sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Koori – Aawon – Jewesun

Aawon - Òrìsá caçador cuida das folhas, dos jovens / crianças e Koori Konkoto a esposa do caçador e Òrìsá Olórì akewe – chefe dos jovens.

Não são òrìsà encontrados em uma aldeia, de modo que ele / ela podem ser facilmente encontrados na floresta.
Itan Koori.

Àgan-o-ríbi (àgan = mulher madura; o-Ribi = sem filhos, estéril) foi uma mulher que queria desesperadamente um filho.

Ela foi ao Bàbáláwo para consultar Ifá, ele sugeriu que ela ficaria melhor se não tivesse filhos.

Ela insistiu e ele recomendou um programa de ebo e outros rituais.

Foi longo, mas ela fez tudo.

Eventualmente, ela teve um filho, mas ele tinha uma ponta na cabeça.

Quando ele cresceu, ela também descobriu que ele era mudo.
Ela manteve-o dentro de casa e escondeu-o para mantê-lo seguro.

Quando ele se tornou uma criança de 5 anos.

Ela foi para o mercado um dia depois de dizer-lhe para não sair de casa.

Ele observou as crianças da vizinhança brincando por um tempo, depois saiu para se juntar a eles.

As crianças o receberam e tocaram nele, ele parecia estranho e como era mudo não falava.

Quando Agan-o-ribi chegou a casa na volta do mercado, ela ficou horrorizada.

Ela o trouxe de volta para casa e supôs que seria o fim dela. Errado.

Logo as crianças do bairro ficaram em frente de sua casa chamando seu filho de:

”O menino com o chifre na cabeça” para vir brincar com eles.

Os pais começaram a olhar para ele.

Seu baba disse-lhe que a única maneira de mantê-lo seguro seria deixá-lo na floresta.

Ela assim o fez.

Agan-o-ribi visitou-o tantas vezes quanto podia sempre sozinha.

Um dia, ela não pôde encontrá-lo.

Ela nunca deixou de procura-lo.

Os espíritos da floresta estavam cuidando dele.

Um dia um caçador o encontrou.

Aawon, o caçador, perguntou como ele passou a viver no mato.

Ele descobriu que a criança não falava ou não podia falar.

Aawon levou a criança para a cidade e o nomeou Jewesun (pessoa que come folhas no jantar).

Ele era uma criança boa, que conhecia os segredos da floresta, animais e pássaros. A esposa de Aawon, Koori, cuidou dele.

Koori também era estéril.

Ela foi até o Bàbáláwo e este lhe disse que ela precisaria fazer sexo com uma pessoa muito jovem para ter filhos.

Quando perguntado sobre quem, ele disse que ela precisava ter relações sexuais com um garoto com um chifre na cabeça.

Quando ela voltou para casa, Koori fez avanços sobre o jovem.

Demorou um pouco para ele entender a mensagem de Koori, mas quando ele entendeu a mensagem, ele se recusou com honra.

São abuso sexual contra uma criança estas coisas, é contra a norma social e seus valores religiosos, você terá o Òrìsá chateado com você.

Ou será a própria cultura falando?

Koori ficou com raiva.

Aqui está este desconhecido que eu alimento e cuido e ele não quer me ajudar.

Ela decidiu mandá-lo embora.

Koori esperou até um pouco antes de seu marido voltar da caçada e Jewesun foi presenteado com um anel e ela o persuadiu a usá-lo.

Ela deu-lhe um pano para dormir (para se cobrir quando tivesse sono).

Quando Aawon chegou a casa, ele viu Jewesun coberto com o pano que ele e sua mulher geralmente dormiam.

A coberta supostamente seria para ser usada somente por eles.

Koori disse que Jewesun era um menino mau.

Ela disse que ele tentou me estuprar, porém eu resisti.

Ele me obrigou a dar-lhe o nosso anel e tomou o nosso pano de dormir.

Aawon perseguiu-o de volta para a floresta.

Jewesun voltou a uma vida natural.

Ele estava familiarizado com a floresta e era capaz de viver lá sem muitos problemas.

O chefe dos caçadores da cidade de Ilerá viu Jewesun na floresta e persuadiu-o a voltar para a cidade com ele.

Quando eles chegaram à cidade, o rei, o Alárá de Ilerá tinha acabado de morrer.

Os Bàbáláwo locais disseram estar procurando um estranho, um morador da floresta para ser o novo rei.

Os guerreiros vasculharam ao redor e descobriram que o chefe dos caçadores acabara de trazer um estranho para a cidade.

Eles foram até ele e encontraram Jewesun em sua casa.

Eles o trouxeram de volta ao palácio.

Quando ele chegou, eles tentaram limpá-lo, então, eles descobriram o chifre em sua cabeça e que ele era mudo. Eles disseram que não se poderia ter uma pessoa deformada como rei. Os mais anciãos disseram, que se deveria encontrar uma maneira de retirar o chifre e torná-lo capaz de falar.

Eles o fizeram.

Jewesun tornou-se um bom rei.

Enquanto isso, Koori e Aawon estavam tendo um momento ruim.

Eles não tiveram filhos, estavam sem comida e sem respeito.

Eles pediram ao Áwo local para divinar para eles e ele disse que tudo isto foi acontecendo com eles porque ela tinha “feito mal a um estranho”.

Eles precisavam propiciar Ògún e encontrar Jewesun para pedir desculpas e levá-lo de volta.

Depois que propiciassem Ògún, o problema deles poderia ser resolvido.

Para propiciar Ògún, eles teriam que pedir a todos os caçadores da região para participarem de uma festa que eles protagonizariam.

Haveria batuques, comida e dança.

No final da festa, Aawon foi perguntado por que eles precisavam de um ebo tão grande.

O que eles fizeram a ponto de precisar pedir a pessoas que eles nunca viram se reunirem em uma festa?

Aawon contou a história de Jewesun e como eles lhe haviam feito mal.

O chefe dos caçadores da cidade de Ilerá perguntou:

Esse menino tinha um chifre na cabeça?

Sim.

Esse menino era mudo?

Sim.

O chefe dos caçadores da cidade de Ilerá disse, eu sei quem é este rapaz, mas ele é o rei da cidade de Ilerá, você não pode convencê-lo a sair de sua cidade.
Aawon foi para a cidade de Ilerá.

Ele foi levado ao rei.

Jewesun perguntou se ele o reconhecia Aawon disse que não.
Jewesun disse que o chifre foi retirado e agora ele podia falar, mas que ele era a mesma pessoa em seu interior, como sempre.

Jewesun disse a Aawon que sua esposa havia mentido.

Eu nunca me aproximei dela, de modo que ela mentiu para me causar problemas com você.

Aawon não ficou feliz ao ouvir isso.

Os anciãos / conselheiros da cidade de Ilerá queriam decapitar Aawon por causa do mal que ele tinha feito ao seu rei.

Jewesun disse que não deveriam decapitá-lo por um ato de maldade.

Eu quero recompensá-lo porque ele me ajudou quando até a minha própria mãe me abandonou. Jewesun deu-lhe roupas e contas.

E o mandou para casa.

Ele também enviou pessoas para protegê-lo no caminho, como agora, ele tinha uma grande riqueza, ele poderia cuidar para que ele não fosse atacado no caminho de volta...

Aawon não queria voltar para sua esposa, ele agora a conhecia como uma mentirosa.

Uma vez que eles não poderiam trazer Jewesun de volta à cidade, eles jamais seriam bem sucedidos, eles não seriam capazes de alimentar ou ter filhos.

Eles teriam que constantemente viver da caridade da aldeia ou de Jewesun.

No caminho de volta para casa, Aawon disse aos guardas que estava indo ir defecar e entrou na floresta.

Ele tinha uma medicina de seu ancestral com ele e comeu um pouco.

O medicamento incluía yam batido (inhame pilado) e erva de Otrupon. (Òtúrúpon méjì).

O chão se abriu e o levou.

Os guardas comentaram que ele estava demorando muito e foram procurar por ele.

Ele já estava com meio corpo afundado quando o encontraram.

Logo, ele desapareceu em um jorro de água.

Eles chamaram o rio que se formou de: Rio que produz a água que nós bebemos na cidade.

Os guardas foram até a aldeia para contar a esposa de Aawon o que havia acontecido e devolver-lhe as riquezas, mas ela também havia desaparecido.

Ela tinha decidido que não poderia suportar olhar para seu marido ou para seu filho adotivo no olho.

Ela tomou o remédio de sua família, recostou-se contra a parede de tijolos de barro e desapareceu. Ambos Aawon e Koori tornaram-se òrìsá.

Aawon e Koori são os òrìsá dos jovens.

Ela cuida de filhos de outras pessoas.

Ela também é capaz de reformar maus filhos.

Uma vez por ano, todas as crianças sob seus cuidados vão ao rio com bananas, vegetais e cocô.

Eles trazem muita comida e bebida e todas as crianças da cidade comem, bebem e dançam.

A cidade inteira vai até o rio, como sempre tem um monte de comida e bebida sobrando, deixam toda a comida perto do rio e Konkoto, o menor pássaro da Nigéria, vem e come as sobras.

Algumas dessas aves podem entrar nas casas para viver com eles.

É por isso que os nomes Koori e Konkoto são usados indistintamente para este òrìsá.

Não existe uma cidade ou vila que Koori não esteja em lugar de destaque.

Ela é encontrada em toda parte.

Se existem filhos, Koori sempre existirá.

O Alárá de Ilerá (rei de Ilerá) tem um chifre em sua coroa.

Os reis de Ilerá não seguem uma linhagem (não há sucessão familiar).

Os órfãos são filhos de todos nós.

As pessoas que não podem ou não tem filhos devem cuidar de outras crianças. Famílias de acolhimento são boas.

Nada pode tomar o lugar de um pai, mas um pai adotivo é melhor do que uma instituição.

O mundo inteiro não é uma família, porém, é uma aldeia.

Ègbé são as crianças que não nasceram com a gente.

Somente uma fração de nós nasce.

Nós brincamos juntos no céu antes de alguns de nós virmos a terra.

Eles ainda interagem com a gente.

Videntes são capazes de interagir conscientemente com o Ègbé òrun.

Ègbé Ogbà – para aqueles que não estão aqui.

*Será òrìsá Ègbé um òrìsà menor?

*Alguns òrìsà tem esta denominação de ‘menor’, por não ter um culto ‘famoso’, poucos adeptos e/ou iniciados. Convém afirmar que não é uma colocação pejorativa ou diminutiva.

Koori é a òrìsà da juventude e da vida, mas, como para viver não basta respirar, seu àse confere um sentido à existência de seus devotos, facilitando o processo pelo qual cumprirão seu bom destino. É protetor das crianças, especialmente das crianças Àbìkú. Todas as pessoas são constituídas de energias positivas e de energias negativas, mas em alguns casos o peso de elementos como dificuldades, teimosia e desgraças é acentuado. Koori é cultuado para romper com estas desgraças, trabalhando ao lado de Ègbé òrun e de Ibeji para manter os Àbìkú na Terra. Ao lado de Egúngún e de Ifá, atua para corrigir o mau destino de um devoto e para neutralizar um fluxo energético passageiro, mas nocivo.

Koori atua em questões relacionadas à fertilidade e a sobrevivência.
oloje iku ike obarainan

Ìbá’se Òsún: o Àsé dos Rios

Embora o Òrìsà Obatalá seja o Senhor dos Mistérios do equilíbrio e igualdade e o proprietário dos Mistérios dos princípios feminino e masculino, é o Òrìsà Òsún quem é o proprietário das Forças de atração, Ibadana (afinidade), entre o masculino e o feminino. Embora Iyemoja seja o Dono dos mistérios da maternidade, é Òsún que manipula a natureza sexual não só dos ‘buscadores de Deus, mas de todas as criaturas e criações. Como a viagem do rio para o oceano é em última análise, a afinidade entre as criações masculinas e femininas é basicamente para a reprodução. Toda área abdominal é sagrada para Òsún e para que as mulheres, quandam desejam ter filhos devem propiciar o òrìsá para ajudá-las a alcançar seus desejos. Fertilidade é apenas uma das preocupações de Òsún. Este òrìsá também é responsável por todas as doenças abdominais e operações. Apesar de Òsún ser muito preocupada com a “reprodução”, ela é tão ou mais preocupada com as forças avassaladoras e prazeres provocadores que desbloqueiam os potenciais criativos dos princípios feminino e masculino. Òrìsà Òsún Oluwa áwo inu didun ipilese. A Dona dos Mistérios do Princípio do Prazer. Òsún é o Òrìsà do amor incondicional, receptividade e diplomacia. Òsún é associada com o mel, porque o mel é ao mesmo tempo agradável aos sentidos e tem grandes poderes de cura. Òrìsà Òsún incorpora todos os aspectos da natureza sexual da fêmea. Ela é Iwa Wundia (a virgindade), a maturação dos frutos na videira – aproximando a sua disponibilidade para satisfazer a fome e os sentidos de quem tiver a sorte de provar sua doçura. Ela é Iwa Obinrin (O Ser Mulher); encorporando todos os atributos femininos e masculinos de um ser ciente de estar maduro e fornecer a tela sobre a qual o homem pode escrever suas realizações como um homem, ela é o “espelho” que reflete o macho de si mesmo. Se o macho não respeitar, cuidar, elevar, apoiar e proteger a mulher e o fruto do seu ventre, ele só terá sucesso em diminuir a si mesmo. Òsún também é Pansaga Obirin (A Sedutora fêmea) – que através de seus prazeres, pode tentar o homem a arriscar o trono que ele tem, ou inspirá-lo a tomar o trono de outro. Quando o Àse se tornou auto-consciente e Òlódúmarè experimentou a primeira emoção do amor, – o aspecto do Àse que é o Òrìsà Òsún, ‘nasceu’. Um dos símbolos de Òsún é o espelho, mas isso não deve levá-lo a pensar que Òsún representa apenas a beleza externa. Como Mason e Edwards salientaram, “Òsún é a qualidade de uma mulher que emana beleza de tal modo que a visão não é necessária a fim de lhe apreciar.” Ela é:

“… a idéia da excelência, tal como refletida por gosto, requinte e delicadeza.”

Oríkì Òsún

Eu me humilho diante dos mistérios de Òsún.
Você é a Deusa do rio.
Você é o proprietário dos Mistérios da Civilização.
Você é o proprietário dos Mistérios do Amor.
Você é o Òrìsà mais bonito.
Você é o proprietário dos Mistérios do mel.
Você é o proprietário dos mistérios do sexo e intimidade.
Àse.
oloje iku ike obarainan

Òrúnmìlá, Òsún e o Eerìndínlógun (Búzios).

Este é apenas mais um dos itan que mostra Òsún como a verdadeira dona do jogo de búzios, ao recebê-lo de Òrúnmìlá e tê-lo outorgado por Olódúmarè.

Òrúnmìlá e o Eerìndínlógun (Búzios).

Quando Òlódúmarè criou seus 400 +1 filhos.

Ele criou também 400 + 1 profissões.

Ele criou 400 + 1.

Ele disse que cada um deveria escolher a sua.

E havia Òrúnmìlá

Ele não era forte como um cupinzeiro.

Segurar uma enxada era problema para ele.

Carregá-la era difícil até mesmo andar.

Não havia trabalho fácil para Òrúnmìlá.

Òlódúmarè disse:

O que você vai fazer?

Ele disse que iria ser adivinho.

Que tipo de adivinho?

Ele disse:

Para tudo aquilo que as pessoas quiserem saber.

Foi Obí que ele trouxe para Òlódúmarè naqueles dias.

Se alguém falasse no Obí e jogasse.

Era Òlódúmarè que dava o conselho.

Então ele chamou Òrúnmìlá.

Que tinha um saquinho de adivinhação.

Òlódúmarè levou o saquinho de Ifá.

Ele disse que Òrúnmìlá deveria aprender a usá-lo.

Que se alguém quisesse algo, deveria falar com Òrúnmìlá.

Todos que quisessem perguntar deveriam ir à Òrúnmìlá.

E quando Òrúnmìlá olhou para o seu Ifá.

Tudo que eles queriam saber, Òrúnmìlá falaria.

O que quer que fosse Òrúnmìlá diria a eles.

Ninguém mais visitou Òlódúmarè (para adivinhar).

Eles passaram a visitar Òrúnmìlá.

Uma mulher que estivesse grávida há um dia,

Òrúnmìlá podia saber e assim em diante.

Então, Òrúnmìlá tornou-se adivinho.

Ele disse:

Pai e sobre as folhas?

Òlódúmarè disse:

Aquela que vem com problemas, esta é a folha que dará a ela.

Aquele que vem com problemas, esta é a folha que dará a ele.

Então, Òrúnmìlá tornou-se adivinho.

E todos quiseram se tornar adivinho.

Egúngún queria ser um deles.

O Pai disse:

Você que é forte?

Ògún queria ser um deles.

O Pai disse:

Você que é forte?

Você deveria ser comerciante.

Hoje todos os devotos de algumas divindades podem divinar.

Devotos de Șàngo, devotos de Òya e devotos de Òrìsálá.

Isso graças à Ọșun.

Era Ọșún que não deixava Òrúnmìlá descansar.

Não o deixava sair.

Tanto insistiu, até que Òrúnmìlá lhe ensinou divinação.

Foi com Ọșún que todos os demais aprenderam a divinar.

Mas Erinle não aprendeu òrìsá Oko não aprendeu Ògún não aprendeu Egúngún não aprendeu.

Não receberam os dezesseis cawries.

Os dezesseis cawries de Șọpọná estavam sempre em sua mão, mas as lutas não o deixavam divinar.

Por ser frágil Òrúnmìlá se tornou divinador.

Ele cantava:

Apodihọrọ, Òrìsálá Ọșẹrẹgbo.

O Pai teve 401 filhos.

Apodihọrọ, Òrìsálá Ọșẹrẹgbo,

O Pai criou 401 profissões,

Apodihọrọ, Òrìsálá, Ọșẹrẹgbo,

O Pai criou 401 talentos,

Apodihọrọ.

Deu aqueles que aprendessem um meio de vida,

Apodihọrọ.

Com aquele que aprendi, agora estou comendo,

Apodihọrọ.

Com aquele que eu aprendi, estou comendo Obí e pimenta,

Apodihọrọ.

Com quem aprendi, estou comendo sal e dendê,

Apodihọrọ.

Com quem aprendi ganho dinheiro com meu jogo,

Apodihọrọ.

Foi como Òrúnmìlá se tornou divinador.

Mas somente Òrúnmìlá se tornou adivinho.

Hoje todos os sacerdotes de certos òrìsá podem adivinhar.

Porém…
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Onilé, a primeira divindade da Terra

Os antigos povos que deram origem aos atuais iorubás ou nagôs, de cujas tradições se moldou o
candomblé no Brasil, cultuavam uma entidade da Terra, a Terra-Mãe, que recebeu muitas
denominações em diferentes aldeias e cidades que formam o complexo cultural iorubá e seus 
entornos principais, entre os quais os jejes mahis e daomeanos e os tapas ou nupes e os ibos.
Esta antiga divindade é até hoje cultuada e recebe o nome de Onilé, a Dona da Terra, a Senhora do
planeta em que vivemos. Outros nomes da Terra-Mãe são: Aiê, Ilé, Ialé, também Ije, Ale, Ala, Aná,
Ogerê, e mesmo Buku e Buruku. Entre os jejes do Maranhão e da Bahia é chamada Aizã.

Creio que grande parte dos seguidores do candomblé nunca ouviu falar ou teve apenas vagas
referências sobre Onilé, mas em certos candomblés de nação queto, que preservam ou
reconstituem tradições que em grande parte se perderam na diáspora iorubana, pratica-se um culto
discreto mas significativo à Terra-Mãe, para a qual se canta, ou no início do xirê ou no final da
chamada roda de Xangô, a cantiga que diz "Mojubá, orixá/ ibá, orixá/ ibá Onilé", que pode ser
traduzido como "Eu saúdo o orixá/ Saúdo Onilé/ Salve a Senhora da Terra".

Onilé é uma divindade feminina relacionada aos aspectos essenciais da natureza, e originalmente
exercia seu patronato sobre tudo que se relaciona à apropriação da natureza pelo homem, o que
inclui a agricultura, a caça e a pesca e a própria fertilidade. Com as transformações da sociedade
iorubá numa sociedade patriarcal ou patrilinear, que implicou a constituição de linhagens e clãs
familiares fundados e chefiados por antepassados masculinos, as mulheres perderam o antigo
poder que tiveram numa primeira etapa (um mito relata que, numa disputa entre Oiá e Ogum, os
homens teriam arrebatado o poder que era antes de domínio das mulheres).

Os antepassados divinizados tomaram o lugar das divindades primordiais e houve uma redivisão
de trabalho entre os orixás. As divindades femininas antigas tiveram então seu culto reorganizado
em torno de entidades femininas genéricas, as Iá-Mi-Oxorongá, consideradas bruxas maléficas
pelo fato de representarem sempre um perigo para o poderio masculino, e vários orixás tiveram
dividido entre si as atribuições de zelar pela Terra, agora dividida em diferentes governos: o subsolo
ficou para Omulu-Obaluaê e para Ogum, o solo para orixá-Okô e Ogum, a vegetação e a caça para
os Odés e Ossaim e assim por diante. A fertilidade das mulheres foi o atributo que restou às
divindades femininas, já que é a mulher que pári, que reproduz e dá continuidade à vida.
Constituiriam-se elas então em orixás dos rios, representando a própria água, que fertiliza a terra e
permite a vida: são as aiabás Iemanjá, Oxum, Obá, Oiá, Iyewa e outras e também Nanã, que como
antiga divindade da terra, representa a lama do fundo do rio, simbolizando a fertilização da terra pela
água.

Onilé teve seu culto preservado na África, mas perdendo muitas das antigas atribuições. Hoje ela
representa nossa ligação elemental com o planeta em que vivemos, nossa origem primal. É a base
de sustenção da vida, é o nosso mundo material. Embora sua importância seja crucial do ponto de
vista da concepção religiosa de universo, os devotos a ela pouco recorrem, pois seu culto não trata
de aspectos particulares do mundo e da vida cotidiana, preferindo cada um dirigir-se aos orixás que
cuidam desses aspectos específicos. No Brasil, como aconteceu com outros orixás, seu culto
quase desapareceu. Certamente um fator que contribuiu para o esquecimento de Onilé no Brasil é
o fato de que este orixá não se manifesta através do transe ritual, não incorpora, não dança. Outros
orixás importantes na África e que também não se manifestam no corpo de iniciados foram
igualmente menos considerado neste País que, por influência do kardecismo, atribui um valor
muito especial ao transe. Foi o que aconteceu com Orunmilá, Odudua, Orixá-Okô, Ajalá, além da Iá-
Mi-Oxorongá. É interessante lembrar que o culto de Ossaim sofreu no Brasil grande mudança,
passando o orixá das folhas a se manifestar no transe, o que o livrou certamente do esquecimento.
O culto da árvore Iroco também se preservou entre nós, ainda que raramente, quando ganhou filhos
e se manifestou em transe, sorte que não teve Apaoká.

Na Nigéria mantém-se viva a idéia de que Onilé é a base de toda a vida, tanto que, quando se faz
um juramento, jura-se por Onilé. Nessas ocasiões, é ainda costume pôr na boca alguns grãos de
terra, às vezes dissolvida na água que se bebe para celar a jura, para lembrar que tudo começa
com Onilé, a Terra-Mãe, tanto na vida como na morte.

Um mito ensina qual é a atribuição principal de Onilé, como ela está associada ao chão que
pisamos e sobre o qual vivemos nós e todos os seres vivos que formam o nosso habitat, nosso
mundo material. Assim conta o mito:

Onilé era a filha mais recatada e discreta de Olodumare.

Vivia trancada em casa do pai e quase ninguém a via.

Quase nem se sabia de sua existência.

Quando os orixás seus irmãos se reuniam no palácio do grande pai

para as grandes audiências em que Olodumare comunicava suas decisões,

Onilé fazia um buraco no chão e se escondia,

pois sabia que as reuniões sempre terminavam em festa,

com muita música e dança ao ritmo dos atabaques.

Onilé não se sentia bem no meio dos outros.

Um dia o grande deus mandou os seus arautos avisarem:

haveria uma grande reunião no palácio

e os orixás deviam comparecer ricamente vestidos,

pois ele iria distribuir entre os filhos as riquezas do mundo

e depois haveria muita comida, música e dança.

Por todo os lugares os mensageiros gritaram esta ordem

e todos se prepararam com esmero para o grande acontecimento.

Quando chegou por fim o grande dia,

cada orixá dirigiu-se ao palácio na maior ostentação,

cada um mais belamente vestido que o outro,

pois este era o desejo de Olodumare.

Iemanjá chegou vestida com a espuma do mar,

os braços ornados de pulseiras de algas marinhas,

a cabeça cingida por um diadema de corais e pérolas,

o pescoço emoldurado por uma cascata de madrepérola.

Oxóssi escolheu uma túnica de ramos macios,

enfeitada de peles e plumas dos mais exóticos animais.

Ossaim vestiu-se com um manto de folhas perfumadas.

Ogum preferiu uma couraça de aço brilhante,

enfeitada com tenras folhas de palmeira.

Oxum escolheu cobrir-se de ouro,

trazendo nos cabelos as águas verdes dos rios.

As roupas de Oxumarê mostravam todas as cores,

trazendo nas mãos os pingos frescos da chuva.

Iansã escolheu para vestir-se um sibilante vento

e adornou os cabelos com raios que colheu da tempestade.

Xangô não fez por menos e cobriu-se com o trovão.

Oxalá trazia o corpo envolto em fibras alvíssimas de algodão

e a testa ostentando uma nobre pena vermelha de papagaio.

E assim por diante.

Não houve quem não usasse toda a criatividade

para apresentar-se ao grande pai com a roupa mais bonita.

Nunca se vira antes tanta ostentação, tanta beleza, tanto luxo.

Cada orixá que chegava ao palácio de Olodumare

provocava um clamor de admiração,

que se ouvia por todas as terras existentes.

Os orixás encantaram o mundo com suas vestes.

Menos Onilé.

Onilé não se preocupou em vestir-se bem.

Onilé não se interessou por nada.

Onilé não se mostrou para ninguém.

Onilé recolheu-se a uma funda cova que cavou no chão.

Quando todos os orixás haviam chegado,

Olodumare mandou que fossem acomodados confortavelmente,

sentados em esteiras dispostas ao redor do trono.

Ele disse então à assembléia que todos eram bem-vindos.

Que todos os filhos haviam cumprido seu desejo

e que estavam tão bonitos que ele não saberia

escolher entre eles qual seria o mais vistoso e belo.

Tinha todas as riquezas do mundo para dar a eles,

mas nem sabia como começar a distribuição.

Então disse Olodumare que os próprios filhos,

ao escolherem o que achavam o melhor da natureza,

para com aquela riqueza se apresentar perante o pai,

eles mesmos já tinham feito a divisão do mundo.

Então Iemanjá ficava com o mar,

Oxum com o ouro e os rios.

A Oxóssi deu as matas e todos os seus bichos,

reservando as folhas para Ossaim.

Deu a Iansã o raio e a Xangô o trovão.

Fez Oxalá dono de tudo que é branco e puro,

de tudo que é o princípio, deu-lhe a criação.

Destinou a Oxumarê o arco-íris e a chuva.

A Ogum deu o ferro e tudo o que se faz com ele,

inclusive a guerra.

E assim por diante.

Deu a cada orixá um pedaço do mundo,

uma parte da natureza, um governo particular.

Dividiu de acordo com o gosto de cada um.

E disse que a partir de então cada um seria o dono

e governador daquela parte da natureza.

Assim, sempre que um humano tivesse alguma necessidade

relacionada com uma daquelas partes da natureza,

deveria pagar uma prenda ao orixá que a possuísse.

Pagaria em oferendas de comida, bebida ou outra coisa

que fosse da predileção do orixá.

Os orixás, que tudo ouviram em silêncio,

começaram a gritar e a dançar de alegria,

fazendo um grande alarido na corte.

Olodumare pediu silêncio,

ainda não havia terminado.

Disse que faltava ainda a mais importante das atribuições.

Que era preciso dar a um dos filhos o governo da Terra,

o mundo no qual os humanos viviam

e onde produziam as comidas, bebidas e tudo o mais

que deveriam ofertar aos orixás.

Disse que dava a Terra a quem se vestia da própria Terra.

Quem seria? perguntavam-se todos?

"Onilé", respondeu Olodumare.

"Onilé?" todos se espantaram.

Como, se ela nem sequer viera à grande reunião?

Nenhum dos presentes a vira até então.

Nenhum sequer notara sua ausência.

"Pois Onilé está entre nós", disse Olodumare

e mandou que todos olhassem no fundo da cova,

onde se abrigava, vestida de terra, a discreta e recatada filha.

Ali estava Onilé, em sua roupa de terra.

Onilé, a que também foi chamada de Ilê, a casa, o planeta.

Olodumare disse que cada um que habitava a Terra

pagasse tributo a Onilé,

pois ela era a mãe de todos, o abrigo, a casa.

A humanidade não sobreviveria sem Onilé.

Afinal, onde ficava cada uma das riquezas

que Olodumare partilhara com filhos orixás?

"Tudo está na Terra", disse Olodumare.

"O mar e os rios, o ferro e o ouro,

Os animais e as plantas, tudo", continuou.

"Até mesmo o ar e o vento, a chuva e o arco-íris,

tudo existe porque a Terra existe,

assim como as coisas criadas para controlar os homens

e os outros seres vivos que habitam o planeta,

como a vida, a saúde, a doença e mesmo a morte".

Pois então, que cada um pagasse tributo a Onilé,

foi a sentença final de Olodumare.

Onilé, orixá da Terra, receberia mais presentes que os outros,

pois deveria ter oferendas dos vivos e dos mortos,

pois na Terra também repousam os corpos dos que já não vivem.

Onilé, também chamada Aiê, a Terra, deveria ser propiciada sempre,

para que o mundo dos humanos nunca fosse destruído.

Todos os presentes aplaudiram as palavras de Olodumare.

Todos os orixás aclamaram Onilé.

Todos os humanos propiciaram a mãe Terra.

E então Olodumare retirou-se do mundo para sempre

e deixou o governo de tudo por conta de seus filhos orixás

E assim este mito, de modo didático e com muita beleza, situa o papel de Onilé no panteão dos
deuses iorubás. Como é

estrutural nos mitos, o tempo da narrativa não é histórico, dando a impressão que os cultos dos
diferentes orixás foram instituídos a um só tempo, num só ato do supremo deus. A narrativa
enfatiza, contudo, a concepção básica da religião dos orixás, isto é, que cada orixá é uma aspecto
da natureza, uma dimensão particular do mundo em que vivemos. Eles são o próprio mundo, com
suas forças, elementos, energias e propriedades, mundo que tem por base Onilé, a Terra, o
planeta que habitamos, o nosso lar no universo.

Na África iorubá, Onilé ocupa lugar central no culto da sociedade masculina secreta Ogboni. A
escultura em bronze aqui mostrada, provavelmente do século XVIII, é originária dessa sociedade
tem os olhos em semicírculos, que tudo observam em silêncio, e as mãos fechadas e alinhadas,
uma sobre a outra, na altura do umbigo, num gesto que simboliza o conhecimento ancestral,
conforme os símbolos Ogboni, sociedade que, até o século XIX, cuidava da justiça, julgava
criminosos e feiticeiros e executava os condenados à morte.

Louvar Onilé é celebrar as origens. Por isso, quando aparecem junto aos humanos, os
antepassados egunguns saúdam Onilé, lembrando-nos que ela é anterior a tudo o mais, mesmo
às linhagens mais antigas da humanidade.

Cultuada discretamente em terreiros antigos da Bahia e em candomblés africanizados, a Mãe Terra
tem despertado recentemente curiosidade e interesse entre os seguidores dos orixás, sobretudo
entre aqueles que compõem os seguimentos mais intelectualizados da religião.

Onilé, isto é, a Terra, tem muitos inimigos que a exploram e podem destruí-la. Para muitos
seguidores da religião dos orixás, interessados em recuperar a relação orixá-natureza, o culto de
Onilé representaria, assim, a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo
que há em seu mundo. Pois é Onilé quem guarda o planeta e tudo que há sobre ele, protegendo o
mundo em que vivemos e possibilitando a própria vida de tudo que vive sobre a Terra, as plantas,
os bichos e a humanidade.

Todo terreiro de Egungun possui um Onilé assentado, e muitos as vezes confudem, achando que
aquele assentamento é de Egungun.

Onilé muito importante no culto a Orisá,pois onde nao tem Ilé?(terra)

Mojuba Iya Mi Onilé
oloje iku ike obarainan
O culto á Erinlé

O culto de Erínlè nasce no Odu de Òkànràn / Ogbè. Seu culto está centrado ao redor do rio Erínlè, 
um rio tributário do rio Òsun, que atravessa a cidade de Ìlobùú (Ilú Òbú ou cidade de Òbú), 
localizada ao sul da Nigéria Ocidental, na estrada de Ogbomoso para Osogbo (está situada 
aproximadamente dez milhas a oeste de Osogbo). Ele é a divindade patrona de Ìlobùú. Ìlobùú é um
centro de comércio para o inhame, milho, mandioca, óleo de dendê, abóbora, feijão, quiabo e está
em uma área de savana habitada principalmente pelos Yoruba. Òbú é um tipo de giz nativo (efun) e
é comestível. É usado para temperar comida e era um dos temperos principais, muito antes do sal,
da mesma forma que o aró-àbàje (uma tintura azul comestível) é usado para temperar comidas
como o ekuru aró. Tido como filho de Ainá, Erínlè é considerado por muitos como filho mítico de
Yemoja .É um Òrìsà caçador, pescador e um médico, por conta do seu grande conhecimento da
floresta e da flora. Este Òrìsà, enquanto médico dominou, antes que Osányìn, o poder da botânica.
Não é incomum para os sacerdotes de Erínlè carregarem um cajado (òsù) semelhante ao que
carregam os sacerdotes de Osányìn e de Ifá devido a importância deles como curandeiros
medicinais. Sabe-se que ele conhece o poder curativo do Eja aro. Essa medicina nasce em
Òkànràn Òfún. O peixe seco (eja aro) é conhecido em Nupeland e isso é revelado pelo caminho de
Òkànrànsodè descrito abaixo e na conexão entre Erínlè e o exilado rei da Nupeland. Há muitas
variações no nome pelo qual Erínlè é conhecido. Assim, ele é comumente conhecido como Erínlè
dentro de Egbado, Erínlè em Ìlobùú, Enlè em Okuku. Em Cuba e Trinidad ele é conhecido como Inlè
ou Erínlè "Ajaja". Ajaja é um título honorífico que significa "Ele que come cachorro", "o que é feroz".
Erínlè quer dizer elefante (Erin) em-o-terra (ilè) ou terra-elefante. Erínlè é considerado por alguns
como uma divindade hermafrodita, mas ele é adorado principalmente como uma divindade
masculina em Yorùbáland. Ele é pensado por alguns estudiosos como sendo o aspecto masculino
de Yemoja Mojelewu. O que parece consenso é que Erínlè mora na floresta com os irmãos
Osányìn, Ògún e Òsóòsì, no cultivo com Òrìsà Oko, nas águas com Yemoja, Otin e Òsun. A
residência verdadeira dele seria o ponto onde o rio encontra o oceano, onde docemente se
misturam as águas doce e salgada. No Candomblé Ketu é considerado que Erínlè tem dois
caminhos ou aspectos. Um aspecto é considerado um velho caçador, Òsóòsì Ibualama. O outro
caminho é mais jovem e mais delicado e bonito, normalmente chamado Inlè. Na tradição Do Ekiti
Efón, Erínlè é acompanhado por Ibojuto e Abátàn. Abátàn (ou Abàtà = pântano) é a divindade da
baixada. Abátàn normalmente é considerado como a companheira feminina de Erínlè mas alguns
reconhecem Abátàn como masculino. Quando Erínlè é assentado dentro da cerimônia de iniciação,
Abátàn também é assentada. Ela tem canções e oríkì separados. Abátàn come com Erínlè e
participa de todas as suas oferendas e sacrifícios. Erínlè seria acompanhado por Abátàn, sua
contraparte feminina. Duas divindades que se unem como um, embora distintos, eles funcionam
juntos, como uma unidade. Há um equilíbrio, dando uma visão instantânea do caráter de Erínlè,
uma mistura perfeita de energias masculina e feminina. Além disso, na tradição Efón, considera-se
que a familia de Erínlè se compõe de: Abátàn - sua esposa, Boyuto - guardião de Erínlè e Abátàn,
Otin - filha de Erínlè e Abátàn, Jobia - filho de Asipelu, ajudante de Erínlè, Olóògùn Èdè (Lògùn Èdè),
o "senhor" (dono) do medicamento (medicina) de Èdè - filho de Erínlè com Osun, e, por último, Asao
- duplo de Erínlè. Na Nigéria, Erínlè tem muitas manifestações ou caminhos, conhecidos como ibú:
Ojútù, Álamo, Owáálá, Abátàn, Ìyámòkín, Àánú. É o oríkì de cada ibú que distingue entre os
caminhos diferentes ou manifestações de Erínlè, como um se apresentando na sua coragem, outro
como um caçador, outro ainda no poder presente na profundidade do rio. São cantados oríkì
individuais a Erínlè no seu festival anual da mesma forma como também são invocados
coletivamente. O awo - ota - Erínlè ou otun Erínlè, é o nome dos recipientes usados dentro do culto
de Erínlè (em Okeho é adicionalmente conhecido como aawe - Erínlè, onde tem uma forma
totalmente diferente das encontradas em Ìlobùú e na maior parte da Yorùbáland). Potes fechados
que guardam pedras e água são predominantemente associadas com divindades fluviais
femininas, como aqueles encontrados nos cultos de Yemoja e Òsun. O awo (segredo) - ota - Erínlè
é o recipiente tradicional para guardar os ota de Erínlè. Sacerdotes de Erínlè dançam em procissão
como parte do festival anual de Erínlè em muitas partes de Nigéria. Para o festival, sacerdotes
trazem com eles o próprio awo - ota - Erínlè para o festival no rio de Ìlobùú. Quando a possessão
acontece, Erínlè dança com o awo - ota - Erínlè colocado no alto da cabeça. O òpá òrèrè (osu/cajado
com o pássaro de ferro) de Erínlè é a representação para os seus seguidores da importância de
Erínlè como curandeiro. A divindade mais amplamente conhecida com o mesmo símbolo é
Osányìn. O cajado é feito de ferro. Sempre é mantido em pé. Pássaros de ferro empoleiram-se no
topo. A maioria dos exemplos mostra um grande pássaro central cercado por pássaros menores.
Não há diferenças significativas entre os cajados de Erínlè e de Osányìn encontrados na Nigéria,
cada cajado é uma peça autorizada e única e assim os estilos variam imensamente. Porém há dois
desenhos comuns do cajado de Osányìn feitos dentro da perspectiva dos awo em Yorùbáland. É
comum se ver um cajado relativamente curto com um grande pássaro em seu topo e com 16
pássaros menores, em um arranjo circular, que olham para o pássaro mais alto, central. Lá
também pode ser encontrado um òpá/osu Osányìn alto, com um só e único pássaro e quatro cones
de metal invertidos, as aberturas deles coberta por disco de metal para guardar medicamentos;
seguro levemente na parte mais baixa do cajado (este cajado também é encontrado na tradição
Lukumi, sua especificação é considerada um requisito de Odù). Deve ser acentuado que os
cajados de Erínlè e Osányìn nas terras Yorùbá são encontrados em muitas variações no número de
pássaros, formas e estilos. Foi sugerido que os 16 pássaros menores representam a divindade
Odù e os Olódù de adivinhação. As curvas graciosas destes pássaros estáticos também podem
ser confundidas com um agrupamento permanente de folhas de metal. Tais folhas, que não
morrem, são uma lembrança visual forte para Osányìn e os medicamentos de Erínlè! O pássaro de
coroamento é, segundo muitos, um símbolo do poder sobre/pacto de Osányìn e Erínlè com as
Ìyáàmi. São os medicamentos herbários de Erínlè e Osányìn que podem neutralizar ou contrapor-se
aos ataques pelos aspectos negativos de Ìyáàmi. Eleye significa "mulheres que possuem e são
pássaros", sendo os pássaros os mensageiros de Àjé/Ìyáàmi. Estes mensageiros também podem
ser vistos em muito da estatuária religiosa e do simbolismo real, como por exemplo, no alto da
coroa dos Oba. Ìyáàmi é em essência o àse/awo feminino primordial, que pode ser potencialmente
benéfico ou maléfico (em condições judiciosas). Os símbolos de pássaro lembram aos líderes e
congregações que ninguém está acima das forças invisíveis que precisam ser apaziguadas. As
Ìyáàmi representam a gênese, as guardiãs e as doadoras do àse na terra. Boyuto ou Ibojuto é
encontrado em todos os santuários Lukumi para Erínlè. É descendente do òpá Erínlè encontrado
entre os Yorùbá. Boyuto leva seu nome de uma das qualidades ou caminhos de Erínlè. Esta
qualidade de Erínlè está ligada a profundidade impressiva do rio Erínlè. É dito que nesta
profundidade é encontrado o reino mítico de Erínlè, chamado Ode Kobaye. "Esta profundidade
escura do redemoinho é chamado Ojuto. Acredita-se assim, profundamente, que as duas casas
históricas (ilé pètésì) teriam sido tragadas para cima (emergido) dentro das correntes coloridas de
índigo. Do fundo do ibu Ojuto, assim é acreditado, bandos (escoltas) de pombos voam para acima
das águas e desaparecem no ar." (Baba Erínlè de Ìlobùú falando com R. F.Thompson no local do
rio Erínlè, em Ìlobùú, 1994). Boyuto ou Ibojuto é também conhecido comumente como o osu de
Erínlè.

Erinlé o caçador das grandes caças....

Havia um caçador chamado Erinlé, o grande caçador de elefantes. Um dia uma mulher
passava perto de um rio e ali perto, junto ao bosque, avistou o caçador. Ele pediu a ela que lhe
desse água para beber, a mulher entrou no rio até a altura dos joelhos e, quando se inclinou para
apanhar água, ouviu de Erinlé a ordem de que entrasse mais fundo. Mais fundo no rio entrou a
mulher, mas percebendo que o rio ia afogá-la, saiu imediatamente da água, com medo de ser
morta. Ela ouviu então a voz do caçador, que era o próprio rio, reclamando que ela não trazia
oferenda alguma, ela queria recolher sua água, mas nada lhe dava em troca. Ninguém pode entrar
no rio profundo sem trazer presentes, tempos depois, quando Erinlé foi cultuado como orixá, seus
seguidores o chamaram de Ibualama, que quer dizer "Água Profunda".

Òkànràn Ogbè - O nascimento do culto de Erínlè - Um Itan do Odu Òkànràn Ogbè conta a
história de um homem Nùpe (Tápà) com o nome de Àyònù que veio para a região de Ìlobùú. Ele era
o herdeiro da coroa em sua terra natal porém devido a algumas manobras políticas o título lhe foi
usurpado e ele foi forçado a fugir da cidade - ele teria sido morto para destruir a possibilidade de
qualquer reivindicação futura à coroa. Àyònù veio para Ìlobùú para caçar e ajudar a um caçador
nativo que tinha uma estranha aparência. O amigo percebeu que Àyònù, embora mostrando-se apto
nas habilidades da caça e agudo em aprender todos os segredos possíveis, não vivia sua vida
conforme um caçador. Àyònù contou sua história para o amigo caçador. O amigo era Erínlè mas ele
não o conhecia pelo nome porque os caçadores não mencionam nomes no mato para não serem
afetados por nenhum dos espíritos animais. Caçadores referem-se uns aos outros simplesmente
como Àwé. Erínlè, por seu turno, contou para Àyònù sobre sua casa, um palácio que ele tinha
embaixo da terra. Ele golpeou o chão com a palma de sua mão, a terra abriu-se e os dois
desceram para o palácio subterrâneo. Erínlè tinha estado caçando por um longo tempo e, assim,
ele decidiu fazer um pacto com Àyònù. Erínlè prometeu para Àyònù um nova coroa para
recompensá-lo pelo título que ele havia perdido em sua terra natal. Ele disse para Àyònù que, por
tanto tempo quanto ele continuasse a lhe trazer comida de caça, ele o compensaria com um título
novo. Erínlè também prometeu que a guerra nunca afetaria o reino dele. Erínlè e Àyònù
consolidaram seu pacto e Erínlè retirou-se para seu palácio na terra. Ele disse para Àyònù que se
ele precisasse dele novamente deveria chamá-lo golpeando a terra com a palma da sua mão.
Àyònù nunca mais viu seu amigo novamente. Àyònù construiu sua casa lá e logo outros caçadores
vieram viver com ele, seguidos por fazendeiros. Uma cidade tinha sido estabelecida e eles
consultaram Ifá. Os adivinhos lançaram Òkànràn Ogbè e Òrúnmìlà disse: ire! Desde esta época a
cidade de Ìlobùú nunca foi invadida ou afligida por guerra, mesmo durante o tumultuoso século
dezenove, marcado por muitos anos de conflitos civis na Yorùbáland.

Erinlé e Opaoka

Os mitos Yorùbá, nos revela que esta Ìyágba, também conhecida como Ìyá Nbanba, Ìyá Mo, Ìyá Òdé
,entre tantos outros epítetos, vivia juntamente com outras duas irmãs, Ìyá Mepere e Ìyá Bokolo, muito
antes da fundação da cidade de Ketu, em uma cova situada abaixo do Òpó méta, três robustos
troncos de mogno-da-guiné (1), conhecido em Yorùbá com o nome de Ògànwó.

As três irmãs selaram um pacto de nunca dar o nascimento a uma criança neste mundo, porém, Ìyá
Apáòka não cumpre o prometido e juntamente com Òrìsà Oko dá a luz a um menino que mais tarde
recebe o nome de Erinlè. Inlè como também é conhecido, funda a Cidade de Ìlobùú (2), entre outras
obras na Terra, retorna ao orun e regressa novamente ao àiyé no mesmo seio familiar, onde desta
vez recebe o nome de Òdé . Este é um dos grandes segredos da ligação entre Inle e Òdé. Aquele
que possui Inlè, deverá ter como complemento Òdé, mas não necessáriamente o inverso ...

É muito importante que o iniciado a Erinlé tenha também o ojubó(assentamento de Apá Oká que
todos Ilê Asé tem e Orisá Okô que por sinal é seu pai e mãe..
Erinlé rei dos Odés.Orisa muito cultuado nas terras de Ekiti Efón.Caçador como Ososi, porem diferentes.
oloje iku ike obarainan

Òtúá Ogbè

É o lagarto velho e experimentado
Que corre com velocidade em pedras
Adivinhação lançada para o homem bom 
O um para quem eles semeariam a semente de discórdia pendente a sua chegada
Lhe pediram que realizasse sacrifício
O homem bom ofereceu o sacrifício
Ele ofereceu o sacrifício por completo
Ele ofereceu um bode madurado
Muito dinheiro
Ele terminou observando seu sacrifício
E o sacrifício foi aceitado
A vida agradou-o Ele começou a dançar e regozijar então
Ele estava louvando o seu Babaláwo
Seu Babaláwo estava louvando a Ifá
Ele disse que era exatamente como seu Babaláwo tinha dito
É o lagarto velho e experimentado
Que corre com velocidade em pedras
Adivinhação lançada para o homem bom
O um que eles semeariam a semente de discórdia pendente a sua chegada
Ifá vê à mente de todos realmente
A terra mãe sabe de uns perversos
A pessoa que é de coração bom. Deus sabe

Aboru Aboye Baba Orunmila. Ase oooo
oloje iku ike obarainan

Itan
Os 5 Ados
Gbengbeleku adivinhou onde quis. Foi feito um jogo divinatório para Igun, primogênito de Eledunmare, no dia em que adoeceu e a preocupação de seu pai era curá-lo.
Igun, primogênito de Eledunmare, que é Agotun, aquele que faz da chuva uma fonte de riqueza.
Eledunmare fez tudo o que pôde, sem sucesso. Cansado, abriu-lhe a porta do aye para que ele fosse morar lá.
Toto Ibara foi quem adivinhou para Òrunmilá quando este lamentava sua falta de sorte na vida. Ele foi consultar seu adivinho para saber se teria dinheiro para poder criar os filhos, para poder ter um lar.
Por essa razão foi consultar Ifá. Seus adivinhos o aconselharam a fazer um ebó com cinco galinhas. Fazendo esse ebó, no quinto dia toda a riqueza desejada chegaria às suas mãos.

As galinhas deveriam ser sacrificadas a seu Eledá, uma a uma, diariamente, até completar cinco dias. Cada galinha sacrificada teria as vísceras retiradas e colocadas numa cabaça, cobertas com azeite de dendê e levadas a uma encruzilhada. O resto da galinha poderia ser consumido por ele e sua família. A caminho da encruzilhada onde seria entregue a oferenda, deveria ir cantando alto: que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim! Até chegar a encruzilhada onde seria entregue a oferenda. Esse ritual deveria prosseguir por cinco dias.

Òrúnmìlà fez conforme o orientado. Assim, ele começou a fazer o ebó. Sacrificava as galinhas e levava suas vísceras para a encruzilhada. Lá chegando, depositava a oferenda e despejava azeite de dendê começava a rezar pedindo que a sorte chegasse para ele.

Havia um mato em frente à encruzilhada onde Òrúnmìlà entregava as oferendas ali vivia Igun, o filho de Eledunmare. Assim que Òrúnmìlà deixava os ebós e saía dali, Igun ia lá e comia a oferenda. Igun, filho de Eledunmare, tinha cinco doenças: uma na cabeça, outra nos braços, outra no peito, nas costas tinha uma corcunda e era aleijado dos pés.

No primeiro dia em que comeu a oferenda de Òrúnmìlà, viu-se curado de problema que tinha na cabeça e surpreendeu-se. No dia seguinte, Òrúnmìlà levou novamente seu ebó à encruzilhada repetindo os mesmos rituais, sem saber que alguém comia a sua oferenda. Assim que Òrúnmìlà saiu da encruzilhada Igun foi lá e comeu de novo a oferenda, se esticaram. No terceiro dia Òrúnmìlà continuou o seu processo, levando sua oferenda à encruzilhada.
Mal terminara de colocar o ebó na encruzilhada, Igun foi lá e comeu dessa oferenda. O peito de Igun, que era inchado, desinchou assim que acabou de comer. No quarto dia, Òrúnmìlà levou seu ebó a encruzilhada, cantando: que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim! Mal terminara de colocar o ebó na terra Igun foi lá novamente e o comeu. Assim que acabou de comer, a corcunda que havia em suas costas desapareceu. No quinto dia Òrúnmìlà levou sua oferenda a encruzilhada para completar os rituais.

No caminho ia cantando o mesmo refrão dos dias anteriores. Mal terminara de colocar o ebó na terra para Igun foi lá novamente e o comeu. Na manhã do sexto dia seus dois pés aleijados haviam adquirido vitalidade e ele passou a sem dificuldade. Começou a caminhar por todos os cantos. E foi assim que ele se curou de todas as suas doenças.

Impressionado com esses fatos Igun levantou-se e foi ao orun para encontrar-se com Eledunmare. Este, logo percebeu que o filho estava curado e lhe perguntou quem o curara.

Igun relatou todo o ocorrido a Eledunmare. Disse-lhe que quem entregava as oferendas era Òrúnmìlà e acrescentou que sempre que Òrúnmìlà levava o ebó s encruzilhada ele entoava o refrão – que a sorte venha a mim! Que sorte venha a mim! Que sorte venha a mim!
Eledunmare disse a Igun que presentearia essa pessoa com riqueza.
Pegou então os quatro ados (dons, graças) e os deu a Igun para que os levasse a Òrúnmìlà, no aye.
Igun disse a Eledunmare que não sabia chegar à casa de Òrúnmìlà e o pai o orientou dizendo que, assim que chegasse ao aye. Igun disse a Eledunmare que não sabia chegar a casa de Òrúnmìlà e o pai o orientou dizendo que, assim que chegasse ao aye, perguntasse às pessoas e elas lhe indicariam o caminho. Antes de Igun sair do orun Eledunmare recomendou que Òrúnmìlà pudesse escolher apenas um dos quatro ado e Igun deveria trazer de os três restantes – o ado da riqueza, dinheiro e prosperidade, o ado da fertilidade, o ado da longevidade e o ado da paciência.

Igun voltou para o aye trazendo os quatro ado. Ao chegar, foi à casa de Òrúnmìlà e lá, mostrou a ele os quatro ado. Òrúnmìlà se surpreendeu muito. Perplexo, em duvida quanto ao que fazer, mandou chamar os filhos a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos quatro escolher.

Os filhos o aconselharam a escolher o ado da longevidade para que vivesse muito. Òrúnmìlà chamou então suas esposas a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos quatro deveria escolher. As esposas aconselharam a escolher o ado da fertilidade para que pudessem ter muitos filhos. Òrúnmìlà chamou seus irmãos a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos quatro deveria escolher. Os irmãos o aconselharam a escolher o ado da prosperidade para que pudessem ter muita riqueza e dinheiro. Òrúnmìlà mandou chamar seu melhor amigo. Esse melhor amigo era exu. Quando exu chegou a sua casa, Òrúnmìlà relatou-lhe o ocorrido e lhe pediu conselho quanto à escolha que deveria fazer. Exu, homem hábil, fez as seguintes perguntas a Òrúnmìlà:
- Teus filhos te aconselharam a escolher qual ado?
Òrúnmìlà respondeu:
- O da longevidade
Exu disse não escolher esse ado porque não há uma única pessoa que tenha vencido a morte e lembrou que por mais tempo que se viva, se morre um dia.
Exu então perguntou:
- E tuas esposas te aconselharam a escolher qual ado?
Òrúnmìlà respondeu:
- O da fertilidade

Exu lhe disse para não escolher esse ado porque Òrúnmìlà já tivera filhos. Perguntou-lhe de novo:
- E teus irmãos? Aconselharam-te a escolher qual ado?
Òrúnmìlà respondeu:
- O da prosperidade
Exu lhe disse para não escolher esse ado porque se ficasse rico eliminaria a pobreza da família. E acrescentou que seus irmãos quisessem prosperar deveriam ir trabalhar.
Òrúnmìlà perguntou então a Exu qual dos ado deveria escolher. E exu lhe disse para escolher o ado da paciência porque sua paciência era insuficiente para permitir que chegasse onde desejava. Caso Òrúnmìlà seguisse de fato esse conselho e escolhesse o ado da paciência, todo o ados restantes seriam seus. Òrúnmìlà aceitou a orientação de exu. Escolheu o ado da paciência e devolveu a Igun os três restantes.
Nem os filhos, nem as esposas, ne os irmãos ficaram felizes com sua escolha,

Igun partiu então, de volta, levando consigo os três ado restantes para devolvê-los a Eledunmare. Mal andara um pouco com eles o ado da riqueza lhe perguntou:
- Onde está a paciência?
Igun respondeu que ela ficara na casa de Òrúnmìlà. Riqueza disse a Igun que voltaria para ficar com paciência porque só fica onde ela está. Igun lhe disse que isso era inaceitável e que Riqueza deveria retornar com ele ao orun. Riqueza insistiu que só fica onde há paciência e que, por isso, não tinha porque retornar ao orun. Em pouco, desapareceu da mão de Igun e nesse tempo foi juntar-se a Paciência na casa de Òrúnmìlà.
Fertilidade também perguntou a Igun por Paciência. Igun lhe respondeu que ela estava na casa de Òrúnmìlà. Fertilidade lhe disse que só fica onde há paciência. Assim, Fertilidade levantou-se e procurou estar, em pouco tempo, junto com Paciência na casa de Òrúnmìlà.

Longevidade também perguntou a Igun onde estava Paciência. Igun lhe respondeu que ela estava na casa de Òrúnmìlà. Longevidade também foi se juntar a Paciência.

Quando Igun chegou ao orun Eledunmare lhe perguntou onde estavam os três ado restantes. Igun lhe respondeu que retornara para contar a Eledunmare que todos os ado haviam querido ficar junto com Paciência na casa de Òrúnmìlà. E que pretendia retornar ao aye para buscá-los e trazê-los de volta ao orun. Eledunmare lhe disse que ele não precisava ir buscar os três ado pois, de fato, todos pertencem a quem escolher Paciência. Quem tiver paciência terá longevidade, fertilidade. Procriará e viverá bem com o que procriar. E terá também Riqueza.

Assim tudo transcorreu bem com Òrúnmìlà e, com essas graças, veio a ser rei de Ketu. Procriou e viveu bastante com esses ado. Teve tanta riqueza que construiu casas pelo mundo.

Feliz por suas conquistas montou em seu cavalo e cantou: - Recebi o ado da riqueza, recebi o ado da fertilidade, recebi o ado da longevidade, oh, recebi o ado da paciência. Dançou e alegrou-se. Louvou seus adivinhos e louvou também a exu, o seu amigo.

oloje iku ike obarainan