- A UTILIZAÇÃO DOS ANIMAIS NO CANDOMBLÉ -
Há que se esclarecer de uma forma definitiva, verdadeira e sem hipocrisia, a utilização dos animais pelo Candomblé.
Os animais comumente utilizados são, em via de regra: galos, cabritos, carneiros, pombos e galinhas da angola; machos e fêmeas. Sua forma de abate, é cortado o pescoço com faca bem afiada, o qual não sofre mais, nem menos, que os que são abatidos, aos milhares, diariamente, pelos grandes abatedouros, ou ainda, os tão procurados "caipiras", pelo seu melhor sabor e consistência, também o são abatidos, das formas mais variadas, sendo que a palavra sacrifício, é apenas um termo, uma forma de expressão, mas que, poderia perfeitamente, ser dito, abate. É feito algum tipo de comentário, por quem quer que seja sobre o abate industrial ou caseiro? Absolutamente não; porque? No fundo, no fundo, ninguém saberia dizer; Mas, intrinsecamente, já está embutido na cabeça das pessoas, pelas mesmas razões, já comentadas, de ordem religiosa, moral, conservadora... ou "pseudos" religiosos, moralistas...através de argumentos, os mais variados e convenientes, ao longo dos anos. Porém, quando essas pessoas, lêem na Bíblia Sagrada, em várias passagens, vou citar uma apenas, a mais marcante, em que Abel, "imolou" (sacrificou) um carneiro, para Deus, e o mesmo foi aceito, tão somente estava repetindo um ato já praticado, provavelmente advindo dos africanos, mas, que pela palavra usada - imolou - fica bonitinho e aceitável, mas sacrifício, não, este é um termo diabólico; que dizem dessas passagens bíblicas, nossos algozes?
Continuando, após "imolar" o animal, cujo sangue é derramado, em local determinado, são retirados os "axés", que são as vísceras principais (moela, rim, pulmão, coração...) que serão cozidas ou fritas, colocados num oberó (prato de barro) e oferecidas como complemento. A carne, será consumida normalmente pelas pessoas, como se estivesse sido comprada em um supermercado.
Esta forma como que é utilizado, o sangue e demais vísceras dos animais, tem uma causa e objetivo nobre, o de produzir uma energia, o axé, já tantas vezes mencionado, que ao menos, irá cumprir uma função, de maior ou menor importância, beneficiando o alvo de qualquer religião: o ser humano.
Onde está a maldade, o diabólico, se ajudar alguém? O abate é o mesmo, só porque é um ato religioso? De um povo já tão, atacado, sofrido e discriminado pela humanidade, ou ao menos parte dela, tudo isto por interesse e influência de alguns? A barata, o pernilongo, a formiguinha, Ah! A formiguinha, animal de folclore, história e lendas, tão bonitinha, mas que, todos foram criados por Deus, com alguma função, que não me cabe analisar, mas criaturas divinas, claro que são insetos, vermes, nojentos, nocivos, e, devem se exterminados, esmagados, pisoteados, e muitas vezes, com ímpetos e rituais de sadismo e com plena satisfação, quer seja com o sapato, chinelo, vassoura, ou mesmo de forma maciça, com o advento do inseticida, mas que se processa de forma algoz, por envenenamento, a morte vem lenta e dolorosa... não importa a forma, desde que seja morto, esmagado de forma definitiva, e ainda olhamos o resultado, sem se importar se sofreram ou não, se ainda estão agonizando ou não, e ainda dizemos, que nojo! Matei mais um, se pudesse matava todos que existem no mundo.
Do ponto de vista, de que são igualmente, criaturas criadas por Deus (por outro não seria), que diferença tem dos animais imolados no Candomblé? O mundo sacrifica animais diariamente.
Com a palavra nossos algozes.
Simbologia da utilização dos animais nos ebós
Em Ose meji, Iyami fez um acordo com o Ifa de entregar seus filhos e os pássaros, para salvação da humanidade, em Owonrin, os quadrupdes tornaram-se objetos de sacrifícios e em irete meji substituíram aos seres humanos pelos animais para serem sacrificados as divindades.
Os animais de maneira geral substituem vida à humana, (uma vida por outra), independentemente da virtude que possuem cada um: os mais habituais para ebó são:
Os galos: para vencer situações, para a mulher contrair matrimônio, porque o galo representa o macho, é uma ave de batalha persistente.
A galinha : para o mesmo caso precedente mas para os homens, a galinha representa a femea.
As pombas; para ter filhos, casa, dinheiro e casamento, tendo em conta a capacidade que estas tem de reproduzir-se e fazer os seus ninhos. Proteção, dado que a pomba voa acima de muitos perigos.
O coelho; para ter filhos tendo em conta a sua capacidade reprodutora e escapar do falecimento ou a justiça pela faculdade de fugir e dissimulação deste animal.
O cabrito a cabra, o carneiro ou carneira; para saúde, dado que substituem o ser humano.
A galinha d’angola e a codorna:
Para problemas judiciais dado a facilidade que ambas
tem de escapar de seus perseguidores.
O porco: Reprodução,finanças, desenvolvimento, prosperidade geral, saúde..
O pintinho; para a abertura de orun, durante o nascimento, as iniciações e os itutu.
O pato: neutralizar o inimigo, provocar a falta de memória e manter-se alerta
O igbin: para pacificar, é o único animal que não é hostil com nenhum outro, o seu movimento lento dá uma sensação de regulamento, conforto e tranquilidade.
O ajapa: longa vida, casa, filhos, segurança, potência viril, proteção..
O peixe:para nutrir o ori, atrair egum. Existem certos tipos de peixes, como por exemplo os peixes de lama e as sardinhas que têm uma grande vitalidade e uma capacidade de sobrevivência, mesmo sem água e do pargo que é o animal que faz a comunicação de ori com Olodumare.
O cão: sacrifícios diretos para fins saúde vitórias obtendo o favor do orisha ogun. Regulamento deste orisha.
O rato. Casamento, casa, dinheiro, gestação
Os lagartos; proteçao, das bruxarias malas.etc
O crocodilo: proteção geral, saúde, foi o único animal que Saponã, o Deus da varíola não pôde matar, etc...
oloje iku ike obarainan
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
OROGBO
Este é um fruto negro predileto de Egun e Sàngó, por ser um elemento de pura ligação com Ikú (a morte). Isto porque Sàngó é um dos maiores representante de Egun, fato latente no culto Yorubà e ignorado aqui no Brasil, onde dizem que Sàngó tem pavor a Egun isto acontece por falta de conhecerem quem na verdade é Sàngó.
Sàngó é tão quente quanto Egun e o orogbo é o melhor fruto para ser oferecido tanto no culto de egungun resultado da morte no culto a Sàngó associado à Ikú por sua capacidade de destruição através do raio. Os orogbo representam as pedras de raios no culto a Sàngó, já no culto a Egun representa os descendentes raciais ou familiares, por este fato está relacionado à morte.
O orogbo por ser um fruto quente totalmente relacionado Ikú, por isso é ofertado aos ancestrais, por este aspecto, quando um ser vivo parte orogbo e oferece juntamente com mel a seus ancestrais, representa uma comunhão do fisico com o espiritual, ou seja os seres vivos cultuam seus ancestrais partilhando o fruto.
Neste momento a morte é inteiramente representada pelo orogbo principalmente por sua casca negra, entra em harmonia com a vivacidade de Sàngó por ser um Òrìsá oriundo de Ikú (morte), ou seja, ele é um grande Egungun de inteira relação com todos os ancestrais cultuados na terra, onde todos vivem totalmente sob o domínio do grande Rei da terra (Òbàlúwàiyé). Muitos e muitos orogbos devem ser ofertados à Sàngó com mel, o qual è sua fruta predileta de principal relação com Ikú e egun. Fatos desconhecidos por muitos e ignorados por outros... Os principais òrìsás que também recebem oferta de orogbo é Esú, Ìyàmi-Òsòróngà, Ògún, Òbàlúwàiyé, Oyà, Òmólú, Iyémowo-Iyémònjá e Òòrisànlà-Òbátálà só recebem oferta de Orogbo sem a casca exibindo sua parte branca. Já no culto de Òsún o orogbo é inaceitável por sua relação com a morte, quando Òsún não suporta nenhum tipo de elemento com ligação a morte. Este fruto possui uma grande força ritualística, quando oferecimento num ritual deve ser sempre ofertado ao Òrìsá no mínimo dois orogbo, o mesmo acontece com qualquer outro fruto, isso porque em ritual nunca se deve oferecer um, e sim dois elementos.
São utilizados nos ritos de Orunmilá, Xango, Osain e outros aborós, indispensável em jogos divinatórios e na feitura de santo no sentido de alcançar a prosperidade. Utiliza-se também no preparo do abô, sasanha e da comida ritual especificamente nas oferendas de Airá.
oloje iku ike obarainan
OBI -
Ó Deus, venha comer noz-de-cola com a gente!
Entre os Ibos, povo do sudeste da Nigéria, a noz-de-cola tem um grande valor simbólico e religioso. Por isso, come-se noz-de-cola nos acontecimentos mais importantes da vida deste povo.As palavras de um ancião da aldeia Ibo, no sudeste da Nigéria, revela o significado da festa onde se come noz-de-cola: "A cola é um símbolo de unidade entre os homens e Deus. A noz-de-cola representa a vida, por isso, é oferecida na oração e nos ritos que celebram a alegria de viver, o amor, a paz, a mútua compreensão. Come-se a noz-de-cola quando nasce uma criança, quando se celebra um casamento, quando morre um parente, quando um novo chefe sobe ao poder, quando tribos se reconciliam depois de travar uma guerra, quando se sela uma nova amizade etc."
Os Ibos começam cada dia louvando a Deus e consumindo noz-de-cola. O ancião só dá o bom dia depois de uma pequena cerimônia familiar, o Ikpa nzu e iwa oji (salpicar com pó de gesso e partir as nozes-de-cola).
Toda a família se senta no chão. O ancião, igualmente sentado no solo, estende as pernas e coloca no centro o ofo (bastão sagrado, símbolo de unidade com os antepassados), algumas nozes, o gesso em pó e uma vasilha com água fresca. Parte as nozes e mastiga um pedaço. Depois, cospe uma parte dela sobre o ofo e outra para o ar, destinada aos espíritos invisíveis. Por fim, enxágua a boca e tira fora a água com força.
Terminado esse ritual, reza em voz alta: "Que o novo dia afaste o mal! Deus, venha comer noz- de-cola! Terra, venha comer noz-de-cola! Antepassados e espíritos, venham comer noz-de-cola! Fazei que aconteça o bem, nunca o mal! Quem tem noz- de-cola, tem vida! A minha vida é a vida da minha família."
A intercessão
Depois da invocação, e sempre em voz alta, o ancião faz uma oração de intercessão. Declara a sua inocência e pede proteção divina. Diz: "Deus, parta estas nozes por mim, porque eu não sei o que dizer. Deus, lhe peço, não me dê a morte, porque sou ainda uma criança. Que, onde quer que esteja uma criança, ela possa acordar cada manhã. O macaco salta para a frente, nunca para trás. Que por esta oração eu seja abençoado e também minha família".
Toda a família fica em silêncio, seguindo com atenção as palavras do chefe da família. Terminada a oração de intercessão, o ancião proclama uma série de exortações morais. Apela para a unidade, para a harmonia e para a convivência em paz: "Há alegria na vida, não na morte. Viva quem oferece noz-de-cola e quem a come! Deus, faça com que o meu inimigo conserve a vida: se não existisse, acaso eu lutaria com a erva? O meu inimigo é útil, porque quando discuto, posso aprender coisas novas!"
O ritual matutino termina com a invocação final. O ancião proclama-a com solenidade. Pede vida e saúde para todos os presentes, e de modo particular para si mesmo, que é o chefe da família. Nesta oração, faz alusão à prece da lagartixa, a qual pode viver sem cauda, mas não sem cabeça.
Comida em comum
A noz-de-cola tem um valor simbólico. É um fruto que deve ser comido sempre em comum. Essa refeição pode ser realizada numa família, onde todos se reúnem com os seus pais, ou pode ser feita por toda a aldeia, que se junta ao redor do ancião, para celebrar um acontecimento especial. Em qualquer dos casos, as nozes-de-cola são sempre distribuídas, partidas e partilhadas entre todos os presentes.
Essa refeição em comum é símbolo da comunhão de bens, da fraternidade e do respeito recíproco.
A noz-de-cola
A cola é um árvore da família das esterculiáceas, conhecidas na África ocidental por árvores de noz-de-cola. Suas folhas são ovais e persistentes. As flores são unissexuais ou poligâmicas, em forma de cálice. Os frutos são lenhosos e contêm de cinco a nove sementes, de sabor amargo, ricas em cafeína. São usadas como comida e também na medicina para despertar energias vitais.
Os ibos
O povo ibo é formado por aproximadamente três milhões de pessoas. Esta região é rica em cursos de água, como os rios Benue e Níger.
A terra é fértil. A vegetação florestal permite aos ibos cultivarem diferentes espécies de árvores, que são importantes para a sua alimentação e o seu comércio. Outra fonte de alimentação é a pesca, a caça, a criação de ovelhas, cabras e frangos. O ano solar tem duas estações: a das chuvas, que vai de maio a outubro, e a do tempo seco, de novembro a abril.
A noz de cola é o fruto do colateiro (cola acuminata) planta da família dos sterculiacées, tais como o cacau, de origem da África tropical e da América Latina.
A noz de cola é apreciada por seu gosto amargo e ardente e apreciada sobretudo por suas propriedades tônicas e adestringentes. Ela contém cafeína, é um bom estimulante nervoso e tônico para o coração. Ela tem a reputação de facilitar a digestão e ter propriedades afrodisíacas.
Ela constitui junto com o vinho de palma (e o galo) os presentes que são oferecidos aos”bakulu” (antepassados), nos casamentos e aos estrangeiros (os que visitam os membros do clã)
Distribui-se entre os convidados em todas as cerimônias como símbolo de boas vindas, símbolo de amizade ou para selar pactos de amizade ou promover a reconciliação. Distribui-se como um gesto de saudação com uma parte (da noz de cola) deslizando da palma da mão.
oloje iku ike obarainan
FAVAS
A fava simboliza o sol mineral, o embrião. Evoca o enxofre aprisionado na matéria.
As favas fazem parte dos frutos que compõem as oferendas rituais. Elas representam os filhos-homens esperados; numerosas tradições confirmam e explicam essa aproximação. Segundo Plínio, a fava era usada no culto dos mortos por acreditar-se que continha a alma dos mortos. As favas, na qualidade de símbolos dos mortos e de sua prosperidade, pertencem ao grupo dos Deuses protetores. No sacrifício que se costumava realizar na primavera, elas representavam a primeira dádiva vinda de baixo da terra, a primeria oferenda dos mortos aos vivos, o signo de sua fecundidade, ou seja de sua encarnação. E isso leva-nos a compreender as razões da proibição estabelecida por Orfeu e Pitágoras para os quais comer favas era o equivalente a comer a cabeça dos próprios pais, a partilhar do alimento dos mortos e, graças a isso, permanecer dentro do ciclo das reencarnações e sujeitar-se aos poderes da matéria. No entanto fora do âmbito dessa teoria, as favas constituem, ao contrário, o elemento essencial da comunhão como os Deuses, no ápice dos rituais.
Em resumo as favas são as primícias da terra, o símbolo de todas as benfeitorias proveniente dos Deuses que habitam debaixo da terra.
O "campo de favas" - denominação que os egípcios usavam com sentido simbólico, era o lugar onde os defuntos aguardavam a reencarnação. O que confirma a interpretação simbólica geral dessa leguminosa.
Dentro do cultos dos Voduns/Orixas/inkices e outros, a fava representa e confirma a ancestralidade dos Deuses.
Em nossos rituais, fazemos uso tanto da fava inteira como ralada, em forma de pó. O pó, assim como a cinza é comparado ao sêmen, ao pólen das flores, à posteridade.
Inversamente, por vezes é signo da morte.
Fazer uso da fava e do pó da fava representa perpetuarmos nossa ancestralidade, as primícias da terra e dos Deuses.
1 - FAVA DE ABRE-CAMINHO
2 - BEJERECUM
3 - FAVA DE EXÚ
4 - GARRA DE EXU
5 - FAVA DE OBALUAYE
6 - DANDA DA COSTA
7 - IKIN
8 - FAVA DE OGUM
9 - FAVA TONCA
10 - FAVA DE JATOBA
11 - OROBO
12 - FAVA DE XANGO - ALIBÉ
13 - PIXURIN
14 - AMENDOIM
15 - COCO DO DENDE
16 - NOZ NOSCADA
17 - ATARÉ
18 - FAVA DE IANSÃ
19 - ARIDAN
20 - FAVA DE OXALÁ
21 - FAVA ARIO
22 - FAVA DE OXUM
23 - FAVA DE AGUÉ
24 - FAVA CUMARU
25 - FAVA OFA
26 - LELECUN
27 - FAVA DE LOGUN
28 - FAVA DE OBALUAYE
29 - FAVA DE OSAIN
30 - FAVA DE OXOSSI
31 - FAVA DE KARITE
oloje iku ike obarainan
Este é um fruto negro predileto de Egun e Sàngó, por ser um elemento de pura ligação com Ikú (a morte). Isto porque Sàngó é um dos maiores representante de Egun, fato latente no culto Yorubà e ignorado aqui no Brasil, onde dizem que Sàngó tem pavor a Egun isto acontece por falta de conhecerem quem na verdade é Sàngó.
Sàngó é tão quente quanto Egun e o orogbo é o melhor fruto para ser oferecido tanto no culto de egungun resultado da morte no culto a Sàngó associado à Ikú por sua capacidade de destruição através do raio. Os orogbo representam as pedras de raios no culto a Sàngó, já no culto a Egun representa os descendentes raciais ou familiares, por este fato está relacionado à morte.
O orogbo por ser um fruto quente totalmente relacionado Ikú, por isso é ofertado aos ancestrais, por este aspecto, quando um ser vivo parte orogbo e oferece juntamente com mel a seus ancestrais, representa uma comunhão do fisico com o espiritual, ou seja os seres vivos cultuam seus ancestrais partilhando o fruto.
Neste momento a morte é inteiramente representada pelo orogbo principalmente por sua casca negra, entra em harmonia com a vivacidade de Sàngó por ser um Òrìsá oriundo de Ikú (morte), ou seja, ele é um grande Egungun de inteira relação com todos os ancestrais cultuados na terra, onde todos vivem totalmente sob o domínio do grande Rei da terra (Òbàlúwàiyé). Muitos e muitos orogbos devem ser ofertados à Sàngó com mel, o qual è sua fruta predileta de principal relação com Ikú e egun. Fatos desconhecidos por muitos e ignorados por outros... Os principais òrìsás que também recebem oferta de orogbo é Esú, Ìyàmi-Òsòróngà, Ògún, Òbàlúwàiyé, Oyà, Òmólú, Iyémowo-Iyémònjá e Òòrisànlà-Òbátálà só recebem oferta de Orogbo sem a casca exibindo sua parte branca. Já no culto de Òsún o orogbo é inaceitável por sua relação com a morte, quando Òsún não suporta nenhum tipo de elemento com ligação a morte. Este fruto possui uma grande força ritualística, quando oferecimento num ritual deve ser sempre ofertado ao Òrìsá no mínimo dois orogbo, o mesmo acontece com qualquer outro fruto, isso porque em ritual nunca se deve oferecer um, e sim dois elementos.
São utilizados nos ritos de Orunmilá, Xango, Osain e outros aborós, indispensável em jogos divinatórios e na feitura de santo no sentido de alcançar a prosperidade. Utiliza-se também no preparo do abô, sasanha e da comida ritual especificamente nas oferendas de Airá.
oloje iku ike obarainan
OBI -
Ó Deus, venha comer noz-de-cola com a gente!
Entre os Ibos, povo do sudeste da Nigéria, a noz-de-cola tem um grande valor simbólico e religioso. Por isso, come-se noz-de-cola nos acontecimentos mais importantes da vida deste povo.As palavras de um ancião da aldeia Ibo, no sudeste da Nigéria, revela o significado da festa onde se come noz-de-cola: "A cola é um símbolo de unidade entre os homens e Deus. A noz-de-cola representa a vida, por isso, é oferecida na oração e nos ritos que celebram a alegria de viver, o amor, a paz, a mútua compreensão. Come-se a noz-de-cola quando nasce uma criança, quando se celebra um casamento, quando morre um parente, quando um novo chefe sobe ao poder, quando tribos se reconciliam depois de travar uma guerra, quando se sela uma nova amizade etc."
Os Ibos começam cada dia louvando a Deus e consumindo noz-de-cola. O ancião só dá o bom dia depois de uma pequena cerimônia familiar, o Ikpa nzu e iwa oji (salpicar com pó de gesso e partir as nozes-de-cola).
Toda a família se senta no chão. O ancião, igualmente sentado no solo, estende as pernas e coloca no centro o ofo (bastão sagrado, símbolo de unidade com os antepassados), algumas nozes, o gesso em pó e uma vasilha com água fresca. Parte as nozes e mastiga um pedaço. Depois, cospe uma parte dela sobre o ofo e outra para o ar, destinada aos espíritos invisíveis. Por fim, enxágua a boca e tira fora a água com força.
Terminado esse ritual, reza em voz alta: "Que o novo dia afaste o mal! Deus, venha comer noz- de-cola! Terra, venha comer noz-de-cola! Antepassados e espíritos, venham comer noz-de-cola! Fazei que aconteça o bem, nunca o mal! Quem tem noz- de-cola, tem vida! A minha vida é a vida da minha família."
A intercessão
Depois da invocação, e sempre em voz alta, o ancião faz uma oração de intercessão. Declara a sua inocência e pede proteção divina. Diz: "Deus, parta estas nozes por mim, porque eu não sei o que dizer. Deus, lhe peço, não me dê a morte, porque sou ainda uma criança. Que, onde quer que esteja uma criança, ela possa acordar cada manhã. O macaco salta para a frente, nunca para trás. Que por esta oração eu seja abençoado e também minha família".
Toda a família fica em silêncio, seguindo com atenção as palavras do chefe da família. Terminada a oração de intercessão, o ancião proclama uma série de exortações morais. Apela para a unidade, para a harmonia e para a convivência em paz: "Há alegria na vida, não na morte. Viva quem oferece noz-de-cola e quem a come! Deus, faça com que o meu inimigo conserve a vida: se não existisse, acaso eu lutaria com a erva? O meu inimigo é útil, porque quando discuto, posso aprender coisas novas!"
O ritual matutino termina com a invocação final. O ancião proclama-a com solenidade. Pede vida e saúde para todos os presentes, e de modo particular para si mesmo, que é o chefe da família. Nesta oração, faz alusão à prece da lagartixa, a qual pode viver sem cauda, mas não sem cabeça.
Comida em comum
A noz-de-cola tem um valor simbólico. É um fruto que deve ser comido sempre em comum. Essa refeição pode ser realizada numa família, onde todos se reúnem com os seus pais, ou pode ser feita por toda a aldeia, que se junta ao redor do ancião, para celebrar um acontecimento especial. Em qualquer dos casos, as nozes-de-cola são sempre distribuídas, partidas e partilhadas entre todos os presentes.
Essa refeição em comum é símbolo da comunhão de bens, da fraternidade e do respeito recíproco.
A noz-de-cola
A cola é um árvore da família das esterculiáceas, conhecidas na África ocidental por árvores de noz-de-cola. Suas folhas são ovais e persistentes. As flores são unissexuais ou poligâmicas, em forma de cálice. Os frutos são lenhosos e contêm de cinco a nove sementes, de sabor amargo, ricas em cafeína. São usadas como comida e também na medicina para despertar energias vitais.
Os ibos
O povo ibo é formado por aproximadamente três milhões de pessoas. Esta região é rica em cursos de água, como os rios Benue e Níger.
A terra é fértil. A vegetação florestal permite aos ibos cultivarem diferentes espécies de árvores, que são importantes para a sua alimentação e o seu comércio. Outra fonte de alimentação é a pesca, a caça, a criação de ovelhas, cabras e frangos. O ano solar tem duas estações: a das chuvas, que vai de maio a outubro, e a do tempo seco, de novembro a abril.
A noz de cola é o fruto do colateiro (cola acuminata) planta da família dos sterculiacées, tais como o cacau, de origem da África tropical e da América Latina.
A noz de cola é apreciada por seu gosto amargo e ardente e apreciada sobretudo por suas propriedades tônicas e adestringentes. Ela contém cafeína, é um bom estimulante nervoso e tônico para o coração. Ela tem a reputação de facilitar a digestão e ter propriedades afrodisíacas.
Ela constitui junto com o vinho de palma (e o galo) os presentes que são oferecidos aos”bakulu” (antepassados), nos casamentos e aos estrangeiros (os que visitam os membros do clã)
Distribui-se entre os convidados em todas as cerimônias como símbolo de boas vindas, símbolo de amizade ou para selar pactos de amizade ou promover a reconciliação. Distribui-se como um gesto de saudação com uma parte (da noz de cola) deslizando da palma da mão.
oloje iku ike obarainan
FAVAS
A fava simboliza o sol mineral, o embrião. Evoca o enxofre aprisionado na matéria.
As favas fazem parte dos frutos que compõem as oferendas rituais. Elas representam os filhos-homens esperados; numerosas tradições confirmam e explicam essa aproximação. Segundo Plínio, a fava era usada no culto dos mortos por acreditar-se que continha a alma dos mortos. As favas, na qualidade de símbolos dos mortos e de sua prosperidade, pertencem ao grupo dos Deuses protetores. No sacrifício que se costumava realizar na primavera, elas representavam a primeira dádiva vinda de baixo da terra, a primeria oferenda dos mortos aos vivos, o signo de sua fecundidade, ou seja de sua encarnação. E isso leva-nos a compreender as razões da proibição estabelecida por Orfeu e Pitágoras para os quais comer favas era o equivalente a comer a cabeça dos próprios pais, a partilhar do alimento dos mortos e, graças a isso, permanecer dentro do ciclo das reencarnações e sujeitar-se aos poderes da matéria. No entanto fora do âmbito dessa teoria, as favas constituem, ao contrário, o elemento essencial da comunhão como os Deuses, no ápice dos rituais.
Em resumo as favas são as primícias da terra, o símbolo de todas as benfeitorias proveniente dos Deuses que habitam debaixo da terra.
O "campo de favas" - denominação que os egípcios usavam com sentido simbólico, era o lugar onde os defuntos aguardavam a reencarnação. O que confirma a interpretação simbólica geral dessa leguminosa.
Dentro do cultos dos Voduns/Orixas/inkices e outros, a fava representa e confirma a ancestralidade dos Deuses.
Em nossos rituais, fazemos uso tanto da fava inteira como ralada, em forma de pó. O pó, assim como a cinza é comparado ao sêmen, ao pólen das flores, à posteridade.
Inversamente, por vezes é signo da morte.
Fazer uso da fava e do pó da fava representa perpetuarmos nossa ancestralidade, as primícias da terra e dos Deuses.
1 - FAVA DE ABRE-CAMINHO
2 - BEJERECUM
3 - FAVA DE EXÚ
4 - GARRA DE EXU
5 - FAVA DE OBALUAYE
6 - DANDA DA COSTA
7 - IKIN
8 - FAVA DE OGUM
9 - FAVA TONCA
10 - FAVA DE JATOBA
11 - OROBO
12 - FAVA DE XANGO - ALIBÉ
13 - PIXURIN
14 - AMENDOIM
15 - COCO DO DENDE
16 - NOZ NOSCADA
17 - ATARÉ
18 - FAVA DE IANSÃ
19 - ARIDAN
20 - FAVA DE OXALÁ
21 - FAVA ARIO
22 - FAVA DE OXUM
23 - FAVA DE AGUÉ
24 - FAVA CUMARU
25 - FAVA OFA
26 - LELECUN
27 - FAVA DE LOGUN
28 - FAVA DE OBALUAYE
29 - FAVA DE OSAIN
30 - FAVA DE OXOSSI
31 - FAVA DE KARITE
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REQUISITOS PARA SE TORNA UMA (GAIAKU )JEJE-MAHI - ROÇA DO VENTURA
JEJE-MAHI
ROÇA DO VENTURA
Para se sentar na cadeira de Gayaku da Roça do Ventura tem que ser feita (iniciada) para o vodun Sógbó (sobô), ou Azonsú (lá Azansu) ou para Gbesen (Bé-sém), lembramos que no Ventura a Gayaku é termo dado aquelas que iniciaram pelo menos 1 filho para um vodum da família nagô (Ogun, Odë, Iyemoja, Osun,..., lá não se inicia Iyewa, nem Oba, nem Logunëdë)
Bem, a fundadora foi Ludovina Pessoa, que era iniciada de Ogun (um vodum nagô) obviamente ela não era iniciada de Azonsú, nem de Sógbó e nem de Gbesen, e obviamente não se sentou no trono, tendo-se aliado a Maria de Azonsú da família de Modubi (de José Maria de Belchior, originária do Terreiro do Pinho - Hunkpame Dahomé) da roça de cima para fundar a roça de baixo empossando uma de suas filhas (de Gbesen).
A lógica é que para sentar no trono de Gayaku tem que se iniciar lá um vodun nagô e ser iniciada para vodum propriamente dito, embora o conceito de vodum nagô varie dentro das ramificações do jeje. Por que isso? Isso porque Gbesen é o espírito da vida e assim sendo não compactua com nada que lembre a morte, daí o uso de sempre-vivas em preceitos como o gbo-etá (boitá), do beeko (quizila) com flores dignas de se cobrir defuntos, do não estabelecer casa de egun (asen), etc. como havia na roça de cima (de Modubi) etc.
Os mahis na realidade cultuam voduns que se relacionam diretamente com os orixás e deles tiveram origem de culto na África, e de sua região mahi. Assim comumente ouvimos sou de Sango de um filho de Sógbó e o mesmo de um filho de Aira (lembramos que sacerdotes do Benin afirmam que Sógbó é Sàngó).
Na roça de cima o termo gayaku herdado pelos modubis e pelos hoje, então, descendentes, designa aquela que é dirigente de um culto voltado aos voduns de nagô (um Nagô Vodum antigo), e não necessariamente a que inicia um vodum desta família, o título foi repassado com a criação da roça de baixo. Visto que Azonsu é termo próprio da família de Modubi.
Eguns e voduns que tiveram vida terrena como os reais do Dahomey não são cultuados em Mahi, todos os antepassados da casa são reverenciados (ja avalu) saudando-se e ofertando-se ao vodun Ayizan, sempre à frente da casa principal conforme Ajahuto o fez em Allada.
Os voduns mahis seguem conforme os orixás nagôs, são aqueles que de alguma forma morreram, seus corpos não foram encontrados, despareceram, subiram ao céu ou desceram pela terra, enfim se há sepultura (como a dos reis do Dahomey) não é cultuado como vodum Mahi.
oloje iku ike obarainan
Obs. Esse assunto é referente ao Jeje Mahi no Brasil e não no culto de voduns mahis no Benin onde reina Ainon (Sakpatá) o patrono . Atualmente vemos o maravilhoso e reedificado asen de Savalou em memória à ancestralidade real do Palácio de Savalou.
O Jeje Mahi de Cachoeira, Bahia e do Bogum de Salvador, Bahia (da mesma fundadora) tem como divindade principal Gbesen, que é do culto de Dàn de local próximo aqui no Brasil.
JEJE-MAHI
ROÇA DO VENTURA
Para se sentar na cadeira de Gayaku da Roça do Ventura tem que ser feita (iniciada) para o vodun Sógbó (sobô), ou Azonsú (lá Azansu) ou para Gbesen (Bé-sém), lembramos que no Ventura a Gayaku é termo dado aquelas que iniciaram pelo menos 1 filho para um vodum da família nagô (Ogun, Odë, Iyemoja, Osun,..., lá não se inicia Iyewa, nem Oba, nem Logunëdë)
Bem, a fundadora foi Ludovina Pessoa, que era iniciada de Ogun (um vodum nagô) obviamente ela não era iniciada de Azonsú, nem de Sógbó e nem de Gbesen, e obviamente não se sentou no trono, tendo-se aliado a Maria de Azonsú da família de Modubi (de José Maria de Belchior, originária do Terreiro do Pinho - Hunkpame Dahomé) da roça de cima para fundar a roça de baixo empossando uma de suas filhas (de Gbesen).
A lógica é que para sentar no trono de Gayaku tem que se iniciar lá um vodun nagô e ser iniciada para vodum propriamente dito, embora o conceito de vodum nagô varie dentro das ramificações do jeje. Por que isso? Isso porque Gbesen é o espírito da vida e assim sendo não compactua com nada que lembre a morte, daí o uso de sempre-vivas em preceitos como o gbo-etá (boitá), do beeko (quizila) com flores dignas de se cobrir defuntos, do não estabelecer casa de egun (asen), etc. como havia na roça de cima (de Modubi) etc.
Os mahis na realidade cultuam voduns que se relacionam diretamente com os orixás e deles tiveram origem de culto na África, e de sua região mahi. Assim comumente ouvimos sou de Sango de um filho de Sógbó e o mesmo de um filho de Aira (lembramos que sacerdotes do Benin afirmam que Sógbó é Sàngó).
Na roça de cima o termo gayaku herdado pelos modubis e pelos hoje, então, descendentes, designa aquela que é dirigente de um culto voltado aos voduns de nagô (um Nagô Vodum antigo), e não necessariamente a que inicia um vodum desta família, o título foi repassado com a criação da roça de baixo. Visto que Azonsu é termo próprio da família de Modubi.
Eguns e voduns que tiveram vida terrena como os reais do Dahomey não são cultuados em Mahi, todos os antepassados da casa são reverenciados (ja avalu) saudando-se e ofertando-se ao vodun Ayizan, sempre à frente da casa principal conforme Ajahuto o fez em Allada.
Os voduns mahis seguem conforme os orixás nagôs, são aqueles que de alguma forma morreram, seus corpos não foram encontrados, despareceram, subiram ao céu ou desceram pela terra, enfim se há sepultura (como a dos reis do Dahomey) não é cultuado como vodum Mahi.
oloje iku ike obarainan
Obs. Esse assunto é referente ao Jeje Mahi no Brasil e não no culto de voduns mahis no Benin onde reina Ainon (Sakpatá) o patrono . Atualmente vemos o maravilhoso e reedificado asen de Savalou em memória à ancestralidade real do Palácio de Savalou.
O Jeje Mahi de Cachoeira, Bahia e do Bogum de Salvador, Bahia (da mesma fundadora) tem como divindade principal Gbesen, que é do culto de Dàn de local próximo aqui no Brasil.
O QUE É SER UMA EKÉDI
Comumente, vemos pessoas do Santo, dizerem que Ekédi, não é um cargo alto dentro de uma casa de Candomblé. Estão enganados. Ser uma Ekédi é antes de tudo ser a eleita para cuidar dos Orixás da casa.
Este cargo é de muito valor dentro das “roças” de Santo, e seu nome varia conforme a nação em que a pessoa foi feita. No Jêje ela é conhecida como Ekédi, já no Kêtu são chamadas de Ajoié na Casa Branca e de Iyárobá no Gantois. Na Nação Angola conhecem-nas como Makota. O termo Ekédi tem sua origem na nação Jêje como disse, mas se popularizou em todas as casas de Candomblé do Brasil.
Dentro da hierarquia feminina do candomblé, este é o cargo mais conhecido, e muitas mulheres sentem ânsia em ter esse cargo, mas, somente as escolhidas podem ter acesso a este posto hierárquico. Elas não entram em transe, ou seja: não incorporam, mas nem por isso são menores que os rodantes, pois que, precisam estar acordadas para exercerem sua função.
Dentro de uma casa de Santo onde se tem axé, Ekédi é chamada de mãe e tem o respeito dos demais como tal, afinal ela assiste todos os rituais que nós rodantes muitas vezes não assistimos pelo fato de estarmos manifestados por nosso Orixá.
A importância de uma Ekédi é tanta, que a ela cabe o direito de dançar com o santo do zelador da casa, de enxugar seu rosto dentre muitas outras funções. É a Ekédi quem ajuda os Orixás a se vestirem, de cuidar das roupas de Santo e dos demais utensílios pertinentes a eles. Além de tudo isso, ela cuida dos pertences pessoais do Zelador da Casa.
Este cargo é de suma importância dentro do Candomblé, afinal são as Ekédis que conduzirão os Orixás manifestados em seus filhos. E quando chega o momento desses Seres voltarem para sua morada, são as Ekédis quem e os recolhem e os desviram, cuidando ainda das condições físicas daqueles que cederam seus corpos para que nossos Encantados pudessem vir ao Ayê, Terra.
Este cargo é, portanto, de uma grandiosidade incomparável dentro de uma casa de santo, mesmo porque, o babalorixá ou a yalorixá não dariam conta de atenderem a todos os requisitos dos Orixás, sem essas pessoas que são, seus verdadeiros Ministros.
A complexidade de uma casa de Santo é muito maior do se pensa, e os rituais exigem muito das pessoas, principalmente no pertencente ao esforço físico, para que tudo esteja sempre ao contento e assim, os Orixás estejam plenamente satisfeitos.
A Ekédi não é suspensa como o Ogã, ela é apresentada ao povo, e com sua cantiga própria,não podendo de forma alguma a mesma, ser usada para outra finalidade, e, quando seu Santo pede, ela então passa pelo processo de confirmação, dado que seu ritual de iniciação é diferente de todos os demais, mesmo dos Ogãs.
Durante todo o período de festividade de uma “roça” vemos as mães Ekédis, ocupadas, de um lado para outro, garantindo que tudo esteja ao agrado tanto da Divindade como do zelador da casa, pois nada pode dar errado, caso contrário à vida da pessoa que está passando pela obrigação poderá ter sérias complicações.
Mesmo seu vestuário se diferencia dos demais membros da casa. Em algumas casas como a Casa Branca, ela se veste com um vestido discreto e não de baiana, usa o fio de contas de seu Santo, e um pano da costa que geralmente é dobrado e posto no ombro. Nesta casa, ela também não tem o hábito de dançar no Xirê dos Orixás.
Já em outras casas, e podemos considerar na grande maioria, ela se veste de baiana, mas com um certo toque de requinte, diferenciando-se das Yawôs e dança as cantigas que são entoadas em homenagem aos Orixás, toca o Adjá, e participa de forma ativa de todos os rituais litúrgicos.
Porém, mesmo nas casas onde ela dança, se um Santo “virar”, ela imediatamente vai ao seu encontro, amparando e cuidando D’ele, para que se sinta amado e repeitado. Se não fossem as Ekédis, muita coisa nas casas de santo não poderiam ser feitas com a perfeição que são, porque até mesmo nas matanças, elas ali estão acudindo a todos, cuidando para que o Santo e o zelador estejam sempre amparados da melhor forma possível.
Devemos às Mães Ekédis, um respeito maior do que se imagina, pois que, da mesma forma que os Ogãs, elas têm um contato com nosso Orixá de uma forma que Jamais teremos, dado que estamos incorporados por eles. São elas que conseguem identificar até mesmo na forma de um Orixá pisar se ele está mesmo satisfeito, se está alegre ou aborrecido.
E, quando identificam um aborrecimento na Sagrada face de um Orixá, imediatamente tomam as medidas necessárias para que aquela Divindade sinta-se à vontade, alegre e feliz dentro daquela casa.
Alguns que não merecem os Orixás costumam levantar calúnias contra nossas mães e até mesmo as abordarem com assuntos mundanos. Enganam-se e muito, pois elas são mães de nossos santos e eles as amam tanto que farão sim, a justiça sempre que verem que elas estão sendo sub julgadas ou desrespeitadas.
Nada fazemos sem elas estarem presentes, pois que, nos acompanham em todos os rituais, desde os ebós do iniciado, até sua catulagem e matança. Em todos os seus atos de nascimento, elas ali estão, nos auxiliando e garantindo que tudo saia a contento daquele Orixá.
Então, para aqueles que insistem em desrespeitar uma Ekédi, saibam que por mais velhos que possamos ser, temos mesmo que trocar de benção com elas, afinal, não têm culpa do cargo que seu Orixá traz.
oloje iku ike obarainan
Comumente, vemos pessoas do Santo, dizerem que Ekédi, não é um cargo alto dentro de uma casa de Candomblé. Estão enganados. Ser uma Ekédi é antes de tudo ser a eleita para cuidar dos Orixás da casa.
Este cargo é de muito valor dentro das “roças” de Santo, e seu nome varia conforme a nação em que a pessoa foi feita. No Jêje ela é conhecida como Ekédi, já no Kêtu são chamadas de Ajoié na Casa Branca e de Iyárobá no Gantois. Na Nação Angola conhecem-nas como Makota. O termo Ekédi tem sua origem na nação Jêje como disse, mas se popularizou em todas as casas de Candomblé do Brasil.
Dentro da hierarquia feminina do candomblé, este é o cargo mais conhecido, e muitas mulheres sentem ânsia em ter esse cargo, mas, somente as escolhidas podem ter acesso a este posto hierárquico. Elas não entram em transe, ou seja: não incorporam, mas nem por isso são menores que os rodantes, pois que, precisam estar acordadas para exercerem sua função.
Dentro de uma casa de Santo onde se tem axé, Ekédi é chamada de mãe e tem o respeito dos demais como tal, afinal ela assiste todos os rituais que nós rodantes muitas vezes não assistimos pelo fato de estarmos manifestados por nosso Orixá.
A importância de uma Ekédi é tanta, que a ela cabe o direito de dançar com o santo do zelador da casa, de enxugar seu rosto dentre muitas outras funções. É a Ekédi quem ajuda os Orixás a se vestirem, de cuidar das roupas de Santo e dos demais utensílios pertinentes a eles. Além de tudo isso, ela cuida dos pertences pessoais do Zelador da Casa.
Este cargo é de suma importância dentro do Candomblé, afinal são as Ekédis que conduzirão os Orixás manifestados em seus filhos. E quando chega o momento desses Seres voltarem para sua morada, são as Ekédis quem e os recolhem e os desviram, cuidando ainda das condições físicas daqueles que cederam seus corpos para que nossos Encantados pudessem vir ao Ayê, Terra.
Este cargo é, portanto, de uma grandiosidade incomparável dentro de uma casa de santo, mesmo porque, o babalorixá ou a yalorixá não dariam conta de atenderem a todos os requisitos dos Orixás, sem essas pessoas que são, seus verdadeiros Ministros.
A complexidade de uma casa de Santo é muito maior do se pensa, e os rituais exigem muito das pessoas, principalmente no pertencente ao esforço físico, para que tudo esteja sempre ao contento e assim, os Orixás estejam plenamente satisfeitos.
A Ekédi não é suspensa como o Ogã, ela é apresentada ao povo, e com sua cantiga própria,não podendo de forma alguma a mesma, ser usada para outra finalidade, e, quando seu Santo pede, ela então passa pelo processo de confirmação, dado que seu ritual de iniciação é diferente de todos os demais, mesmo dos Ogãs.
Durante todo o período de festividade de uma “roça” vemos as mães Ekédis, ocupadas, de um lado para outro, garantindo que tudo esteja ao agrado tanto da Divindade como do zelador da casa, pois nada pode dar errado, caso contrário à vida da pessoa que está passando pela obrigação poderá ter sérias complicações.
Mesmo seu vestuário se diferencia dos demais membros da casa. Em algumas casas como a Casa Branca, ela se veste com um vestido discreto e não de baiana, usa o fio de contas de seu Santo, e um pano da costa que geralmente é dobrado e posto no ombro. Nesta casa, ela também não tem o hábito de dançar no Xirê dos Orixás.
Já em outras casas, e podemos considerar na grande maioria, ela se veste de baiana, mas com um certo toque de requinte, diferenciando-se das Yawôs e dança as cantigas que são entoadas em homenagem aos Orixás, toca o Adjá, e participa de forma ativa de todos os rituais litúrgicos.
Porém, mesmo nas casas onde ela dança, se um Santo “virar”, ela imediatamente vai ao seu encontro, amparando e cuidando D’ele, para que se sinta amado e repeitado. Se não fossem as Ekédis, muita coisa nas casas de santo não poderiam ser feitas com a perfeição que são, porque até mesmo nas matanças, elas ali estão acudindo a todos, cuidando para que o Santo e o zelador estejam sempre amparados da melhor forma possível.
Devemos às Mães Ekédis, um respeito maior do que se imagina, pois que, da mesma forma que os Ogãs, elas têm um contato com nosso Orixá de uma forma que Jamais teremos, dado que estamos incorporados por eles. São elas que conseguem identificar até mesmo na forma de um Orixá pisar se ele está mesmo satisfeito, se está alegre ou aborrecido.
E, quando identificam um aborrecimento na Sagrada face de um Orixá, imediatamente tomam as medidas necessárias para que aquela Divindade sinta-se à vontade, alegre e feliz dentro daquela casa.
Alguns que não merecem os Orixás costumam levantar calúnias contra nossas mães e até mesmo as abordarem com assuntos mundanos. Enganam-se e muito, pois elas são mães de nossos santos e eles as amam tanto que farão sim, a justiça sempre que verem que elas estão sendo sub julgadas ou desrespeitadas.
Nada fazemos sem elas estarem presentes, pois que, nos acompanham em todos os rituais, desde os ebós do iniciado, até sua catulagem e matança. Em todos os seus atos de nascimento, elas ali estão, nos auxiliando e garantindo que tudo saia a contento daquele Orixá.
Então, para aqueles que insistem em desrespeitar uma Ekédi, saibam que por mais velhos que possamos ser, temos mesmo que trocar de benção com elas, afinal, não têm culpa do cargo que seu Orixá traz.
oloje iku ike obarainan
ÌTÁN (LENDA) QUE FUNDAMENTA O ÒLÚBAJÉ
Sòngo era muito poderoso, além de explosivo, volúvel e voluntarioso.
Todos seus servos e esposas procuravam agradá-lo sempre, para não se verem expostos aos seus repentes de ira. Desejando fazer-lhe uma surpresa, suas mulheres oya, òsun e oba resolveram oferecer uma grande recepção, com tambores batá e muita comida, como ele
Gostava.
Os òrìsà foram convidados e, para que sòngo tivesse realmente uma surpresa, cada um traria a comida que preferisse para abrilhantar a festa. Chegou o grande dia, os deuses foram chegando e seus servos e esposas íam colocando balaios, gamelas e cabaças cheias de alimento nas esteiras do salão do palácio de òyó.
Sòngo ficou muito admirado e agradecido, mas antes de dar início à festa, perguntou por obalúwàiyé, ficaram todos desapontados, porque ninguém se lembrara de convidá-lo.
Imediatamente obàtálà, a pedido de sòngo, deu ordens para que se preparasse èpà (amendoim com muito molho de pimenta) e Èbà (mingau de farinha de mandioca e água), que cada òrìsà tomasse de novo seus pratos de oferendas e que rumassem para a terra de obalúwàiyé, que a festa seria então uma homenagem à ele.
Mas surgiu um problema. Como todos vinham reverenciar sòngo trazendo comidas, ele não teria alimento algum para carregar consigo e oferecer a obalúwàiyé. Era tarde para que ainda se ocupassem em cozinhar ilá (quiabo) ou sopa de gbegiri (massa de feijão fradinho).
Obàtálà resolveu facilmente a questão. Oya e òsun haviam preparado muito àkàrà (bolo de feijão fradinho com muita pimenta, frito no dendê), da preferência de ambas. Elas iriam partilhar com sòngo seus presentes para que ele não chegasse à casa de obalúwàiyé de mãos vazias.
E obàtálà disse ainda à oya que desse os àkàrà efetivamente para sòngo carregar e levasse a esteira mais grossa, mais bonita e mais nova que houvesse no palácio para que nela fosse colocada a comida. Foi um espanto geral! Sòngo, o grande rei, o poderoso que soltava fogo pela boca, carregando uma gamela de àkàrà na cabeça como uma mulher!
Ele encarou a coisa com muito bom humor e todos juntos, liderados por obàtálà, rodeado de servos que levavam milho branco cozido, de uma alvura incrível, seguiram serpenteando num grande cortejo pelo caminho, rumo às terras de obalúwàiyé.
À frente seguia èsù levando em sua cabeça tão somente um ìkódíde ( pena do pássaro odíde), e em seus braços muita carne de bode bem temperada, seguido de servos carregando com inúmeras cabaças de emu.
Chegando ao palácio real, chamaram obalúwàiyé, gritando: ilé gbí gbònòn ó! ( você que é a terra quente dos ancestrais!).
Obalúwàiyé surgiu, e ficou muito surpreso com a história que lhe contaram, de uma festa inesperada em sua honra. Disse então que na véspera, ojo awo, seus bàbáláwo haviam previsto exatamente o que estava acontecendo. E que ele era a terra, tendo se esquecido dele, haviam se esquecido da terra, e também dos seres humanos, dos quais a terra é matéria prima. Sugeriu então que a esteira fosse colocada no chão da praça da aldeia, e que todos seus habitantes fossem convidados a compartilhar do banquete, sem exclusão.
Oya não cedeu a ninguém a honra de carregar e estender a esteira, e por isso recebeu de obàtálà, o pai velho e sábio, o oyè (cargo) de ìyálení (a mãe que carrega a esteira). Todos comeram e beberam com fartura, dançaram e cantaram em louvor a obalúwàiyé e sua família, recitaram oríkì (versos de louvação) sobre seus feitos e de seus familiares.
Sòngo era o mais alegre, o que se movia mais majestosamente na dança do òpáníjé (a terra que recebe os mortos e os devora – mata e come). Tudo isso por que seu irmão dileto sonpònòn (varíola), cujo nome era perigoso de ser falado, o que só era chamado pelos nomes de louvação omolu (filho de deus), obalúwàiyé (rei do planeta terra), jeholu (senhor das pérolas) e tantos outros, compreendera o esquecimento dos òrìsà e não ficara bravo.
Assim as árvores dariam frutos, os animais se reproduziriam e as mulheres teriam filhos.
Os homens Valentes voltariam da guerra vitoriosos e juntos louvariam olódùmarè, o deus criador que vivia isolado no òrun, ao findar o dia, obalúwàiyé propôs que todos os anos, no período das chuvas leves, quando a terra se abrisse para deixar sair seus frutos, essa confraternização se repetisse.
Enquanto òrìsà habitar ìlú àiyé (o planeta terra), vivendo nos templos, no okàn (coração) e no orí (cabeça) dos seres humanos, haverá o festival do olúgbàje (o deus abençoa os alimentos), em louvor à terra que dá as comidas de homens e de òrìsà.sòngo resolveu então que, não tendo oferecido ilá e sim àkàrà no primeiro olúgbàje, assim faria sempre. E todos cantam até hoje:
A! E! Olúgbàje, olúgbàje a je n'bo. A! E! Olúgbàje,
Olúgbàje a je n'bo.
O deus abençoa as comidas. O deus abençoa as comidas, vamos Louvar o alimento.
"Atótóo omolú obalúwàiyé omo òrìsá ale
Bàbá soroso egúngún olá òrìsà
Sonpònòn kò si kú kò si àrùn."
(silêncio em louvor a omolú obalúwàiyé, filho do òrìsà cultuado em ale, pai magro e alto, ancestral da riqueza, que não haja morte, que não haja doença).
Asé! Asé! Asé!
oloje iku ike obarainan
Sòngo era muito poderoso, além de explosivo, volúvel e voluntarioso.
Todos seus servos e esposas procuravam agradá-lo sempre, para não se verem expostos aos seus repentes de ira. Desejando fazer-lhe uma surpresa, suas mulheres oya, òsun e oba resolveram oferecer uma grande recepção, com tambores batá e muita comida, como ele
Gostava.
Os òrìsà foram convidados e, para que sòngo tivesse realmente uma surpresa, cada um traria a comida que preferisse para abrilhantar a festa. Chegou o grande dia, os deuses foram chegando e seus servos e esposas íam colocando balaios, gamelas e cabaças cheias de alimento nas esteiras do salão do palácio de òyó.
Sòngo ficou muito admirado e agradecido, mas antes de dar início à festa, perguntou por obalúwàiyé, ficaram todos desapontados, porque ninguém se lembrara de convidá-lo.
Imediatamente obàtálà, a pedido de sòngo, deu ordens para que se preparasse èpà (amendoim com muito molho de pimenta) e Èbà (mingau de farinha de mandioca e água), que cada òrìsà tomasse de novo seus pratos de oferendas e que rumassem para a terra de obalúwàiyé, que a festa seria então uma homenagem à ele.
Mas surgiu um problema. Como todos vinham reverenciar sòngo trazendo comidas, ele não teria alimento algum para carregar consigo e oferecer a obalúwàiyé. Era tarde para que ainda se ocupassem em cozinhar ilá (quiabo) ou sopa de gbegiri (massa de feijão fradinho).
Obàtálà resolveu facilmente a questão. Oya e òsun haviam preparado muito àkàrà (bolo de feijão fradinho com muita pimenta, frito no dendê), da preferência de ambas. Elas iriam partilhar com sòngo seus presentes para que ele não chegasse à casa de obalúwàiyé de mãos vazias.
E obàtálà disse ainda à oya que desse os àkàrà efetivamente para sòngo carregar e levasse a esteira mais grossa, mais bonita e mais nova que houvesse no palácio para que nela fosse colocada a comida. Foi um espanto geral! Sòngo, o grande rei, o poderoso que soltava fogo pela boca, carregando uma gamela de àkàrà na cabeça como uma mulher!
Ele encarou a coisa com muito bom humor e todos juntos, liderados por obàtálà, rodeado de servos que levavam milho branco cozido, de uma alvura incrível, seguiram serpenteando num grande cortejo pelo caminho, rumo às terras de obalúwàiyé.
À frente seguia èsù levando em sua cabeça tão somente um ìkódíde ( pena do pássaro odíde), e em seus braços muita carne de bode bem temperada, seguido de servos carregando com inúmeras cabaças de emu.
Chegando ao palácio real, chamaram obalúwàiyé, gritando: ilé gbí gbònòn ó! ( você que é a terra quente dos ancestrais!).
Obalúwàiyé surgiu, e ficou muito surpreso com a história que lhe contaram, de uma festa inesperada em sua honra. Disse então que na véspera, ojo awo, seus bàbáláwo haviam previsto exatamente o que estava acontecendo. E que ele era a terra, tendo se esquecido dele, haviam se esquecido da terra, e também dos seres humanos, dos quais a terra é matéria prima. Sugeriu então que a esteira fosse colocada no chão da praça da aldeia, e que todos seus habitantes fossem convidados a compartilhar do banquete, sem exclusão.
Oya não cedeu a ninguém a honra de carregar e estender a esteira, e por isso recebeu de obàtálà, o pai velho e sábio, o oyè (cargo) de ìyálení (a mãe que carrega a esteira). Todos comeram e beberam com fartura, dançaram e cantaram em louvor a obalúwàiyé e sua família, recitaram oríkì (versos de louvação) sobre seus feitos e de seus familiares.
Sòngo era o mais alegre, o que se movia mais majestosamente na dança do òpáníjé (a terra que recebe os mortos e os devora – mata e come). Tudo isso por que seu irmão dileto sonpònòn (varíola), cujo nome era perigoso de ser falado, o que só era chamado pelos nomes de louvação omolu (filho de deus), obalúwàiyé (rei do planeta terra), jeholu (senhor das pérolas) e tantos outros, compreendera o esquecimento dos òrìsà e não ficara bravo.
Assim as árvores dariam frutos, os animais se reproduziriam e as mulheres teriam filhos.
Os homens Valentes voltariam da guerra vitoriosos e juntos louvariam olódùmarè, o deus criador que vivia isolado no òrun, ao findar o dia, obalúwàiyé propôs que todos os anos, no período das chuvas leves, quando a terra se abrisse para deixar sair seus frutos, essa confraternização se repetisse.
Enquanto òrìsà habitar ìlú àiyé (o planeta terra), vivendo nos templos, no okàn (coração) e no orí (cabeça) dos seres humanos, haverá o festival do olúgbàje (o deus abençoa os alimentos), em louvor à terra que dá as comidas de homens e de òrìsà.sòngo resolveu então que, não tendo oferecido ilá e sim àkàrà no primeiro olúgbàje, assim faria sempre. E todos cantam até hoje:
A! E! Olúgbàje, olúgbàje a je n'bo. A! E! Olúgbàje,
Olúgbàje a je n'bo.
O deus abençoa as comidas. O deus abençoa as comidas, vamos Louvar o alimento.
"Atótóo omolú obalúwàiyé omo òrìsá ale
Bàbá soroso egúngún olá òrìsà
Sonpònòn kò si kú kò si àrùn."
(silêncio em louvor a omolú obalúwàiyé, filho do òrìsà cultuado em ale, pai magro e alto, ancestral da riqueza, que não haja morte, que não haja doença).
Asé! Asé! Asé!
oloje iku ike obarainan
Oòsà Ojà & Aje Sàlugá
A palavra Ajè pode ser traduzida como Progresso para você, Sucesso para você e Que aquilo que você espera de seu trabalho se concretize.
Ajè Ògúgúlùsò significa:
Ajè Senhora da morada da sorte e das realizações do homem, Senhora do paraíso da riqueza.
Ajè é um òrìsà paciente, próspero, fértil, longevo, sábio, harmonioso, generoso, tolerante, justo e protetor da riqueza do homem (em todos os sentidos), atraindo dinheiro a quem a cultua.
Protetora do progresso defende as pessoas da inveja e de forças invisíveis que impeçam seu desenvolvimento econômico. Favorece o uso sábio do dinheiro e protege as pessoas de receberem “mau dinheiro”, advindo de pagamentos realizados de má vontade ou com raiva.
No Odù Ifá (Odi méjì) ele está nos dizendo sobre Odi fazer amor com a Chefe das mulheres do mercado que é um Òrìsá chamado Oòsà Ojà, que está ligada a divindade Ajè Sàlugá (omo Olókun Sèníadé), esta divindade é um Òrìsá funfun, fala sobre dinheiro e riqueza, o ìgbà deste Òrìsá – Oòsà Ojà – geralmente está localizado no centro do mercado coberto com pano branco, o chefe ou líder de cada mercado é uma mulher cujo titulo é Ìyá lojá ou Ìyá lajé, todos os mercados são geralmente governados por Aje Sàlugá como a divindade que rege o mercado.
Òrìsá Oya detém uma posição importante no grande mercado é muito popular em Òyó até os dias de hoje com base na posição que ocupou no antigo e histórico mercado de Òyó em Koso.
Temos vários versos de Ifá, que dão referência a Oòsà Ojà e Aje Sàlugá como indicado abaixo:
Odi Méjì diz:
Depois de desfrutar e fazer amor com Oòsà ojà,
Outros também queriam fazer amor com ela,
Quando todos ficaram contentes,
Eles começaram a cantar,
Dizendo Oòsà ojà não nos deixar ir,
Doce mel não nos permita deixar o mercado,
Doce mel, (insinuando para a tentação de permanecer no mercado ou se sentindo obrigado a ficar e possivelmente gastar mais dinheiro do que o esperado).
Em algumas cidades onde o culto desta divindade é maior, todas as jovens vão ao mercado, como parte dos ritos de passagem para mulheres jovens, esta é a divindade primordial que tem os rituais realizados, ela simboliza a riqueza, a prosperidade e a fertilidade da mulher.
Ajè se sente (defecar) em minha cabeça (me abençoe com dinheiro, quando se anda na rua e um pombo defeca em você dizemos que é uma bênção de dinheiro),
Quem toca Ajè se torna ‘humano’ (fértil).
Aje dormiu na minha cabeça, quem toca Ajè (recebe bênçãos) age como uma criança (alegria de “ganhar na loteria”).
Ajè eleve-me como um rei (me dê dinheiro / filhos, me faça uma pessoa importante na vida).
J.K. Olupona
Aqui está outro exemplo de como Oòsà Ojà é mencionada em Ifá, quando se fala sobre uma pessoa que está tentando receber uma bênção e foi a tantas divindades pedir apoio e fez muitas ofertas sem resultado e as oferta não foram aceitas.
Ele disse que não sabia que o pai deles é o Egungun da própria casa.
Ele disse que conhecia a mãe que é a deusa do mercado (Oòsà Ojà).
Orí disse que não sabia que ela era a cabeça (Chefe) deles.
E que Ilé é a terra (outra divindade).
Ele não sabia que ele era chamado Olúbòbò-tiribò.
Bàbá ebo (outra divindade mencionada mais a frente).
Mais uma vez, isso nos dá o exemplo de que Ajè Sàlugá governa sobre a maior parte das coisas que gostamos na vida, a saber, as coisas que ela representa (o dinheiro, os filhos e a fertilidade na mulher).
O rei que reside no interior do profundo e majestoso esplendor é o nome de Olókun Sèníadé (portador da coroa mais antiga).
O rei de todo o prazer é o nome de Ajè Sàlugá.
Òsé Gobi, Gobi Ìwòrì adivinhava para Ajè Sàlugá.
O primeiro nasceu de Elépo (pai).
Este último exemplo de Ajè Sàlugá mostra a sua conexão com o mercado ao ar livre, conhecido como um local de encontro e com muito movimento e fluidez, até hoje o mercado é um indicador chave para a economia local.
Esse versículo mostra como essa troca de bens por dinheiro (que às vezes nem sempre é rentável) no final acaba colhendo benefícios.
Odù Ifá Eji Ogbè diz:
A Terra é negra e sempre será negra.
O solo é escuro e sempre escuro.
Torrentes são sempre muito tempestuosas.
Estes foram os nomes do Áwo que adivinhavam para Ajè Sàlugá (a riqueza)
Que é incerto como o oceano.
Os mesmos adivinhos lançaram Ifá para Obìnrín (natureza feminina)
Que é inconstante como o mar.
O mesmo foi declarado para omo (descendência).
Firmes no apoio como pedras no leito do rio.
Eles disseram:
Riqueza pode ir e vir
O mesmo acontecerá com as mulheres.
Mas filhos continuam a linhagem para a continuidade da terra (Olóye Agbolá)
Por Áwo Faloju
Uma de suas lendas a tem como filha de Aládi, uma das esposas de Olókun (em território nigeriano Olókun tem dupla sexualidade, uma vez, reconhecido como energia masculina e outra energia feminina, isto depende da região).
Ajè Sàlugá ou Anabi como é conhecida pelos próprios muçulmanos nigerianos (que consultam Ifá e fazem ebo de prosperidade no inicio do ano novo yorùbá), é uma divindade muito cultuada entre o povo yorùbá, pois se trata de um òrìsá que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade aquele que a trata. Ajè é um òrìsá feminino, considerada irmã mais nova de Yemoja, teve seu culto iniciado quando um dos itan de Ifá foi revelado.
Neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam.
Havia uma menina muito feia que diziam ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.
Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes Ifá como sempre muito generoso, a aceita dentro de sua casa e deu a ela o pouco do que tinha para comer e um lugar para descansar.
Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar. Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tigela e estendeu a frente da menina, mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá: Em minha casa estou acostumada a vomitar em um quarto.
Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, branca, de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou:
“Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje eles estão revelados!”
Este homem disposto a servi-la, colocou-lhe o nome de Ajè Sàlugá. Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Ajè havia dado a Ifá e todos queriam recebê-la em suas casas.
Ajè tem seu igbá arrumado de forma individual, não podendo ter finalidade de Ojugbó, é pessoal e intransferível.
Conchas, caracóis e outros apetrechos são os instrumentos sacralizados que fazem parte de seu igbá.
oloje iku ike obarainan
A palavra Ajè pode ser traduzida como Progresso para você, Sucesso para você e Que aquilo que você espera de seu trabalho se concretize.
Ajè Ògúgúlùsò significa:
Ajè Senhora da morada da sorte e das realizações do homem, Senhora do paraíso da riqueza.
Ajè é um òrìsà paciente, próspero, fértil, longevo, sábio, harmonioso, generoso, tolerante, justo e protetor da riqueza do homem (em todos os sentidos), atraindo dinheiro a quem a cultua.
Protetora do progresso defende as pessoas da inveja e de forças invisíveis que impeçam seu desenvolvimento econômico. Favorece o uso sábio do dinheiro e protege as pessoas de receberem “mau dinheiro”, advindo de pagamentos realizados de má vontade ou com raiva.
No Odù Ifá (Odi méjì) ele está nos dizendo sobre Odi fazer amor com a Chefe das mulheres do mercado que é um Òrìsá chamado Oòsà Ojà, que está ligada a divindade Ajè Sàlugá (omo Olókun Sèníadé), esta divindade é um Òrìsá funfun, fala sobre dinheiro e riqueza, o ìgbà deste Òrìsá – Oòsà Ojà – geralmente está localizado no centro do mercado coberto com pano branco, o chefe ou líder de cada mercado é uma mulher cujo titulo é Ìyá lojá ou Ìyá lajé, todos os mercados são geralmente governados por Aje Sàlugá como a divindade que rege o mercado.
Òrìsá Oya detém uma posição importante no grande mercado é muito popular em Òyó até os dias de hoje com base na posição que ocupou no antigo e histórico mercado de Òyó em Koso.
Temos vários versos de Ifá, que dão referência a Oòsà Ojà e Aje Sàlugá como indicado abaixo:
Odi Méjì diz:
Depois de desfrutar e fazer amor com Oòsà ojà,
Outros também queriam fazer amor com ela,
Quando todos ficaram contentes,
Eles começaram a cantar,
Dizendo Oòsà ojà não nos deixar ir,
Doce mel não nos permita deixar o mercado,
Doce mel, (insinuando para a tentação de permanecer no mercado ou se sentindo obrigado a ficar e possivelmente gastar mais dinheiro do que o esperado).
Em algumas cidades onde o culto desta divindade é maior, todas as jovens vão ao mercado, como parte dos ritos de passagem para mulheres jovens, esta é a divindade primordial que tem os rituais realizados, ela simboliza a riqueza, a prosperidade e a fertilidade da mulher.
Ajè se sente (defecar) em minha cabeça (me abençoe com dinheiro, quando se anda na rua e um pombo defeca em você dizemos que é uma bênção de dinheiro),
Quem toca Ajè se torna ‘humano’ (fértil).
Aje dormiu na minha cabeça, quem toca Ajè (recebe bênçãos) age como uma criança (alegria de “ganhar na loteria”).
Ajè eleve-me como um rei (me dê dinheiro / filhos, me faça uma pessoa importante na vida).
J.K. Olupona
Aqui está outro exemplo de como Oòsà Ojà é mencionada em Ifá, quando se fala sobre uma pessoa que está tentando receber uma bênção e foi a tantas divindades pedir apoio e fez muitas ofertas sem resultado e as oferta não foram aceitas.
Ele disse que não sabia que o pai deles é o Egungun da própria casa.
Ele disse que conhecia a mãe que é a deusa do mercado (Oòsà Ojà).
Orí disse que não sabia que ela era a cabeça (Chefe) deles.
E que Ilé é a terra (outra divindade).
Ele não sabia que ele era chamado Olúbòbò-tiribò.
Bàbá ebo (outra divindade mencionada mais a frente).
Mais uma vez, isso nos dá o exemplo de que Ajè Sàlugá governa sobre a maior parte das coisas que gostamos na vida, a saber, as coisas que ela representa (o dinheiro, os filhos e a fertilidade na mulher).
O rei que reside no interior do profundo e majestoso esplendor é o nome de Olókun Sèníadé (portador da coroa mais antiga).
O rei de todo o prazer é o nome de Ajè Sàlugá.
Òsé Gobi, Gobi Ìwòrì adivinhava para Ajè Sàlugá.
O primeiro nasceu de Elépo (pai).
Este último exemplo de Ajè Sàlugá mostra a sua conexão com o mercado ao ar livre, conhecido como um local de encontro e com muito movimento e fluidez, até hoje o mercado é um indicador chave para a economia local.
Esse versículo mostra como essa troca de bens por dinheiro (que às vezes nem sempre é rentável) no final acaba colhendo benefícios.
Odù Ifá Eji Ogbè diz:
A Terra é negra e sempre será negra.
O solo é escuro e sempre escuro.
Torrentes são sempre muito tempestuosas.
Estes foram os nomes do Áwo que adivinhavam para Ajè Sàlugá (a riqueza)
Que é incerto como o oceano.
Os mesmos adivinhos lançaram Ifá para Obìnrín (natureza feminina)
Que é inconstante como o mar.
O mesmo foi declarado para omo (descendência).
Firmes no apoio como pedras no leito do rio.
Eles disseram:
Riqueza pode ir e vir
O mesmo acontecerá com as mulheres.
Mas filhos continuam a linhagem para a continuidade da terra (Olóye Agbolá)
Por Áwo Faloju
Uma de suas lendas a tem como filha de Aládi, uma das esposas de Olókun (em território nigeriano Olókun tem dupla sexualidade, uma vez, reconhecido como energia masculina e outra energia feminina, isto depende da região).
Ajè Sàlugá ou Anabi como é conhecida pelos próprios muçulmanos nigerianos (que consultam Ifá e fazem ebo de prosperidade no inicio do ano novo yorùbá), é uma divindade muito cultuada entre o povo yorùbá, pois se trata de um òrìsá que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade aquele que a trata. Ajè é um òrìsá feminino, considerada irmã mais nova de Yemoja, teve seu culto iniciado quando um dos itan de Ifá foi revelado.
Neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam.
Havia uma menina muito feia que diziam ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.
Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes Ifá como sempre muito generoso, a aceita dentro de sua casa e deu a ela o pouco do que tinha para comer e um lugar para descansar.
Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar. Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tigela e estendeu a frente da menina, mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá: Em minha casa estou acostumada a vomitar em um quarto.
Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, branca, de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou:
“Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje eles estão revelados!”
Este homem disposto a servi-la, colocou-lhe o nome de Ajè Sàlugá. Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Ajè havia dado a Ifá e todos queriam recebê-la em suas casas.
Ajè tem seu igbá arrumado de forma individual, não podendo ter finalidade de Ojugbó, é pessoal e intransferível.
Conchas, caracóis e outros apetrechos são os instrumentos sacralizados que fazem parte de seu igbá.
oloje iku ike obarainan
Egúngún e Ésá – Espíritos Ancestrais
O espírito de um antepassado pode ser invocado a fim de assumir a forma material, aparecendo sozinho e falando, trazendo bênçãos e orientações aos que assim desejam. Nessa forma recebem o nome de Egúngún – “Mascarados”.
Para preservar a sua condição de Ará Órun – “habitante do Órun”- o espírito apresenta-se completamente envolvido numa vestimenta denominada agò, feita de panos de diversas cores; abalá – tiras coloridas; bànté e ópá – costurados em conjunto de tal forma que o cobre da cabeça aos pés, mas não ocultando as suas características físicas principais. Daí o nome “mascarado”.
Ele somente vê através de um buraco no tecido, à altura dos olhos e coberto com uma rede denominada Kàfó, mas que esconde a sua identidade. Ninguém, excepto algumas pessoas autorizadas – Òjè – pode chegar perto e tocá-lo. Na sua comunicação usa de uma voz ardente e grossa, séègì e sempre em linguagem ritual devidamente traduzida pelos Òjé, que se utilizam de uma vareta de madeira denominada ìsan, extraída da árvore Àtórí ou das nervuras do Igi ope, (dendezeiro).
A palavra Egúngún significa, exactamente, mascarado, sendo costume usar a forma Egun, que significa: osso, esqueleto.
No Brasil, o culto tem o seu sacerdote mais elevado, o Aláàpinri, que em terras yorubá, deve ser um homem monórquido, ou seja, com um só testículo. Esses Egúngún são relacionados com os orixás e nas suas representações públicas, usam os símbolos dos próprios Orixás para evidenciar a sua identidade: Bàbá Agbóulá; Àjímúdá ou Yánsàn. A palavra Babá aí utilizada para definir os Egúngún revela uma forma respeitosa à ancestralidade, aí revivida através da sua manifestação.
Nos ritos religiosos do Candomblé, todas as vezes em que se reverenciam os Orixás uma parte das cerimónias é destinada aos ancestrais da comunidade, nas dependências. São conhecidos como Ésà e são representados pelos títulos que possuíam: Ésà Asika, Ésà Obitiko (Bámgbósé), Ésà Oburo (Oba Sàniyà), Ésà ajadi, Ésà Adiro, Ésà Akésan e Ésà Akáyodé.
oloje iku ike obarainan
O espírito de um antepassado pode ser invocado a fim de assumir a forma material, aparecendo sozinho e falando, trazendo bênçãos e orientações aos que assim desejam. Nessa forma recebem o nome de Egúngún – “Mascarados”.
Para preservar a sua condição de Ará Órun – “habitante do Órun”- o espírito apresenta-se completamente envolvido numa vestimenta denominada agò, feita de panos de diversas cores; abalá – tiras coloridas; bànté e ópá – costurados em conjunto de tal forma que o cobre da cabeça aos pés, mas não ocultando as suas características físicas principais. Daí o nome “mascarado”.
Ele somente vê através de um buraco no tecido, à altura dos olhos e coberto com uma rede denominada Kàfó, mas que esconde a sua identidade. Ninguém, excepto algumas pessoas autorizadas – Òjè – pode chegar perto e tocá-lo. Na sua comunicação usa de uma voz ardente e grossa, séègì e sempre em linguagem ritual devidamente traduzida pelos Òjé, que se utilizam de uma vareta de madeira denominada ìsan, extraída da árvore Àtórí ou das nervuras do Igi ope, (dendezeiro).
A palavra Egúngún significa, exactamente, mascarado, sendo costume usar a forma Egun, que significa: osso, esqueleto.
No Brasil, o culto tem o seu sacerdote mais elevado, o Aláàpinri, que em terras yorubá, deve ser um homem monórquido, ou seja, com um só testículo. Esses Egúngún são relacionados com os orixás e nas suas representações públicas, usam os símbolos dos próprios Orixás para evidenciar a sua identidade: Bàbá Agbóulá; Àjímúdá ou Yánsàn. A palavra Babá aí utilizada para definir os Egúngún revela uma forma respeitosa à ancestralidade, aí revivida através da sua manifestação.
Nos ritos religiosos do Candomblé, todas as vezes em que se reverenciam os Orixás uma parte das cerimónias é destinada aos ancestrais da comunidade, nas dependências. São conhecidos como Ésà e são representados pelos títulos que possuíam: Ésà Asika, Ésà Obitiko (Bámgbósé), Ésà Oburo (Oba Sàniyà), Ésà ajadi, Ésà Adiro, Ésà Akésan e Ésà Akáyodé.
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