguiã, em sua floresta sagrada. A multidão enche logo a clareira, levando gamelas com oferenda de alimentos, onde figura em lugar de destaque, a massa de inhame bem pisada nos pilões e que será comida em comunhão com o deus.

quinta-feira, 6 de março de 2014

oxum

O presente tema apresenta, como personagem central, o Orixá Oxun, deusa do amor, das 
águas doces, da beleza e da feminilidade. 
Oxun teria nascido de uma concha depositada por sua mãe Yemanjá, na margens de um 
grande rio ao qual empresta o seu nome, Rio Oxun, em yorubá "Odô Oxun". 
É nos locais mais profundos deste rio, entre as localidades de Iguedé onde nasce e Leké, onde 
desemboca numa lagoa, que Oxun é originalmente cultuada, tendo o seu templo principal 
edificado nesta região, na aldeia de Oxogbo, palavra do dialeto yorubá que significa: "Oxun 
atingiu a maturidade". 
No percurso do rio, que corresponde à trajetória do próprio Orixá, Oxun assume diferentes 
características, todas ligadas à maneira de ser das mulheres, de seu caráter e atitudes, de suas 
qualidades e defeitos. 
Assim, o africano se refere à diferentes "caminhos" deste Orixá, que serão descritos de forma 
particular, sempre comparados a situações específicas do procedimento feminino. 
Temos então, Oxun Kayode, representada pela dança de Oxun, repleta de movimentos que 
denotam a sensualidade revelada na maneira de andar, de se movimentar e de proceder das 
mulheres. 
Yeye Kare representa o culto à beleza e à vaidade feminina, é descrita como "O Espírito que se 
reflete no espelho", motivo pelo qual Oxun está permanentemente se admirando na superfície 
de um espelho, do qual não se separa nunca. 
O gosto pela riqueza, pela opulência e pelo uso de jóias e adornos se revela no caminho de 
Oxun Bumi, onde a yagbá cobre-se de pulseiras, brincos e colares de ouro, metal que lhe 
pertence por direito e ao qual está ligada de todas as formas. 
Oxun Sekese representa a aparente fragilidade feminina, artifício usado para obter a proteção 
dos representantes do sexo masculino. 
Oxun Ibukola é a sedutora irresistível e representa o poder de sedução feminino. 
O espírito maternal é representado por três diferentes caminhos onde Oxun Fumike 
proporciona a possibilidade de gerar filhos, Oxun Oxogbô assiste a mulher na hora do parto, 
desempenhando aí, a função de parteira e Oxun Funke é a mestra, representando a mãe que 
orienta e ensina aos filhos as primeiras palavras e passos no seu primeiro contacto com o 
mundo e com a própria vida. 
Oxun Miwa, o Espirito das Águas Doces, está, de certa forma, ligada ao processo de gestação e 
dizem que assiste e protege o feto durante todo o período de gravidez, sendo a dona do 
líquido aminiótico. 
A inconstância do caráter feminino é representada por Oxun Akura Ibú, que se faz presente 
nos locais de encontro das águas do rio com as do mar.
A mulher guerreira, batalhadora e belicosa é representada por quatro caminhos de Oxun, nos 
quais porta sempre uma espada. Nestes caminhos a Orixá é conhecida como: Oxun Apará, 
Oxun Oke, Oxun Ipondá e Yeye Iberin, todas consideradas como guerreira poderosas. 
A mulher madura, consciente de sua graça e elegância, revestida de respeito e classe é 
representada por Oxun Ede. 
A partir daí, Oxun assume características relacionadas à mulher envelhecida, cheia de manias e 
preconceitos, ranzinza e implicante e é então representada por Oxun Ogá. 
No último caminho, vamos encontrar Oxun Abotô, considerada velha e decrépita e envolvida 
em ações misteriosas e obscuras relacionadas, talvez, à prática da feitiçaria. 
Oxun, então, assume e revela todo o poder feiticeiro da mulher. Desprovida agora de 
escrúpulos e do sentimento de piedade, contesta a pseudo superioridade do macho e cria uma 
sociedade secreta estritamente matriarcal denominada Sociedade Gueledé, onde a face 
maligna é encoberta por máscaras muitíssimo elaboradas. É Oxun Awe quem se encarrega de 
organizar esta sociedade onde o homem não tem vez, devendo, tão somente, submeter-se de 
bom grado às exigências de suas líderes. 
Oxun, reunindo em si mesma todas as diferentes manifestações anteriormente descritas, 
assume para si o absurdo poder de Yámi Ajé - a Mãe Feiticeira – e, investida deste poder, 
controla a vida e a morte, punindo ou premiando indiscriminadamente, sem senso de justiça e 
sem julgamento. 
Aí, é representada pela grande cabaça Igbadu, símbolo do ventre gerador, encimada pelo 
pássaro Oxorongá, representação do poder feiticeiro ilimitado que pode enviar aonde bem 
entender de acordo com sua conveniência. Surpreendentemente, determina que esta cabaça 
jamais seja vista ou cultuada por mulheres. 
QUALIDADES DE OXUN SEGUNDO A SANTERIA DE CUBA 
1 - IBU KOLE 
Esta Oxun nasce no Odu Ogbetura e come galinha d’angola. É aquela que cuida da casa e 
recolhe o lixo produzido dentro dela. Seu fio de contas é amarelo ouro intercalado com âmbar 
e corais. 

2 - OXUN OLOLODI 
Trata-se de uma Oxun guerreira que porta uma espada. Seu adê é adornado com búzios. 
Carrega um erukeré com o cabo adornado com contas de Orunmilá. Dentro de sua sopeira 
coloca-se areia do mar e do rio misturadas. Entre os ararás é conhecida como Atiti. 

3 - OXUN OPARA ou APARÁ. (Em Cuba: Ibu Akparo) 
Esta qualidade de Oxun nasce no Odu Owónrin Meji. 
Seu nome secreto é Iganidan. É aquela que reina sem coroa. É representada pela codorna. Vive 
na desembocadura do rio com o mar e, segundo dizem, é surda. Come codornas e, com 
Yemanjá, come duas galinhas cinzentas. 

4 - OXUN IBÚ ANAN. 
Esta Oxun é tocadora de tambor e nasce em Oturukponyekú. Seu orikí diz: Aquela que ao ouvir 
o tambor corre em sua direção. 
5 - IBU INÃNI. 
Aquela que é famosa nas disputas. Seu igbá fica sobre areia de rio. Leva um abebé de metal 
com dois guizos. Os ararás a chamam de "Tukusi" ou "Tobosi". 
6 - OXUN IJIMU OU YUMU. 
Aquela que faz inchar a barriga sem que haja gravidez. Esta Oxun é belíssima e nasce no Odu 
Ika Meji. Os ararás a chamam de "Tukusi" ou de "Tobosi". 

7 - OXUN IBU ODONKI. 
Esta Oxun vive em cima de um pilão. Ao lado de seu igbá coloca-se um cesto com material de 
costura. Seu oriki diz: O rio está crescendo e suas águas estão cheias de lixo. Entre os Ararás é 
conhecida como "Tokago". 
8 - OXUN IBÚ ODOÍ. 
Esta Oxun come inhame e, junto dela deve-se manter sempre, um inhame cru. É estreitamente 
ligada com as Iyami e possui o dom da feitiçaria. Entre os ararás é conhecida como "Fosupô". 
9 - OXUN IBU OGALE. 
Esta Oxun vive rodeada de telhas de barro É uma Oxun velha e guerreira, considerada a 
guardiã das chaves. Os ararás a chamam de "Oakerê". 
10 - OXUN IYEPONDÁ. 
A lenda conta que foi esta Oxun quem liberou Xangô do cativeiro. Segundo outra lenda, esta 
Oxun foi morta e atirada às águas de um rio, onde logrou ressuscitar. É guerreira e brigona. 
Entre os ararás é conhecida pelo nome de "Agokusi". 
11 - OXUN IBU ADESÁ. 
Esta Oxun é a dona do pavão real, animal que lhe é sacrificado. Seu nome significa: "A Coroa é 
Segura". Entre os ararás é conhecida como "Abotô". 
12 - OXUN AYEDÊ OU EYEDE. 
Seu nome significa: "Aquela que age como uma rainha". Os ararás a chamam de Iyaáde. 
13 - OXUN OKPAXE ODO. 
"Aquela que ressurgiu do rio depois de morta". É conhecida, entre os ararás, como "Totokusi". 
14 - OXUN IBUMI. 
Esta Oxun é representada pelo camarão de água doce que, por sua vez, é seu prato preferido. 
Não tem paradeiro, é caminhante e fujona. Entre os ararás é conhecida pelo mesmo nome. 
15 - OXUN IBU LATIE. 
Esta Oxun vive no meio do rio. Só come em cabaças e seu igbá leva 15 flechas e cinco idés 
dourados. Não possui coroa e quando é vestida enrola-se sua cabeça num ojá amarelo com um 
filá de búzios pequeninos. Seu nome indica que possui poderes ilimitados e que tem 
fundamento com Exú Elegbara. Os ararás a chamam de Kotunga. 
16 - OXUN ELEKÉ OIYN. 
Esta é uma Oxun guerreira e aguerrida. Seu igbá tem que estar sempre besuntado de mel de 
abelhas da mesma forma que, segundo a lenda, massageava seu próprio corpo com este 
material. É muito forte e carrega nas mãos um bastão com a ponta em forma de forquilha. 

17 - OXUN ITUMU. 
Esta é uma Oxun guerreira e que adora confusões. Veste-se de branco e usa calças compridas 
como os homens. Dizem ser uma temível amazona que nas águas combate montada num 
crocodilo e na terra, no lombo de um avestruz. Habita as lagoas de águas doces e pode ser 
encontrada sempre na companhia de Inle e de Azawani. Os ararás a cultuam com o nome de 
Hueyagbe
18 - OXUN TINIBÚ. 
Esta Oxun vive com Igbadu e nasce no Odu Ireteyero. É a matriarca da Sociedade das Iyalodes. 
Come cabra, cuja cabeça, depois de seca, é colocada sobre seu igbá. Conta a lenda que tem 
uma irmã chamada Miuá Ilekoxexe Ile Bomu, que é cultuada junto com ela. Esta outra Oxun 
não toma a cabeça de ninguém. 
19 - OXUN AJAJURA. 
Esta Oxun vive em lagoas, não usa coroa e é muito guerreira. Em seu igbá coloca-se um casco 
de tartaruga. 
20 - OXUN AREMU KONDIANO. 
Teria sido a primeira a se manifestar numa cabeça humana. Veste-se inteiramente de branco e 
seu fio de contas é de nácar e coral com gomos de contas verdes e amarelas (de Orunmilá). 
Trata-se de uma Oxun muito misteriosa. Tem estreita ligações com Obatalá, chegando, por 
vezes, a ser confundida com ele. Esta Oxun, segundo um itan do Odu Ogbekana, foi quem 
ajudou Orunmilá a esquartejar o elefante. Os ararás a chamam de Tefande. 

21 - OXUN IBUSENÍ. 
Esta Oxun vive nas pequenas poças d’água que se formam próximo das margens dos rios. É 
assentada em duas sopeiras. Cada uma com um otá. É conhecida como Ajuaniynu, entre os 
ararás. 
22 - OXUN IBUFONDÁ. 
Esta Oxun morreu na companhia de Inle. Está sempre em guerra e não abre mão de uma 
espada. Seu prato predileto é o inhame. Os ararás a conhecem como Zehuen. 
23 - OXUN IBU ODOKO. 
Esta Oxun é muito poderosa e nasce em Ogbekana. É agricultora e acompanha Orixaoko. 
24 - OXUN AWAYEMI. 
Esta Oxun nasce em Oyeku Meji. É inteiramente cega e vive na companhia de Azawani e 
Orunmilá. 

25 - OXUN IBU ELEDAN. 
Esta Oxun nasce no Odu Oxe Leso (Oxe Irosun). É a dona das fossas nasais Come cabrito 
capado e pequeno. 
26 - OXUN IDERE LEKUN.
Nasce no Odu Oturasá. Vive nos buracos formados nas pedras pelas ondas do mar nos locais 
de encontro do rio com o mar. Leva um atabaque de cunha chamado "koto". Não usa coroa e 
esconde o rosto que é deformado, com uma máscara de bronze. 
27 - OXUN IBU INARE 
Vive sobre o dinheiro e, na praia, sobre o caramujo aje. Esta Oxun não gosta de dar dinheiro a 
ninguém. 

28 - OXUN AGANDARÁ. 
Esta Oxun nasce no Odu Ikadi. Vive sentada numa cadeira de braços ou num trono. Seu igba 
deve estar sempre coberta com folhas secas de oxibatá e oju oro
oloje iku ike obarainan

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014


Ajé Xaluga 


Conchas grandes, caramujos do mar, joias naturais, corais, são os simbolos desta divindade que em Ifé é conhecida como Àjè Salùga e no Daomé como Oxumaré. Não existem cerimônias abertas para ela, nem festas. Gosta de arroz cru com mel e farinha perfumada, o local onde Aje encontra-se assentada, não pode ser visitado por muitas pessoas, mostra-se muito tímida e cismada. Seus rituais devem acompanhar os de Iemanjá. Possui ligação com Exu, Olokun, Orunmila, Osaniyn e Ori.

Adura Ajé Xaluga



Ajé de o 
Anan ye
E wo ilé ire
E so l'ojo o
Ajé jájá de
More anan ye
E wo ilé ire 
E so l'ojo o
Ajé olówó 
Ajé olólà


Tradução



Ajé chegou 
Devemos manipulá-la com cuidado
Que a casa seja de sorte
vamos louvá-la no dia
Ajé infinitamente chegou
devemos manipular Ajé com sabedoria
para que a casa seja de sorte
Vamos louvá-la hoje
Ajé dona do dinheiro
Asé.


Lista de material para Ajè Saluga
01 Bacia antiga de louça grande (Que seja antiguidade)
01 Cachepô grande de Louça (Antiguidade)
03 Ajês grandes
600 Búzios pequenos comuns
600 Moedas correntes
Areia de praia
06 Ajês médios
06 Moedas antigas prata
06 Moedas correntes prateada
06 Ajês pequenos
06 Idés de Ouro 18k
06 Owo eyo (Búzios da terra frutos de escavações arqueológicas)
06 Pedras preciosas (Cristal austríaco,Brilhante,Diamante,Topázio imperial,Topázio azul,Citrino amarelo)
06 Pérolas legítimas
01 Etú pintada
01 Ajapá
01 Eyielé amarelos (Pombo)
06 Igbín funfun (Caramujo)
01 vidro de azougue
01 Pena de leke-leke
01 Pena de Agbè
07 Penas de Ekodidé
01 Pedaço de cera de abelha ou de Carnaúba
06 Conchas Shell
06 Conchas comuns
06 Caracóis (variados)
01 Coral cérebro
01 Coral de galhos
01 Fio de corais
01 Fio de Segís
07 Obis funfun de 4 gomos
01 Estrela do mar média
06 Cavalos Marinho
06 Conchas de madrepérola
01 Pedaço de banha de orí vegetal
01 vidro de mel de abelhas legitimo
01 Pedra de Efum
01 Pedra de Ossum
01 Cx wají
01 Punhado de Iyerosun (Pó sagrado de Ifá)
01 Pincel
Folhas de Akoko/Ela/Iroko/Fortuna e Saião
02 Colobos (potinhos de barro)
Gin
Atare
01 Pacote de Incenso (adquirido em algum apostolado Litúrgico)
01 Caramujo amarelo Curbicula (vivo)
Água que a pessoa lavou o rosto durante 6 dia.
Iniciando os fundamentos de Àjè Salùga
O Culto a Àjè Salùga encontra-se centrado nos fundamentos do Odù Òbàrà.

Para se ter Àjè faz-se necessário apurar em Jogo se Àjè despertará a riqueza para a pessoa, pois Àjè só dá a riqueza para a pessoa se ÈLA permitir, ÈLA, por fim, é sempre invocado durante os cultos para que venha e abençoe os oferecimentos, tornando-os aceitáveis. ÈLA também é denominado como o princípio que inspira a aceitação de alguns sacrifícios; que inspira o culto correto e é por ele que a vida tem sido oferecida.


Odu o Destino

Pode-se dizer, sem a menor porcentagem de erro, que o Odù individual é o signo da pessoa. Claro que é mais elaborado pois diferentemente dos signos zodiacais, cada dia é regido por um Odù, seria mais parecido com a numerologia. Só que no caso dos Odù, a energia que ele traz para a pessoa pode ser mudada para melhor, afastando o lado negativo dele. Cada Babalorixá, tem um modo específico de fazer a conta para se encontrar o Odù das pessoas, o mais usado é igual o da numerologia. Ex: Se a pessoa nasceu no dia 15/ 05/ 1971, deve-se fazer a soma desta forma;
1+5+5+1+9+7+1= 29    
2+9= 11
11= Owarin
Existem apenas 16 (dezesseis Odù), por esse motivo, sempre que o resultado da soma, for superior a 16 (dezesseis), ele deve ser somado novamente, como no exemplo acima. O resultado da soma foi 29 (vinte e nove) e teve que ser reduzido à 11 (onze), este Odù se chama Owarin, ele é regido principalmente por Egungun. Cada Odù tem um nome diferente e é regido por Orixás diferentes, segue-se abaixo os dezesseis Odùs do Oráculo de Ifá;

Nº Nome do Odù Orixás Regêntes
01 Okáran Exú, Xangô e Egun 
02  Ejiokô Ogun, Ibeji e Exú
03  Etaogundá Ogun, Exú e Xangô
04  Iorossun Iemanjá, Ogun e Egun
05  Oxê Oxun e Yámi
06  Obará Xangô, Exú, Oxóssi e Logun
07  Odí Oxóssi, Obaluaê e Omolú
08  Ejionilê Oxoguiã, Oxóssi e  Airá
09  Ossá Oyá, Iemanjá e Yámi
10  Ejiofun Oxalufã, Oduduá e Airá
11  Owarin Egungun, Exú, Xangô e Ikú 
12  Ejilaxebóra Xangô, Orô e Ikú
13  Ejiologbon Nanã, Oxalufã e Omolú
14  Iká Oxumarê e Ossãe 
15  Obeogundá Obá, Yewá e Ogun
16  Aláfia Orunmilá e Oduduá
 O Orixá regente atribuído, a cada Odù, varia de zelador para zelador, ou de axé para axé. Geralmente cada Odù é regido por muitos Orixás ao mesmo tempo, porque a palavra Odù siguinifica destino, e cada Orixá, teve sua passagem por cada Odù, por esse motivo, não há porque afirmar, que um Orixá, está ou não errado como regente de um Odù. E também pode ocorrer de Orixás que teoricamente não se dão bem, possam reger o mesmo Odù, mas que fique bem claro que com influências diferentes. Por exemplo: o Odù Oxê, todos sabemos que ele é regido por Oxun e Yà Mì Óxórongà, mas responde por esse Odù também Obà eterna inimiga de Oxun pelo amor de Xangô, ela rege sim, porque nesse signo é que há o grande confronto entre Obà e Oxun pelo Amor de Xangô quando Obà corta a própria orelha por amor a Xangô, ou seja não há regente errado.
- Odù Okáran - As pessoas regidas por esse signo, são inquietas, independentes, desconfiadas, impulsivas e geniosas, possuem vocação religiosa, são esquivos e tristes. São vingativos, não se importando quem é o alvo de sua vingança, sendo pai ou mãe, filhos ou irmãos. Possuem temperamento forte e são problemáticas.Você parece ser agressivo, mas na verdade está apenas lutando para preservar a independência da qual muito se orgulha. Você não poupa esforços para atingir seus objetivos, mas deve tomar cuidado para não arrumar inimigos à toa. Seu lado negativo implica grandes sustos na vida, grandes perigos, prisão, roubo, ruína, perda de tudo, ambição e intrigas.
- Odù Ejiokô - As pessoas regidas por esse signo, são muito alegres e felizes, possuem muita sorte, porém não chegam a ficar ricos, não são ambiciosos e procuram dividir tudo que possuem. São confiantes, voluntariosos, geniosos, prepotentes, exigentes e tentam impor suas vontades. E dessa maneira acabam adquirindo constantemente inimigos declarados e ocultos.Você se mostra calmo no comportamento e seguro nas decisões, mas na sua mente sempre exitem dúvidas. Não tenha medo de externar estas incertezas. Como muitas pessoas o amam, você acabará recebendo bons conselhos. Regidos por este odu têm personalidade marcante. Geralmente são criaturas tensas e nervosas, ávidas de vitória não importando a luta e sacrifício que terão de enfrentar para alcançarem a vitória, pessoas sinceras e que não aceitam a falsidade. Seu lado negativo traz prisões, brigas, casos de justiça, desfechos perigosos na situações da vida e crimes.
- Odù Etaogundá - As pessoas regidas por esse signo, só vencerão na vida, mediante seus próprios esforços e sacrifícios, o homem deste Odù é muito viril, e a mulher tem muita fertilidade mas não tem muita sensualidade. Mas tanto o homem quanto a mulher regida por esse Odù, são muito radicais sendo olho por olho dente por dente.A obstinação que se traduz em agitação e inconformismo, é uma das suas principais características. Mas, se usar suas qualidades, como a coragem, criatividade e a perseverança, consiguirá o que mais anseia: o poder e o sucesso. Seu lado negativo traz a inveja, normalmente vecem as situações com dificuldades, falta de sorte no amor, morte com familiar e situações onde possa haver feitiços com a pessoa.
- Odù Irossún - As pessoas regidas por esse signo, são audaciosos, decididos, agressivos, autoritários, deixam-se dominar pela cólera. Geralmente possuem olhos vermelhos e lacrimejantes. Jamais devem revelar seus planos a ninguém, pois por mais garantido que sejam da errado. Os segredos do mar jamais são revelados, pois o peixe morre pela boca.Pessoas francas, geralmente "mão aberta" pra dinheiro e que não gostam de ver ninguém "chorando" miséria. Pessoas gratas que gostam de ajudar e têm gosto pelo oculto, mistério e misticismo. Seu lado negativo traz a calúnia, a difamação, traições e indecisões. No caso de mulheres em busca de relacionamento difilmente terão hesito.
- Odù Oxê - As pessoas regidas por esse signo, possuem poderes para a feitiçaria, são misteriosas,  perigosas e vaidosas. Quando lhes convém, são mão aberta, possui muito charme, além de serem muito inteligentes. Gostam dos prazeres, são faladores, convencidos, ambiciosos, perseverantes e complicados no amor, pensam em grandes lucros e não poupam esforços para alcançá-los. Em momentos precisa de isolamento para poder refletir, pois preza muito sua liberdade e, sobretudo, seu crescimento. Pessoas vaidosas e que se interessam muito pelo ocultismo além de grande força espiritual. Desenvolvendo a espiritualidade tornam-se grandes feitiçeiros. Normalmente ocupam cargos importantes dentro do culto de òrìsà. Seu lado negativo implica a falsidade, promessa de pessoas influentes com desfecho infeliz, ambição, fracassos amorosos e a ilusão de viver situações fantasiosas.
- Odù Obará - As pessoas regidas por esse signo, quase sempre são vítimas de calúnias. Possuem grandes idéias e passam boa parte de suas vidas tentando realiza-las mas na maioria dos casos, essas idéias ou planos vão por água a baixo, por não pedirem ajuda para realiza-los. Os regidos por esse signo, acabam por vencer pela força de vontade, são obstinados, e geralmente não obtém o reconhecimento sobre seus atos.Você luta com unhas e dentes pelo que quer e geralmente consegue muito sucesso material. Mas, no amor precisa entender que não pode exigir demais dos outros. A possibilidade de riqueza e progresso são uma constante neste odu. Seu lado negativo traz a calúnia, roubos, inveja, o que, normalmente, causam nas outras pessoas mesmo sem ter nada. Bem cultuado na vida pode trazer soluções ineperadas e auxílio de onde não se espera o que pode ainda ser o caminho de grande melhora de vida.
- Odù Odí - As pessoas regidas por esse signo, são perseverantes, duras e inflexíveis, não crêem em nada nem em ninguém, mas podem facilmente serem levados por superstições tolas. São pessoas muito inteligentes e de excelente memória, assimilam tudo o que se proponham a aprender com muita facilidade,  adoram viver isolados.Você realmente está satisfeito com o que consegue. Mas não fica se lamentando. Prefere ir à luta. Caso aprenda com clareza seus objetivos, alacançará grandes êxitos. Seu lado negativo traz o desgosto pela vida, a perda da virgindade precoce, no caso de doentes traz o perigo de morte, perseguição, perda rápida daquilo que se conquista, e dificulade para se fixar em objetivos. Pessoas qu não temem a morte e bons feitiçeiros.
- Odù Ejionilê - As pessoas regidas por esse signo, são impulsivas, chegando quase a irracionalidade, seus objetivos devem ser atingidos a qualquer preço, mesmo que signifique o sacrifício de outrem. Possuem desenvolvimento intelectual mediano, alimentado pela curiosidade incontrolável, e enfraquecido por imaginação e teimosia excessiva. Tendem ao vulgar, ao mais fácil, não se importando muito com a qualidade.Sua agilidade mental faz de você uma pessoa falante e muito ativa. Além disso, você gosta de poder e prestígio e chega a sentir inveja de quem está em melhor situação. Mas seu senso de justiça o empede de prejudicar quem quer que seja. Seu lado negativo traz a perseguição de pessoas perversas, intrigas, brigas, fofocas, ódio acumulado no íntimo da pessoa e sede por vingança contagiante. Sendo regido pelo deus da "guerra", quando seu lado negativo é tratado terá a pessoa a conquista de grandes vitórias.
- Odù Ossá - As pessoas regidas por esse signo, são autoritárias, ingênuas, caprichosas e teimosas. São vítimas de calúnias e falsos amigos. De inteligência mediana são zelosos e por vezes muito mentirosos, cínicos, gostam de fofocas, costumam fantasiar situações,  são super protetores e por vezes falsos amigos. Costuma sempre estar rodeados de pessoas mas ser só.Você é uma pessoa que gosta de estudar cuidadosamente todas as coisas e sua larga visão de mundo em busca do conhecimento interior. Se quiser alcançar o sucesso, precisa tomar cuidado de manter alguma ordem no seu dia a dia. Seu lado negativo traz grandes desastres, perseguição e situações na vida de perdas onde não se espera acontecer. Quando se vai, seus nativos já estão vindo. Grande espiritualidade o que torna a pessoa muito adequada ao culto de òrìsà. Estas pessoas tem grande satisfação em viver os prazeres da vida.
- Odù Ejiofún - As pessoas regidas por esse signo, são muito calados, envelhecidas física e interiormente, ranzinzas, teimosos, embora exaltem a paz, são muito vingativos, agindo de forma geralmente traiçoeiras, são muito calmos. Geralmente vivem muito tempo, adquirem bens materiais a partir da meia idade, quando se encontra espiritualmente.Seu jeitão rabugento é apenas um escudo para que os outros não abusem da sua vontade e da sua sensibilidade. No fundo, você é uma pessoa serena, que se adapta aos autos e baixos da vida. Pessoas caridosas, humanas, pacientes e que geralmente entendem seus problemas assumindo assim a liderança de ajuda para quem dele precisa. Seu lado negativo implica a morte por doenças e principalmente da região do abdômen, feitiços e grande demora ao alcance dos objetivos e da persepção de situações sejam favoráveis ou não. Seus nativos atraem o lado negativo deste caminho para a vida quando fazem usode roupas pretas.
- Odù Owarin - As pessoas regidas por esse signo, ficam ricas ainda na juventude, realizam muito cedo o que desejam da vida. São naturalmente bafejados pela sorte, atraentes em tudo, generosas, dominadoras e entusiasmadas. Não conhecem obstáculos que não possam vencer, gostam do que é bom e caro. Não medem esforços para conseguir o que desejam. Mas não tem tempo para desfrutar de tudo que adquirem, pois este é o signo da pressa e tudo passa rapidamente.A pressa e a coragem são suas características. Tenso e agitado, você nunca fica muito tempo no mesmo lugar, a não ser que se sinta obrigado. Pode não obter grande sucesso material, mas a vida sempre lhe reserva muitas alegrias. Seu lado negativo traz perturbações, dúvidas, infelicidades, atrai pessoas de má influência, tendência para a mendicância e para os vícios, participação em casos baixos com envolvimento de polícia e casos de justiça além de falta de sentimento para questões na vida.
- Odù Ejiolaxeborá - As pessoas regidas por esse signo, são temperamentais, cordiais, adoram relacionamentos superficiais e numerosos, dificilmente assumem compromisso que durem muito tempo, o que provoca uma constante troca de parceiros. Costumam entediar-se até com as melhores coisas da vida. São gulosos, gostam de boa comida, de tudo do bom e do melhor, roupas, perfumes, gostam de desfrutar o máximo da vida, são muitos independentes.Sua principal virtude é o amor à justiça, que algumas vezes se transforma em intolerância com os erros alheios. Nessas ocasiões, você deve se voltar para outras de suas qualidades: a dedicação, que lhe permite ajudar todas as pessoas. São pessoas agradáveis, boas e simpáticas, porém muito sovinas. Seu lado negativo implica tendência acentuada para o vício do alcoolismo, progresso e sucesso rápido com perda mais rápida ainda e situações de perda por roubo. Se for homem, pode ainda, causar grandes perdas por mulher interesseira e envolvimento em casos de justiça.
- Odù Ejiologbon - As pessoas regidas por esse signo, são amorosas, dóceis, de temperamento mórbido, que preferem ser dirigidas e orientadas por alguém em que depositam confiança cega. Preferem viver em grupo. São teimosos, resmungões e gostam de crianças.Não possuem muita sorte no amor, e por essa razão vivem constantemente perturbadas, porém não deixam de ser trabalhadoras, honestas ao extremo, são sensíveis e quando se sentem agredidas são momentaneamente, vingativas.Você está quase sempre um pouco deprimido. Só faz o que quer quando quer o como quer. Mas, como tem grande capacidade de reflexão, acaba se adaptando e consegue viver bem com os outros. Seu lado negativo traz a falta de sorte no amor, difuculdades para êxito nos objetivos, atração para pessoas com vingança por feitiços, inveja e muita dúvida para tomar decisões. Pessoas com espiritualidade delicada com grande necessidade de trato constante ao Ori.
- Odù Iká - As pessoas regidas por esse signo, são muito orgulhosas, confiantes e por essa razão costumam chutar a felicidade, passando ao arrependimento logo após, mas elas inúmeras vezes, se recuperam e se renovam. São pessoas prestativas e agradáveis, agressivas, violentas, corajosas e nunca hesitam diante do perigo, fingem ser viris, gostam de vaidade embora não sejam vaidosos, e esforçam-se para sobressaírem em todos os meios e em todas as áreas, lutando com sua dupla personalidade.Paciência e sabedoria são suas principais características. Versátil, você se dá bem em qualquer atividade. Poderá passar por provações materiais e sentimentais, mas sempre saberá reencontrar o caminho para felicidade. Com seus nativos é sempre bom ter muita cautela por se tratarem de pessoas com opinião inconstante de onde pode se esperar tudo. São pessoas difíceis de lidar. Tem o viço da juventude e o carisma de um olhar malicioso e pentrante, perigoso, com pensamentos intensos. Gostam de aproveitar os prazer da vida intensamente. Se adaptam facilmente a uma situação e dela tiram sempre proveito ou experiência. Seu lado negativo traz arrependimento por oportunidades perdidas, doenças passageiras e dificuldades financeiras.
- Odù Obeogundá - As pessoas regidas por esse signo, são sempre impulsionados pelo desejo de conquista e de domínio, e para atingirem esse objetivo assumem posturas ameaçadoras, que visem manter o controle sobre a situação. São corajosos, audaciosos, presunçosos,  mas muito solícitas e prontas a socorrer à quem necessitem de seus préstimos. Possuem caráter altivo, sarcástico e indisciplinado. São amantes do trabalho.Você uma pessoa rebelde e cheia de vontades, que muitas vezes não resiste a defender seu ponto de vista mesmo depois que percebe que está errado. Por isso, deve tomar cuidado para não se deixar dominar pelo nervosismo. Pessoas ricas de bons sentimentos e muito seletivos na escolha de relacionamentos. Têm personalidade dúbia, nunca se firmando no que querem realmente. Sei lado negativo traz a briga, problemas de saúde relacionado as pernas, disputas e negócios com pouca chance de vitória.
- Odù Aláfia - As pessoas regidas por esse signo, são teimosos, serenos e calmos ao extremo, não perdem a paciência por nada, estão sempre dispostos a ajudar aqueles que deles necessitam, são francos e muito radicais em atitudes e pensamentos, possuem um grande senso de responsabilidade. São muito sábios.Suas principais caracteristicas são a tranquilidade e alegria. Amante da paz, você cria um clima de harmonia á sua volta. Se mantiver o equilíbrio, sem dúvida alcançará o sucesso. Pessoas felizes e contagiantes e que têm dificulades de lidar com suas limitações. SEus nativos podem estar tristes e pobres e transformam tal situação com grande êxito de maneira repentina. Seu lado negativo é grandioso quando estas pessoas tendem a resistir e não tolerar as situações da vida, insistindo demais em assuntos que a pessoa mesmo não acredita. 

As Lendas do Jogo de Búzios


Oxun e o Jogo de Búzios 
 
Conta a lenda que Oxun, primeira esposa de Orunmilá, invejosa do sucesso do marido, resolveu praticar a adivinhação embora, naquela época, isto fosse um direito exclusivo dos homens. Sabedora de que Exu era a pessoa de confiança de Orunmilá que a ele confiava todos os segredos do Oráculo, Oxun resolveu fazer um pacto com o mensageiros dos deuses e desta forma, pediu a Exu que lhe ensinasse a adivinhar através dos Odus de Ifá. O preço pelo serviço seria estabelecido por Exu e pago após a revelação proposta.
No dia seguinte Exu voltou à casa de Oxun e lá, com muita cerimônia, entregou-lhe um punhado de búzios e algumas pedras, sementes, ossos de animais e outras coisas mais. Antes de entregar à Oxun o jogopor ele inventado, Exu apresentou o seu preço: todos os ebós que fossem determinados nas consultas com o novo método seriam endereçados a ele e mesmo os sacrifícios que não fossem destinados a ele, deveriam ser entregues aos seus cuidados para que os conduzisse aos destinatários
TendoOxun concordado com as exigências de Exu, recebeu dele os ensinamentos referentes aos 16 Odus Meji sendo que, para aplacar um pouco a provável fúria de Orunmilá, tiveram a sua ordem de chegada e alguns deles tiveram seus nomes trocados. Desa forma Exu criou um sistema de jogo que pode ser acessado também pelas mulheres e garantiu, para si mesmo, a vantagem de receber a totalidade dos sacrifícios determinados em todas as consultas.
 
Iemanjá e o Jogo de Búzios
 
Iemanjá estava casada com Orumilá, o grande adivinho das terras de Ifé, que fazia milagres e tinha uma grande clientela. Por isso, Orumilá estava intimamente ligado aos segredos dos Búzios ( Dilogun ), pois Iemanjá, filha do todo poderoso senhor dos mares Olokun, era a rainha dos mares, peixes, caracóis, Búzios e tudo o que é relacionado com as Águas e se comunicava com eles, já Orumilá os interpretava seus segredos através dos Odus e suas lendas.
Então um dia, Orumilá teve que fazer uma viagem muito longa e entediante para participar de uma reunião dos Awôs que Olorun tinha convocado, Orumilá demorou demais e Iemanjá não tinha mais como se manter, não tinha mais dinheiro, foi aí que Iemanjá resolveu aplicar seus conhecimentos e técnicas para atender os  clientes que iam até sua casa em busca de ajuda. Quando alguém veio procurar Orumilá, para se consultar, ela os atendia jogando o Dilogun ( Jogo de Búziios ). Como Iemanjá era adivinha de nascimento as previsões eram muito bem sucedidos e em pouco tempo ela passou a ser muito cogitada, ganhando muito dinheiro.
Orumilá, no caminho de volta a sua casa, ouviu as pessoas falarem de uma mulher adivinha e milagrosa que era tão boa quanto Orumilá. Ele, muito curioso, disfarçou-se e perguntando as pessoas onde vivia esta mulher tão sábia, chegou a sua própria casa.
 
Iemanjá, ao ser descobertaa, lhe disse:
 
Você acha que eu morreria de fome esperando-te?
 
Então, Orumilá enfurecio, foi queixar-se com Olorun que decidiu que Orumilá seria o dono do Opelê, os Ikins e o Até de Ifá, e Iemanjá dominaria o Dilogun. Porém, Olorun advertiu a Orumilá que quando Iemanjá respondesse em seus Odus, todos os Babalaôs teriam que reverenciá-la, tocar a testa e saudá-la.

Jogo de Búzios

1 BUZIO ABERTO - OKARAN
·        Exú adverte que há perigo de roubo, brigas, discussões, inimizades, intrigas, perda de emprego, separação, prejuízo em qualquer tipo de negócio, sustos. Adverte também que está sujeito prisão, acidentes, feitiços, com os caminhos fechados, enfim, ruína. O cliente sente dificuldade em realizar seus negócios, impedido por inimigos ou pessoas invejosas. Situações que pode ocasionar; sustos, prisão, roubo, ruína, acidentes, envolvimento com drogas, tráfico, pessoa mau-caráter, inimizades, separações. Okànrán pode indicar vocação religiosa, eloquência, solução de problemas por intermédio de simples entendimento, nascimento de uma criança, nascimento de gêmeos, virilidade no homem, sexualidade na mulher, progresso ou enriquecimento repentino. Pode indicar fanatismo religioso exacerbado, injustiças, ingratidão, inquietude, abandono, lágrimas, perigo iminente e irremediável, inimigos ocultos, novidade, barulhos, alvoroço, visita estranha, coisas negativas em todos os sentidos ou até certo ponto, susto, grandes perigos, roubo, prisão, ruína, perda total. Èsú adverte que há perigo de roubo, brigas, discussões, inimizades, intrigas, perda de emprego, separação, prejuízo em qualquer tipo de negócio, sustos. Adverte também que está sujeito prisão, acidentes, feitiços, com os caminhos fechados, enfim, ruína.
2 BUZIOS ABERTOS- EJIOKO OU OKO
·         Este Odu fala de surpresas boas, cartas, dinheiro, lucros em negócios, amores, boas notícias, casamentos, união amorosa, noivado, convites para festas e fim de sofrimento. Pode falar de ancestralidade, mediunidade, ciências ocultas de gravidez, caminhos fechados e indecisão.  Encontro de dois, casamento ou convivência conjugal, felicidade inesperada, sucesso de empresa. Determina separação de mãe e filhos e muita tristeza por causa disto. Indica que a mulher trai o marido. Assinala inversão sexual. Aponta enfermidades e bruxarias por comida e/ou bebidas. Ejiòkôpode indicar atitudes puras e inocentes. Revela sensibilidade artística, dignidade, evolução material e espiritual, conquista de posições elevadas, vitórias, honrarias, encontro de dois corações, casamento, convivência (relacionamento) sexual, empreendimento bem sucedido. Pode indicar possibilidade de aborto ou parto prematuro, inveja de terceiros, atraso de vida por olho grande, trabalho de feitiçaria feito contra o consulente, melancolia, perdição por amor, separação da família (principalmente a mãe), frigidez nas mulheres, impotência nos homens, inimigos ocultos.

3 BUZIOS ABERTOS - ETAOGUNDÁ OU OGUNDÁ
·         Quando esse ODÚ se apresenta no jogo, o consulente deverá ser esclarecido afim de encontrar forças necessárias para enfrentar para enfrentar todas as situações desagradáveis e jamais recuar diante de qualquer obstáculo. Somente não deverá agir com impulso de maldade e sim espírito de bondade e esperteza, e muita calma, pois é uma indicação de dificuldade com alguns prejuízos e graves conseqüências. O consulente deverá ficar em alerta, pois haverá fracassos nas realizações de grandes projetos, quando esse fato acontece, é preciso que o consulente tenha muita calma e paciência, pois esse e um Karma imposto por esse ODÚ, e nesse momento, este deverá agir com prudência e acima de tudo com justiça. Não deve depositar confiança demasiada em certos amigos, pois no meio deles haverá um traidor, um falso amigo. Desordem, favorecimento de zanga, paz vitoriosa, acusação, ascensão ao poder, elevação, desastre, produto por esforço próprio. Prenuncia dúvidas, falsidade oculta, prisão, briga, casos de justiça, perigo vícios, depravação e guerra. Documentos e papéis importantes sem andamento, rompimento de uma sociedade, falência e separação amorosa. O consulente só vencerá todos os obstáculos agindo com calma e dentro da noção e com muita cautela. Não confiar em ninguém. Não recuar diante de nenhum obstáculo. Pode indicar: desmascaramento de pessoas que vêm agindo com falsidade, descoberta de uma traição, vitória sobre inimigos, guerra ou disputa em que a vitória está assegurada, vigor físico, virilidade, nascimento de uma criança, sobrevivência numa situação de extremo perigo. Este Odú indica: violência imposta ou sofrida, corrupção moral, toxicomania, alcoolismo, falta de escrúpulo, guerra, disputas acirradas que levam a desenlaces violentos, acidentes, morte violenta, agressões, perigo em viagens, inversões e perversões sexuais, traição, morte por envenenamento, falha na conduta moral.
4 BUZIOS ABERTOS– IROSUN OU IOROSUN 
Este Odu fala de indica grandes desgraças, ciladas, roubos, indecisões, calúnias, traições de pessoas amigas, acidentes, muitas tristezas, paixões violentas, muita falsidade, até mesmo dentro de casa e no trabalho, além de perigo de morte repentina. Pode falar de soluções para todos os problemas por pior que sejam e superação e conquistas inesperadas. Imaginação, choro, dificuldade na vida, peregrinação, prevenção, cautela, futuro brilhante. Iròsún Meji rege todos os buracos de terra, comanda também todos os metais vermelho, como o cobre, o bronze, o ouro, etc... Prenuncia acidentes, miséria, fraudes, sofrimento, ambição e impetuosidade. Pode indicar: vitória pelo esforço despendido, conformação, trabalho que surge, peregrinação religiosa, conquista de bens de pouco valor, mas que trarão satisfação, sorte em jogos. Este Odú indica: Ofensas, perigo de acidentes, derramamento de sangue, homem que deve ser evitado, mulher perigosa e faladeira, notícias ruins, doença em casa ou na família, miséria, recursos insuficientes. 

5 BUZIOS ABERTOS- OXÊ
Quando esse ODÚ, se apresenta nas 1ª caídas consecutivas, é indicação de feitiçaria, e, nessa feitiçaria, quem responde é Exú e Egungum. Quando sair 2 vezes, é indicação de magia e falsidade de mulheres, e o consulente será ludibriado com promessas que não serão cumpridas, também haverá perseguição de um homem.Também indica uma doença grave, mental, não tratada poderá levar à loucura, mas essa situação é passageira, fazendo ebó, todas as negatividades serão despachadas e todos os inimigos serão derrotados. Ofensa, trabalho, necessidade, miséria, luta oratória, início de empresa. Oxê pode indicar: recuperação de coisas perdidas, enriquecimento súbito, cura de uma doença, capacidade e engenhosidade, intuição que deve ser seguida, boa inspiração. Este Odú indica: perdas de todos os tipos, desperdícios, evasão de energias físicas, falsidade, cirurgia e doenças, principalmente na barriga, morte ocasionada por enfermidade, traição, prantos. 

6 BUZIOS ABERTOS- OBARÁ
Se este Odu cair 3 vezes seguidas, é sinal de perdas totais. Se 3 ou 4 vezes, também passa a suspeita de ligação com Abiku porém essa situação não quer dizer que o consulente seja Abiku, mas que tenha contato, pai, mãe, filho, esposa, marido, irmão ou irmã. Fala de mudanças eminentes na vida do consulente e de uma possível melhora de vida. Recaída sobre a pessoa de sofrimento seu ou de parentes, roubo, traição, vaidade, prosperidade sem igual. Prenuncia expansão física e moral, regularização, alegrias, ambição, questões relacionadas a dinheiro, processos em andamento, solução de problemas de ordem financeira. Os filhos deste odú são pessoas alegres e festivas, carregadas de religiosidade e gostam de observar e manter tradições. Obàrá pode indicar: aquisição de bens materiais de um modo geral, fim de um obstáculo que deve ser o último, expansão física e moral, ausência de enfermidade, evolução no sentido ascendente. Este Odú indica: deslealdade, imoralidade, orgulho nocivo, injustiça, libertinagem, adultério, maldade, filho adulterino, guerra em família de santo. Pode estar indicando uma das seguintes doenças: infecções do sangue, problema circulatório, atrofias musculares, apoplexia, desnutrição, problemas respiratórios, mania de grandeza, loucura. 

7 BUZIOS ABERTOS- ODI
Este Odu fala de desgostos, banalidades, imoralidades, etc, mas também fala de muita sorte em qualquer tipo de jogo, heranças, empregos, conquistas de todos os tipos, bom gosto e boa aparência, porém, a sorte nunca é muito duradoura, porque existe maior número de qualidades negativas do que positivas. Dificuldades, caminhos fechados, avisto rápido, recompensa, bem-estar futuro de forma espantosa. Odí pode apontar: pessoa importante, influência em todas as camadas sociais, viagens com propósito de lucros, sorte em qualquer tipo de jogo (embora efêmera), heranças, bons empregos, conquistas de todos os tipos, bom gosto, boa aparência. Este Odú indica: prisão, condenação, roubo, abandono, prejuízo, seqüelas advindas de acidente ou moléstia, traição, perfídia, possessão de maus espíritos, mulher de maus hábitos e vida sexual desregrada, homossexualismo (só masculino), caminhos fechados, imobilidade ou dificuldade de ação. Pode estar indicando, quase sempre, doenças de bexiga, bacia, necroses, dermatoses, câncer, lepra, hipocondria, melancolia, neurastenia, doença dos ossos. 

8 BUZIOS ABERTOS– EJONILE ou EJIOGBÊ
Este Odu fala de perigos, pois o mesmo possui uma característica um tanto contraditória, pois o Odu é tão sagaz a ponto de enganar a morte, assim, todas as vezes que esse ODÚ se apresentar, em qualquer posicionamento, o mesmo se torna muito especial, sendo, portanto o merecedor de muita atenções. Geralmente esse ODÚ avisa possíveis riscos de acidentes, doenças graves, traições, pequenos furtos e alguns mexericos. Ejiònilê pode apontar: independência e determinação, um caminho aberto e que deve ser seguido, auto suficiência, vitória sobre o inimigo, dedicação em face de problema próprio ou alheio. Desenvolvimento intelectual pela vontade de saber, vitória em problemas de ordem financeira. Este Odú indica: perdição pelo jogo, estupidez, teimosia, irracionalidade, ações impensadas que ocasionam problemas sérios, confusão, agressividade, fúria descontrolada, casos judicias, aventura que terá final desastroso, falta de escrúpulos, adultério (por parte do consulente), sensualidade excessiva. Este odú fala de doenças como: anemias, males do estômago, das mamas, da garganta, do ventre, loucura por imaginação excessiva, problemas da coluna vertebral e do olho esquerdo.
9 BUZIOS ABERTOS– OSSA
O consulente está sujeito a passar por situações de desespero, derramamento de lágrimas, pela não realização quase sempre de grandes projetos, devido à perturbações provocadas por Egungum, traição e possibilidade de alcoolismo. Xangô fala de proteção e de superação. Época difícil, fuga preventiva, tempo de análises, uso para empresa de guerra, abundância de tudo. Osá pode apontar: elevação espiritual ou material, poderes mediúnicos ou parapsicológicos, vitória nos objetivos, progresso, idéias inteligentes. Este Odú indica: feitiçaria, aborto, quebra de um tabú, trabalho (feitiço) feito. Este odú fala de problemas da coluna, doenças do sangue, menstruação excessiva, hemorragias de todas as origens.10 BUZIOS ABERTOS– EJIOFUN ou OFUN
Quando cai este ODÚ para um consulente, é preciso que o mesmo seja bem orientado, devido a série de perturbações que virão em seguida, tanto materiais como espirituais, abalando sua personalidade de paz, ou seja, entrará em choque com fatos que aparecerão. Sempre que este ODÚ sair 3 vezes, é indicação de trabalhos feitos com EGUN, trazendo conseqüências desastrosas e prejudiciais, tanto na parte material como na sentimental e, ainda, casos de desonra e perda de virgindade. Aperto financeiro, fim, prejuízo, dádiva, dar ou ter coisa, semeadura de virtude, posse de objetos valiosos, moléstia, gravidez. Òfún pode apontar: aquisição, riqueza, longevidade, aumento de recursos materiais. Aumento de energias físicas e espirituais, credibilidade, segurança, sucesso. Este Odú indica: avareza, obsessão em acumular riqueza, traição, desmoralização, perda de respeito público.Este odú fala de problemas da circulação, obesidade, apoplexia, abortos, extirpação do útero e do ovário, cirurgias abdominais.
11 BUZIOS ABERTOS– OWARIN
Quando ele está positivo, ele oferece vitórias sobre todas as lutas e inimigos, os quais tentam guerrear com armas baixas, caluniando, difamando, dando falsos testemunhos, intrigando e fazendo magias pesadas, etc., com propósitos mesquinhos tentando denegrir a boa imagem e a dignidade das suas vítimas. Para as pessoas que vão viajar ou que trabalham viajando, deverão ter cuidados especiais fazendo ebó. Surpresa, ingratidão, vingança oculta, dificuldade de ter o que se deseja, achar-se tudo o que se quer por meio de muito esforço, satisfação com aquilo que se deseja ter. Òwónrin pode apontar: nobreza de atitudes, uma decisão que leva a um bom resultado, planos que darão certo, um bom empreendimento, proteção do alto, ajuda de terceiros, fartura, riqueza. Este Odú deve indicar: acidentes fatais, morte súbita ou prematura, vida curta. Este odú aponta doença no olho direito, excesso de sangue, hipertrofia dos órgãos, hipertensão, congestões e todos os tipos de doenças ocasionadas por abundância ou excesso patológico de fluidos, tumores, matéria orgânica. Esse odú impõe muitas influências negativas, tanto para o consulente, quanto para as pessoas regidas por ele. 

12 BUZIOS ABERTOS– EJILAXEBORA ou IWORIQuando sair no jogo pode indicar que o consulente terá grandes dores de cabeça, podendo se tornar um ébrio ou um débil mental, essa indicação também é estendida à alguém da família, que correrá o mesmo risco. Pode falar de problemas ou vitórias jdiciais, fala de fim de todos os obstáculos, de renovação e de união. Vitória em todas as lutas, agonia e desassossego, mas sempre vencendo admiravelmente. Ejilasèborá pode apontar: vitórias em todos os sentidos, situação de desespero que chega ao final, sendo superada com esforço. Fortalecimento espiritual, inteligência, um relacionamento de amizade que se transforma em romance. Este Odú deve indicar: troca ruim que traz maus resultados, morte no sentido literal da palavra, um inimigo difícil de ser derrotado, associação prejudicial, compromissos que não podem ser satisfeitos. Tendência ao suicídio, desespero. Este odú indica, principalmente, distúrbios nervosos, paralisias locais ou gerais, falta de coordenação motora, epilepsia total, catalepsia.13 BUZIOS ABERTOS– EJILOLOBAN
Quando ele se apresenta, costuma indicar o fim de um problema ou uma fase na vida do consulente, fala de feitiços, principalmente com Exú. Fala de saúde boa, de nascimento, de possível promoção no trabalho, de reveações no convívio pessoal do consulente. Lutas difíceis, astúcia, sagacidade e destreza para conseguir fortuna ou bem estar. Ejiològbón Meji pode apontar: mudanças para melhor, fim de uma situação desagradável, boa orientação de alguém que deve ser seguida, desmascaramento de certa pessoa que vem agindo com falsidade, intuição correta, capacidade de convencer, eloquência, fidelidade no amor, neutralidade em relação a uma briga ou disputa envolvendo outras pessoas. Este Odú indica: ineficiência, incapacidade de tomar decisões, queda de situação, morte do consulente ou de pessoa a ele ligado. Fala, principalmente, de morte de pessoa do sexo feminino. Notícias ruins que estão para chegar; rompimento definitivo de qualquer relação; esgotamento de possibilidades e de recursos. Este odú fala de problemas com as vistas, os estômago, aparelho digestivo em geral, bexiga, útero, queda de temperatura do corpo, perturbações emocionais, alucinações fantasmagóricas.14 BUZIOS ABERTOS– IKÁTodas as vezes que IKÁ aparece bem posicionado num determinado jogo, significa possibilidades boas, tais como: cargo no santo, viagens, convites, heranças, nomeações, lucros, presentes, reconciliações, compra de imóveis, mudança de residência para uma melhor, etc. Aviso de alerta, ter prudência e sagacidade. Falsidades, mas notícias, perigos futuros. Perversidade, desfrutar boa ocasião, ganho de mulher com o corpo, malfeitos, remorsos, paz, fortuna e bem-estar fácil no fim de qualquer tempestade, vitória qualquer que seja o terreno. Iká Meji pode apontar: vitória sobre os inimigos, controle de uma situação tumultuada, coragem para enfrentar um problema, sorte com o sexo oposto, conquista amorosa. Este Odú indica: envolvimento com polícia, inimigos declarados e perigosos, crimes sexuais, violências, agressões impostas ou sofridas, revolta, filho adulterino. Este odú fala, quase sempre, de impotência, frigidez, atrofias e inflamações musculares, problemas do fígado e da vesícula, interrupção do fluxo sangüíneo ou menstrual, doenças de pele (erupções), rubéola, sarampo, inflamações externas, desarranjos intestinais, hemorragias seguidas de abortos.
15 BUZIOS ABERTOS– IRETÉ ou OBEOGUNDÁ
Quando ele sai no jogo determina castigos, as situações se tornam por demais perigosas e delicadas, ocasionando danos morais e materiais, tais como: processos, separações, perda de dinheiro, propriedades, objetos de muito valor, perda de emprego, risco de haver um crime, risco de incêndio. Pessoas com problemas nas pernas, guerra e disputa por mulher ou homem, negócios com pouca chance de vitória, progresso incerto. Traz também riqueza, prosperidade quando em outra fase de transição para seus nativos. Inicia inúmeras situações deconcertantes até ocasionar guerra, através de intriga, inveja, ambição, danos morais e materiais. Processos, separações, perda de dinheiro e de propriedade. Obeogundá Meji pode indicar: domínio absoluto de uma situação, amor correspondido, influência, respeito, auxílio poderosos, dinamismo. Este Odúindica: falta de juízo, atitudes egoístas, indisciplina, uma aventura que terá final desastrosos, violência, ciúmes, cólera incontrolável, violência sexual, estupro. Este odú fala de lepra, varíola, atrofia muscular, inflamações intestinais, impotência sexual, febres eruptivas, hepatite, lesbianismo.16 BUZIOS ABERTOS– ALÁFIA ou OTURÁQuando o Odu Aláfia sai no jogo é uma indicação feliz tanto para o consulente quanto para o Sacerdote, pois o cliente terá daí em diante um novo início de vida, necessitando apenas de uma pequena orientação e alguns agrados aos Orixá. Aláfia é a representação favorável do Universo, é a verdade, o sucesso e a paz, dando indicações importantes, bons lucros, recebimento de herança, viagens prósperas e amor correspondido. Confirmação do pleno êxito, contentamento, ou felicidade, lucros, herança, viagens; o branco deve fazer-se sempre presente. De preferência, fazer negócios aos domingos. Aláfia Meji pode indicar: vocação artística, sinceridade no amor, amor correspondido, sabedoria, conquista de alguma coisa, prazeres, acolhimento afetuosos. Este Odú indica: domínio dos instintos (as necessidades físicas sobrepujando a razão e induzindo ao erro), falta de determinação para dizer não, pessoa de caráter dúbio, de duas caras, sem palavra.

Oráculo

Existem dois métodos para conversar com os ancestrais, sendo a primeira usar o método owo eyo conhecido como o jogo dos 4 búzios (Erin). Qualquer um não iniciado pode se apossar desta técnica para fazer perguntas e resposta de sim ou não (Bèéni; Bèéko), mas antes o consulente deve-se ater ao conhecimento básico desse oráculo, que sim é fácil de se manusear.
Já os iniciados no culto a Orisa e principalmente no culto a Ifá podem manusear este oráculo com uma forma mais abrangente e fazer os respectivos ebo a partir deste oráculo, e como todo qualquer oráculo, os iniciado em ambos os cultos podem usar um grande orifício para trazer uma melhor mensagem dos Egungun.O método que considero mais eficaz é usando o oráculo obi de 4 gomos ( àbàtà; ìyá obi). Este fala diretamente com esta divindade e a mesma traz respostas mais objetivas. Obi é a semente que advém da terra( ilê ) ilè gbogbo, ilè wa o, ilè mo júbà. O oráculo de ifá com seus rosário ( opele-ifá ) e as sementes ( ikín-ifá) são também super importantes para a adivinhação ao consulente que necessita de apoio espiritual, principalmente quando há uma gravidade no plano espiritual-ancestral.

Ebós dos Odus

EBÓS

ODÚ OSSÁ

2 ovos de pata
2 acaçás
2 bolas de arroz
1 obi arobo ralado
Flores brancas

Serve para amenizar problemas nos seios.

Na beira da praia, esfregue nos seios,os ovos de pata, os acaçás e não esquecer de acrescentar o obi e o arobo ralado nas bolas de arroz e as flores brancas.

Quando estiver no mar, fazer o pedido para Yemanjá, pedindo saúde e para que lhe tire a enfermidade, tenha fé no seu pedido rezando uma prece.

ODU EJI ONILE

8 acaçás
8 ekurus
8 velas
8 bolos de arroz
Milho branco cozido
8 panos de morim branco
8 carretéis de linha branca
Passar tudo no corpo e despachar tudo no mar

BANHO PARA SIMPATIA DA MULHER

Macaçá
Manjericão
Canela em pau
Pó de sândalo
1 maçã bem vermelha
Argentina cortada em cruz

Misturar todos os ingredientes e colocar para ferver por 30 minutos; deixe esfriar e em seguida tomar um banho da cabeça aos pés. Após o banho usar um perfume de sândalo ou alfazema.


EBO DE OBARA E OXÉ PARA FORTUNA

6 maçãs argentinas
6 pêras
6 cachos de uvas verdes
6 cachos de uvas rosada
6 velas
6 obi
1 porcelana branca

Os melhores dias para fazer este ebó são os dias de quinta-feira

EBÓ PARA AGRADAR ÃO ODU E ODI
(Para se obter coisas boas)

1/2 kg de feijão preto
100 g de camarão seco triturado
1 fava de manjericão
1 bacia de pipoca
Velas brancas
1/2 copo de dendê
1 cebola média

Cozinhe o feijão e escorra.Em uma panela refogue a cebola com o dendê, camarão e manjericão e depois o feijão.

Cobrir com as pipocas já estouradas, oferecer a Abaluae. Esta obrigação é para pedir paz e saúde e deve ser levada ao mato.

EBO PARA ODU OFUM

10 velas brancas
10 acaçá
10 acarajé
10 bolos de farinha com mel
10 bolos de arroz
10 moedas correntes
10 arobô
10 bolos de canjica
10 ovos
2 metros de murim

Passar tudo no corpo pedindo para este odum levar tudo de ruim. Colocar tudo no murim, amarrar e deixar debaixo de uma árvore.

BANHO PARA ABRIR CAMINHO

Manjericão de caboclo
Alecrim
Arruda
7 rosas branca
1 obi se for mulher
7 cravos brancos se for homem
21 cravos da índia Fazer

Este banho é para quando a vida estiver atrapalhada ou com perturbações

EBÓ ODU IKA

1 travessa de louça
1 peixe chamado vermelho
7 farofas diferentes:
· 1 de dendê
· 1 de café
· 1 de azeite doce
· 1 de mel
· 1 de água
· 1 de vinho branco
· 1 de água com açúcar

14 bolas de batata doce
14 bolas de arroz cozido
1 obi abata de 4 gomos
14 moedas atuais
14 velas brancas

Arrumar tudo na travessa, se concentrando e fazendo seus pedidos.

EBÓ ODU DE OWARIM

11 rosas
1 gamela
1 peneira
11 acarajés
1 acaçá
1 punhado de areia de praia
1 pedra de cristal
11 moedas
Folhas de louro

Colocar a gamela no chão e dentro dela areia e em cima os acarajés, o acaçá, a pedra de cristal, as moedas e enfeitar com as folhas de louro e rosas. Levar o ebó em um bambuzal e gritar o nome deste odú.

EBÓ DO ODU OBARA

1 abóbora
6 acaçás branco
6 tipos de doces brancos
6 tipos de doces amarelos
12 velas amarelas
mel
12 quiabos

Coloque a abóbora inteira para cozinhar, depois faça uma pequena abertura na parte de cima da abóbora e tire todas as sementes de dentro e deixe-a esfriar, pegue os acaçás e as outras coisas, passe no corpo e coloque dentro da abóbora. Peça prosperidade e caminhos abertos.
 
EBÓ DE OKANRAN MEJI:



Um peixe fresco,Um carretel de linha branca, um de linha vermelha e um de linha preta;
 

um punhado de cinzas de carvão, um charuto, um obi, uma cachaça, ½ dendê, ½ mel e

um akunko(Galo) preto.



Passa-se tudo no corpo e arruma-se dentro de um alguidar. As linhas são desenroladas passando sobre os ombros da pessoa, de trás para frente e vão sendo jogadas dentro do alguidar. Sacrifica-se o akunko para Egun e coloca-se dentro do alguidar.
 

Cobre-se tudo com epô, oti mel, espalha-se as cinzas por cima e despacha-se numa estrada de movimento.



EBÓ DE EJIOKO
 



Um akunko, duas penas de papagaio, dois aros de ferro, dois obís, duas favas de ataré, dendê, mel, oti e pó de efun. Passa-se o akunko no cliente e sacrifica-se para Exú. Arruma-se tudo dentro de um alguidar e deixa-se diante de Exú de um dia para o outro. As penas e os aros de ferro ficam no Exú, o resto é despachado no lugar indicado pelo jogo.
 



EBÓ DE ETAOGUNDÁ
 



Um akunko; um peixe fresco; um pedaço de carne bovina; oti; epô pupá; mel; um pano preto. Passa-se tudo no corpo do cliente, sacrifica-se o akunko para Exú; embrulha-se tudo no pano e despacha-se no lugar determinado pelo jogo.
 



EBÓ DE IROSUN MEJI
 



Quatro omo adie ou akunko kekere, um flecha, um bastão de madeira, quatro tipos diferentes de cereais torrados. Passa-se tudo no corpo do cliente e coloca-se o bastão e a flecha nos pés de Exú e os cereais dentro de um alguidar. Sacrificam-se os omo adie para Exú e colocam-se dentro do alguidar, por cima dos cereais. Despacha-se em água corrente. (A flecha e o bastão ficam para sempre com Exú).
 



EBÓ DE OXE MEJI
 



Um peixe vermelho, cinco búzios, cinco ovos, cinco obís, cinco folhas de akokô, uma cabaça e areia de rio. Corta-se a cabaça no sentido horizontal e coloca-se areia de rio dentro. Passa-se o peixe na pessoa e arruma-se dentro da cabaça, sobre a areia. Passam-se os demais ingredientes e vai-se arrumando em volta do peixe, dentro da cabaça. (Os ovos são crus e não podem ser quebrados). Tampa-se a cabaça com sua parte superior e embrulha-se com um pano colorido. Pendura-se o embrulho no galho de uma árvore na beira de um rio.
 



EBÓ DE OBARA MEJI
 



Um akunko, uma adie, seis abaninhos de palha, seis obís, seis acaçás, um pedaço de corda do tamanho da pessoa, um alguidar grande, mel, oti, epô, seis velas. Passa-se tudo na pessoa e sacrificam-se para Exú. Colocam-se tudo dentro do alguidar (o akunko por cima da adie), arruma-se as demais coisas em volta e a corda ao redor de tudo (dentro do alguidar). Cobre-se com mel, epô e oti e acendesse as velas em volta. Este ebó tem que ser feito e arriado nos pés de uma palmeira.
 



EBÓ DE ODI MEJI
 



Uma adie carijó, sete espigas de milho verde, sete tipos diferentes de cereais torrados, sete chaves, sete moedas e sete pedaços de rapadura.
 

Passa-se tudo na pessoa e arruma-se dentro de uma panela ou alguidar de barro. Sacrifica-se a adie em cima do ebó e coloca-se o seu corpo sobre ele. Despacha-se num caminho de subida (no início da subida).



EBÓ DE EJIONILE
 



Uma adié branca, uma vara de madeira do tamanho da pessoa, canjica cozida, oito ovos crus, um pedaço de pano branco, oito acaçás, oito búzios, algodão em rama e um alguidar. Passa-se tudo no corpo do cliente e arruma-se no alguidar que já foi anteriormente forrado com algodão. Amarra-se o pano na vara de madeira que deve ser fincada no solo como uma bandeira. Arreia-se o alguidar com o ebó na frente da bandeira. Passa-se a adie no cliente, com muito cuidado para não machucá-la, apresenta-se a Exú e solta-se com vida. Este ebó é para ser feito num lugar bem alto, de frente para o local onde nasce o Sol, de manhã bem cedo.
 



EBÓ DE OSÁ MEJI
 



Um akunko, nove agulhas, nove taliscas de dendezeiro, nove bolos de farinha, nove cabacinhas pequeninas, nove acaçás, nove grãos de ataré, nove moedas, nove penas de ekodidé, algodão, pó de efun e um alguidar. Sacrifica-se o akunko para Exú e coloca-se dentro do alguidar. Arruma-se tudo em volta do akunko. Nas pontas das taliscas de dendezeiro, enrola-se um pouco de algodão como se fosse um cotonete. Molha-se o algodão enrolado nas taliscas, no ejé do akunko e depois passa-se no pó de efun. As taliscas e as penas de ekodidé não vão dentro do alguidar, devem ser espetadas no chão, formando um círculo ao redor do mesmo, no local em que for despachado. Neste ebó não se passa nada no corpo do cliente. Despachar na beira da praia sem acender velas. Na volta, todas as pessoas que participaram têm que tomar banho de folhas de elevante e defumar-se com pó de canela.
 



EBÓ DE OFUN MEJI
 



Uma tigela branca grande, canjica, uma toalha branca, dez velas brancas, dez acaçás, um obi de quatro gomos, água de flor de laranjeira, pó de efun, algodão em rama e um igbín vivo. Leva-se tudo ao alto de uma montanha e ali, embaixo de uma árvore bem copada, faz-se o seguinte: Primeiro reza-se a saudação de Ofun Meji, depois, forra-se o chão com a toalha branca; no meio da toalha, coloca-se a tigela com a canjica, coloca-se os quatro gomos do obi sobre a canjica, um de cada lado; coloca-se os dez acaçás em volta da tigela; em cada acaçá espeta-se uma vela, cobre-se a tigela com o algodão, derrama-se sobre ele a água de flor de laranjeira e cobre-se com o pó de efun. Passa-se o igbín na pessoa e manda-se que ela o coloque, com suas próprias mãos sobre a tigela. Derrama-se um pouco de água de flor de laranjeira sobre o igbín que deverá permanecer vivo. Só então acende-se as velas e faz-se os pedidos. A cada pedido formulado diz-se: “Hekpa Babá”. Na volta para casa deve-se falar o mínimo necessário e, a pessoa que passou pelo ebó tem que guardar resguardo de dez dias e vestir-se de branco durante o mesmo período.
 



EBÓ DE OWÓNRIN MEJI
 



Dois obís, duas solas de sapatos velhos (da própria pessoa), dois bonequinhos de pano, dois pedaços de pano, sendo um branco e um amarelo, uma casinha de cera, duas pencas de bananas, dois saquinhos de confete, e um akunko para Exú. A roupa que a pessoa estiver vestindo na hora do ebó, tem que sair no carrego, que será despachado nos pés de uma árvore frondosa. Feito o ebó, o cliente se vestirá de branco por dois dias.
 



EBÓ DE EJILA XEBORA
 



Um akunko, dois irelês, doze folhas de babosa, doze pedacinhos de ori-da-costa, doze pedaços de coco seco, doze grãos de ataré, um alguidar, doze folhas de mamona, doze búzios, um charuto de boa qualidade, dendê, mel, oti, pó de peixe defumado, pó de ekú defumado, doze grãos de lelekun e pó de efun.
 

Sacrifica-se o akunko para Exú e coloca-se dentro do alguidar. Passa-se no corpo do cliente e vai-se arrumando no alguidar, em volta do akunko, as folhas de babosa e os búzios. Rega-se com mel, oti e dendê, cobre-se com pó de peixe e pó de ekú. Pega-se as folhas de mamona e, sobre cada uma delas coloca-se um pedaço de coco, em cima de cada pedaço de coco um pedacinho de ori, um grão de ataré e um de lelekun e com isto se faz doze trouxinhas. Passam-se as trouxinhas no cliente e vai-se arrumando no alguidar. Por fim, passa-se os Irelês e solta-se com vida. O ebó é arriado dentro de uma mata e o charuto, depois de aceso, é colocado em cima de tudo.





EBÓ DE EJIOLOGBON
 



Um peixe fresco, 13 pãezinhos, um alguidar, um pedaço de pano preto, um pedaço de pano branco, pó de peixe e de ekú defumado, dendê, mel e vinho tinto. Passa-se o peixe na pessoa e coloca-se dentro do alguidar, passa-se os pães na pessoa e arruma-se em volta do peixe. Rega-se tudo com mel, dendê e vinho. Salpica-se os pós sobre tudo. Passa-se o pano preto nas costas da pessoa e coloca-se dentro do alguidar. Passa-se o pano branco na frente e com ele embrulha-se o alguidar. Despacha-se nas águas de um rio ou de uma lagoa.
 



EBÓ DE IKÁ MEJI
 



Um akunko, duas quartinhas com água, 14 grãos de milho, 14 grãos de ataré, 14 favas de bejerekun, 14 grãos de lelekun, um alguidar, um pano branco, 14 moedas, uma mecha de pavio de lamparina, um obi, um orógbó, 14 ovos e 14 acaçás.
 

Enchem-se as quartinhas com água de poço, sacrifica-se o akunko para Exú e arruma-se no alguidar. Passa-se os demais ingredientes na pessoa e vai-se arrumando dentro do alguidar, (os ovos são quebrados). Derrama-se a água das quartinhas, uma sobre o ebó e a outra na terra. Despacha-se em água corrente. (As quartinhas não precisam ser despachadas).




EBO DE OGBEOGUNDA
 



Um alguidar cheio de pipoca, dentro do qual se sacrifica um akunko branco. No mesmo alguidar coloca-se: Um orógbó, um obi, uma fava de ataré, mel, dendê, vinho branco, uma faquinha pequena, um caco de louça, uma pedra de rua, uma pedra de rio, uma pedra do mar e um bonequinho. Arreia-se tudo num caminho de terra que saia num rio. Não se passa nada no corpo do cliente e é ele quem deve arriar o ebó e fazer os pedidos enquanto acende 14 velas ao redor. (Os pedidos são feitos a Exú).
 



EBÓ DE EJIGBE OU ALÁFIA
 



Um peixe pargo, um prato branco fundo, um obi branco de quatro gomos, canjica, 16 moedas, 16 búzios, efun e mel de abelhas. Passa-se o peixe no corpo do cliente e coloca-se no prato onde já se colocou a canjica. Arrumam-se as moedas e os búzios em volta. Abre-se o obi e coloca-se um pedaço em cada lado. Rega-se tudo com mel de abelhas e cobre-se com pó de efun. Entregar num local com bastante sombra, dentro de uma mata. Resguardo de 24 horas.