sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Itan
Os 5 Ados
Gbengbeleku adivinhou onde quis. Foi feito um jogo divinatório para Igun, primogênito de Eledunmare, no dia em que adoeceu e a preocupação de seu pai era curá-lo.
Igun, primogênito de Eledunmare, que é Agotun, aquele que faz da chuva uma fonte de riqueza.
Eledunmare fez tudo o que pôde, sem sucesso. Cansado, abriu-lhe a porta do aye para que ele fosse morar lá.
Toto Ibara foi quem adivinhou para Òrunmilá quando este lamentava sua falta de sorte na vida. Ele foi consultar seu adivinho para saber se teria dinheiro para poder criar os filhos, para poder ter um lar.
Por essa razão foi consultar Ifá. Seus adivinhos o aconselharam a fazer um ebó com cinco galinhas. Fazendo esse ebó, no quinto dia toda a riqueza desejada chegaria às suas mãos.

As galinhas deveriam ser sacrificadas a seu Eledá, uma a uma, diariamente, até completar cinco dias. Cada galinha sacrificada teria as vísceras retiradas e colocadas numa cabaça, cobertas com azeite de dendê e levadas a uma encruzilhada. O resto da galinha poderia ser consumido por ele e sua família. A caminho da encruzilhada onde seria entregue a oferenda, deveria ir cantando alto: que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim! Até chegar a encruzilhada onde seria entregue a oferenda. Esse ritual deveria prosseguir por cinco dias.

Òrúnmìlà fez conforme o orientado. Assim, ele começou a fazer o ebó. Sacrificava as galinhas e levava suas vísceras para a encruzilhada. Lá chegando, depositava a oferenda e despejava azeite de dendê começava a rezar pedindo que a sorte chegasse para ele.

Havia um mato em frente à encruzilhada onde Òrúnmìlà entregava as oferendas ali vivia Igun, o filho de Eledunmare. Assim que Òrúnmìlà deixava os ebós e saía dali, Igun ia lá e comia a oferenda. Igun, filho de Eledunmare, tinha cinco doenças: uma na cabeça, outra nos braços, outra no peito, nas costas tinha uma corcunda e era aleijado dos pés.

No primeiro dia em que comeu a oferenda de Òrúnmìlà, viu-se curado de problema que tinha na cabeça e surpreendeu-se. No dia seguinte, Òrúnmìlà levou novamente seu ebó à encruzilhada repetindo os mesmos rituais, sem saber que alguém comia a sua oferenda. Assim que Òrúnmìlà saiu da encruzilhada Igun foi lá e comeu de novo a oferenda, se esticaram. No terceiro dia Òrúnmìlà continuou o seu processo, levando sua oferenda à encruzilhada.
Mal terminara de colocar o ebó na encruzilhada, Igun foi lá e comeu dessa oferenda. O peito de Igun, que era inchado, desinchou assim que acabou de comer. No quarto dia, Òrúnmìlà levou seu ebó a encruzilhada, cantando: que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim! Mal terminara de colocar o ebó na terra Igun foi lá novamente e o comeu. Assim que acabou de comer, a corcunda que havia em suas costas desapareceu. No quinto dia Òrúnmìlà levou sua oferenda a encruzilhada para completar os rituais.

No caminho ia cantando o mesmo refrão dos dias anteriores. Mal terminara de colocar o ebó na terra para Igun foi lá novamente e o comeu. Na manhã do sexto dia seus dois pés aleijados haviam adquirido vitalidade e ele passou a sem dificuldade. Começou a caminhar por todos os cantos. E foi assim que ele se curou de todas as suas doenças.

Impressionado com esses fatos Igun levantou-se e foi ao orun para encontrar-se com Eledunmare. Este, logo percebeu que o filho estava curado e lhe perguntou quem o curara.

Igun relatou todo o ocorrido a Eledunmare. Disse-lhe que quem entregava as oferendas era Òrúnmìlà e acrescentou que sempre que Òrúnmìlà levava o ebó s encruzilhada ele entoava o refrão – que a sorte venha a mim! Que sorte venha a mim! Que sorte venha a mim!
Eledunmare disse a Igun que presentearia essa pessoa com riqueza.
Pegou então os quatro ados (dons, graças) e os deu a Igun para que os levasse a Òrúnmìlà, no aye.
Igun disse a Eledunmare que não sabia chegar à casa de Òrúnmìlà e o pai o orientou dizendo que, assim que chegasse ao aye. Igun disse a Eledunmare que não sabia chegar a casa de Òrúnmìlà e o pai o orientou dizendo que, assim que chegasse ao aye, perguntasse às pessoas e elas lhe indicariam o caminho. Antes de Igun sair do orun Eledunmare recomendou que Òrúnmìlà pudesse escolher apenas um dos quatro ado e Igun deveria trazer de os três restantes – o ado da riqueza, dinheiro e prosperidade, o ado da fertilidade, o ado da longevidade e o ado da paciência.

Igun voltou para o aye trazendo os quatro ado. Ao chegar, foi à casa de Òrúnmìlà e lá, mostrou a ele os quatro ado. Òrúnmìlà se surpreendeu muito. Perplexo, em duvida quanto ao que fazer, mandou chamar os filhos a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos quatro escolher.

Os filhos o aconselharam a escolher o ado da longevidade para que vivesse muito. Òrúnmìlà chamou então suas esposas a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos quatro deveria escolher. As esposas aconselharam a escolher o ado da fertilidade para que pudessem ter muitos filhos. Òrúnmìlà chamou seus irmãos a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos quatro deveria escolher. Os irmãos o aconselharam a escolher o ado da prosperidade para que pudessem ter muita riqueza e dinheiro. Òrúnmìlà mandou chamar seu melhor amigo. Esse melhor amigo era exu. Quando exu chegou a sua casa, Òrúnmìlà relatou-lhe o ocorrido e lhe pediu conselho quanto à escolha que deveria fazer. Exu, homem hábil, fez as seguintes perguntas a Òrúnmìlà:
- Teus filhos te aconselharam a escolher qual ado?
Òrúnmìlà respondeu:
- O da longevidade
Exu disse não escolher esse ado porque não há uma única pessoa que tenha vencido a morte e lembrou que por mais tempo que se viva, se morre um dia.
Exu então perguntou:
- E tuas esposas te aconselharam a escolher qual ado?
Òrúnmìlà respondeu:
- O da fertilidade

Exu lhe disse para não escolher esse ado porque Òrúnmìlà já tivera filhos. Perguntou-lhe de novo:
- E teus irmãos? Aconselharam-te a escolher qual ado?
Òrúnmìlà respondeu:
- O da prosperidade
Exu lhe disse para não escolher esse ado porque se ficasse rico eliminaria a pobreza da família. E acrescentou que seus irmãos quisessem prosperar deveriam ir trabalhar.
Òrúnmìlà perguntou então a Exu qual dos ado deveria escolher. E exu lhe disse para escolher o ado da paciência porque sua paciência era insuficiente para permitir que chegasse onde desejava. Caso Òrúnmìlà seguisse de fato esse conselho e escolhesse o ado da paciência, todo o ados restantes seriam seus. Òrúnmìlà aceitou a orientação de exu. Escolheu o ado da paciência e devolveu a Igun os três restantes.
Nem os filhos, nem as esposas, ne os irmãos ficaram felizes com sua escolha,

Igun partiu então, de volta, levando consigo os três ado restantes para devolvê-los a Eledunmare. Mal andara um pouco com eles o ado da riqueza lhe perguntou:
- Onde está a paciência?
Igun respondeu que ela ficara na casa de Òrúnmìlà. Riqueza disse a Igun que voltaria para ficar com paciência porque só fica onde ela está. Igun lhe disse que isso era inaceitável e que Riqueza deveria retornar com ele ao orun. Riqueza insistiu que só fica onde há paciência e que, por isso, não tinha porque retornar ao orun. Em pouco, desapareceu da mão de Igun e nesse tempo foi juntar-se a Paciência na casa de Òrúnmìlà.
Fertilidade também perguntou a Igun por Paciência. Igun lhe respondeu que ela estava na casa de Òrúnmìlà. Fertilidade lhe disse que só fica onde há paciência. Assim, Fertilidade levantou-se e procurou estar, em pouco tempo, junto com Paciência na casa de Òrúnmìlà.

Longevidade também perguntou a Igun onde estava Paciência. Igun lhe respondeu que ela estava na casa de Òrúnmìlà. Longevidade também foi se juntar a Paciência.

Quando Igun chegou ao orun Eledunmare lhe perguntou onde estavam os três ado restantes. Igun lhe respondeu que retornara para contar a Eledunmare que todos os ado haviam querido ficar junto com Paciência na casa de Òrúnmìlà. E que pretendia retornar ao aye para buscá-los e trazê-los de volta ao orun. Eledunmare lhe disse que ele não precisava ir buscar os três ado pois, de fato, todos pertencem a quem escolher Paciência. Quem tiver paciência terá longevidade, fertilidade. Procriará e viverá bem com o que procriar. E terá também Riqueza.

Assim tudo transcorreu bem com Òrúnmìlà e, com essas graças, veio a ser rei de Ketu. Procriou e viveu bastante com esses ado. Teve tanta riqueza que construiu casas pelo mundo.

Feliz por suas conquistas montou em seu cavalo e cantou: - Recebi o ado da riqueza, recebi o ado da fertilidade, recebi o ado da longevidade, oh, recebi o ado da paciência. Dançou e alegrou-se. Louvou seus adivinhos e louvou também a exu, o seu amigo.

oloje iku ike obarainan
A Iniciação no Jeje

(cortei um monte de coisa e fiz somente um simples relato,pois os loucos de plantão sabe ne? . obrigado oloje)

De um modo geral, a iniciação no Jeje é mais complicada do que a iniciação da Nação Ketu, a começar pelo tempo de reclusão dos neófitos que no passado durava até um ano. Hoje, devido ao ritmo de nossas vidas, este tempo caiu para seis meses. Três meses a vodunsi fica dentro do Hundeme (quarto de santo) e os outros três meses fora dele, mas ainda na roça. Durante seu período de iniciação a Vodunsi passará por várias etapas, entre as quais pode-se citar Sakpokàn ou Sarakpokàn, Vivauê, Kán, Duká, Zò, Sanjebé, Grá (ou Grã), etc. Dentre estes os de maior destaque o Sakpokàn e o Grá.

A iniciação no Jeje Mahi sempre contece com formação de “barcos” ou “ahamas”, pois pela tradição nunca se recolhe uma única pessoa e nem barcos com números pares de componentes, levando ao entendimento de que sempre que houver iniciação deve-se ter no mínimo três Vodunsis em processo, na roça. Em geral cada sacerdote ou sacerdotisa Jeje Mahi, durante seu comando, não recolhem muitos barcos; a quantidade controlável de filhos de santo é muito importante, pois há um ditado que diz “é melhor ter poucos filhos bons a muitos ruins”. Na Casa das Minas também não é diferente.

A iniciação da Vodunsi começa com a filha “bolando” (caindo) aos pés da arvore consagrada a seu Vodun (atinsá), e ali ela permanecerá desacordada durante sete dias e sete noites. Dizem que já houve casos de vodunsis consagradas a voduns aquáticos que ficaram esse período na água. A ordem das vodunsis no barco se dá pela ordem conforme elas vão “bolando” nos atinsás, assim teremos:

A primeira será Dofona (o) ( Dòfònun)
A segunda será Dofonotinha (o) (Dòfònuntín)
A terceira será Fomo (Fòmò ou Yòmò)
A quarta será Fomotinha (o) (Fòmòtín)
A quinta será Gamo (Gàmò)
A sexta será Gamotinha (o) (Gàmòtín)
A sétima será Vimo (Vimun)
E ainda pode-se seguir vimotinho, dimu, dimutinho, etc.
Durante o tempo que a Vodunsi permanecer debaixo do atinsá de seu Vodun, será cuidada pelos Ogãs e Ekedjis. Neste período, a mãe de santo (ou pai) é proibida de ir ver a filha. Isso por que a(o) zeladora(o) pode sentir pena da Vodunsi e de certa forma pode querer ajudá-la, afim de aliviá-la de seu estado. Acabando os sete dias, a vodunsi ainda desfalecida será levada pelos ogans até o zelador, no Hundeme, para que este inicie a feitura. O momento em que a vodunsi acorda do desfalecimento é considerado como um renascimento, após passar pela morte ritual e acordar numa nova vida, agora como Vodunsi, um compromisso que deverá carregar consigo por toda sua vida. A partir daí a vodunsi passará por processos de limpezas, descarregos, banhos de ervas, ebós, e durante uma semana deverá descansar até o dia do Sakpokàn ou Sarakpokàn. O Sakpokàn é uma cerimônia que acontece sete dias após o inicio dos rituais de feitura, quartorze dias após o “bolar”, na qual a vodunsi dança manifestada com seu Vodun. A dança é desajeitada e desordenada. O Sakpokàn também representa a despedida da Vodunsi de seus familiares que forem assistir ao ritual, que só verão a vodunsi novamente meses depois, no “dia do nome”. No dia do Sakpokàn a Vodunsi será raspada e catulada. Das etapas de iniciação que a nova Vodunsi deve passar, a mais intrigante e misteriosa é o Grá.

O Grá

O Grá é uma divindade ou entidade violenta e agressiva que se manifesta na Vodunsi apenas na sua iniciação, durante três dias, e próximo ao “dia do nome”. O principal objetivo do Grá é matar o(a) zelador (a) que deverá permanecer escondido nos aposentos da casa durante os três dias em que o Grá estiver manifestado. O Grá é acompanhado pelos Ogans, Ekedis e algumas Vodunsis antigas que farão com que ele realize algumas penitências, fazendo-o cansar. Há um número certo de pessoas que poderão acompanhar o Grá que durante estes três dias ficará solto pelo pátio da roça comendo tudo que encontrar como folhas de árvores e frutos caídos, motivos estes que exigem que a roça seja grande e com bastante árvores. As pessoas que acompanham o Grá, assim como ele mesmo, carregam um porrete com o qual ele tenta agredir as pessoas e realiza sua penitência, que tem como objetivo levar todo mal e toda energia negativa da Vodunsi, e também o objetivo principal de cansar o Grá para que ele não cause tanto transtorno. Durante os dias de penitência, os acompanhantes entoam certas cantigas específicas. Após os três dias procurando o(a) zelador(a), o Grá tem o encontro tão esperado, que acontecerá no Agbasá (salão de dança). Ao som de paó e adahun, o Grá entra pela porta principal do Agbasá e se deparara com o(a) zelador(a), que estará sentado(a) em uma cadeira esperando por ele, partindo pra cima do mesmo para matá-lo. Neste instante todo cuidado é pouco, pois o Grá pode ferir o(a) zelador(a). Quando o Grá adentra o Agbasá, os Ogans correm para tirar-lhe o porrete que ele luta para não entregar. É um momento de extase. Nesse instante os tambores tocam com mais força e o(a) zelador(a), então nervoso e sem poder sair da cadeira, entoa uma cantiga e a Vodunsi cai desfalecida no chão e logo em seguida é pega pelo Vodun. É um alivio total e o ritual do Grá chegou ao fim. A quem diga que o Grá é um Erê malvado, outros dizem que é o Exu do Vodun, outros ainda dizem que é o lado negativo do Vodun ou mesmo da própria Vodunsi, um lado animalesco e primitivo seu, que está no seu inconsciente, que manifestou-se em seu renascimento e que foi mandado embora para sempre. O Grá despeja pra fora toda raiva e o ódio da Vodunsi. Como se depois do Grá não houvesse mais ódio, raiva, rancor dentro da Vodunsi, somente o que é bom e benéfico. Significa que a Vodunsi nunca mais sentirá fome, nunca mais vai dormir no relento, nunca mais irá confrontar ou agredirá seu(a) zelador(a), fisicamente ou com palavras, pois o Grá levou isso com ele. O ritual do Grá envolve muitas simbologias e interpretações que pelas leis do Jeje não poderei citá-las aqui.

O Dia do Nome

O Dia do Nome é um dia muito especial, com cerimônia pública (Zandró) no Jeje Mahi. O Vodum manifestar-se-á em sua Vodunsi e vai dançar na sala. Antigamente, uma única pessoa era escolhida para tomar o nome particular (Hún ìn) do Vodun de todas no “barco”, sendo considerado(a) padrinho ou madrinha do “barco”. Hoje geralmente são escolhidos mais de uma pessoa para esta tarefa. Após este dia, a iniciante agora sim é uma Vodunsi.

As vodunsis sempre usam seus nomes religiosos, determinado por sua posição no barco e seu vodum, assim poderemos ter, por exemplo, Dofona Ongorensi (feita de Gbesén), Dofonotinha Sogbosi (feita de Sògbò), Fomo Togbosi (feita de Aziri Togbosi), Fomutinha Òsúnsi (feita de Osún), Gamo Lokosi (feita de Loko), e assim por diante. Se a Vodunsi atingir um grau sacerdotal apenas acrescentará a frente de seu nome, o cargo, desta forma: Mègitó Dofona Ongorensi, Doné Dofonotinha Sogbosi, Gaiaku Gamo Lokosi.
oloje iku ike obarainan

Ritual do Panã.
O iaô ainda desorientado devido ao longo período de transe e clausura, com os movimentos ainda trôpegos, recebe orientação do seu Babalorixa ou Yalorixa para executar as tarefas que serão usadas em seu dia a dia, tais como varrer, costurar, lavar, passar, sentar-se à mesa, cozinhar, etc. Numa dramatização muito divertida onde todos da comunidade tem um grande prazer de participar, rindo e até mesmo ajudando o novo iniciado. O ritual de apanã tem a finalidade de fazer com que o noviço reaprenda as atividades do mundo profano e cotidiano, para que nada lhe seja prejudicial no futuro e também entenda que já é hora de voltar à sua vida normal, apesar de aproveitar mais um pequeno período do seu mundo sobrenatural, estabelecendo neste momento o ewo temporário ou permanente, que o noviço terá a responsabilidade de obedecer, finalizando este ritual com outro rito chamado Kàrô (juramento feito diante do obi e uma quartinha).
Caída de kelê
Kelê de Obaluaye colocado em uma escultura do próprio orixá para tirar a foto - candomblé.
Porém a Iaô ainda não terminou as obrigações terá ainda que cumprir um resguardo normalmente de três meses e continuar usando o kelê (uma gargantilha de contas) que foi colocada em seu pescoço no início da feitura de santo. Durante esses três meses o Iaô continuará dormindo numa esteira, usará roupas brancas e seguir uma série de restrições denominada de ewo. Terminado o período de quelê, é feita a retirada do mesmo e outra festa é feita para comemorar a comumente chamada "caída de quelê".
É o período mais difícil para o Iaô que precisa voltar a trabalhar, muitos se iniciam no período de férias do trabalho e quando termina as férias precisam voltar para um ambiente onde sem dúvida será notado por todos, discriminado por alguns e terá que se manter calado, terá muitos problemas na hora das refeições, pois está proibido de entrar em bares e restaurantes, terá que levar uma marmita e aceitar os olhares de curiosidade.
Algumas casas atualmente por esse motivo têm feito alguns acordos com os Orixás para que o Iaô que precisa trabalhar já saia da roça sem o kelê, mas terá que cumprir todos os itens do resguardo nos mínimos detalhes. Nesse caso não precisará usar somente branco, poderá usar roupas de cores bem claras como azul, rosa, bege, cinza, tudo para não chamar muito a atenção. Existem casos de firmas que o uniforme é preto, marrom, azul marinho, nesses casos o Orixá permite, não vai querer que seu filho perca o emprego.
Obrigações
Iyawo São os novos iniciados de Orixá da Casa de Candomblé, durante o período de sete anos, e serão subordinados pelas pessoas de Cargos/Posto da casa. E deve obediência aos seus mais velhos. E deverão concluir suas obrigações de 1, 3 e 7 anos. Ser Iyawo, além de outros preceitos, é permanecer recolhido por um período de 21 dias, passando por doutrinas e fundamentos, para conceber a força do Orixá. Saem da vida material e nascem na vida espiritual com um novo nome orùnkò. O Mòócan e os Delègún são os comprovantes e o diploma do iniciado.
Obrigação de um ano
(Odueta) ou (odú Kíní) É às obrigações muito importantes é considerada como fim do resguardo do Iyawo após sua iniciação. Somente esta obrigação dará ao iniciado à liberdade de viver materialmente sem restrições na sociedade e no seu convívio familiar e pessoal.
Até fazer um ano de feitura ou pagar sua obrigação de um ano (odú Kíní), ainda terá algumas restrições (ewo temporário. como cortar cabelo, tomar banho de mar e outros. Será feita na obrigação de um ano de feitura, uma nova festa para comemorar a data onde serão oferecidos comida ritual, frutas e flores.
Obrigação de três anos
(Oduetá) Esta obrigação é considerada a confirmação da continuidade do iniciado no Axé, e já está autorizado a conceber o seu ajuntó, e a começar ser liberado e graduado pelo seu babalorixá, a usar fios com Seguis e Bràjà dependendo do Orixá, e poderá deixar de usar Mòócan e Delègún. (conforme orientação do babalorixá)
Outra obrigação é feita aos três anos de feitura (odú kétà), algumas casas ou nações fazem também uma de cinco anos, mas no candomblé ketu considera-se um ano, três e sete anos. Ele ou ela permanecerá como Iaô até completar os sete anos de feitura e fazer a obrigação de sete anos (odu ejé).
Obrigação de sete anos
(Oduijé) ou Odu ejé (a pronúncia do acento é fechada) É uma das maiores obrigações de uma casa de Candomblé, que todos os iniciados serão obrigados a tomar sem exceção. Com essa obrigação o iniciado poderá receber posto, cargo, titulo e direitos de independência do seu babalorixá.
Só quando fizer a obrigação de sete anos Odu ejé é que será considerado um Egbomi.
A obrigação de sete anos é tão grande e importante quanto a feitura, nessa obrigação é que será definido se o Egbomi irá abrir uma casa ou não. A Iyalorixá entregará para o Egbomi no ato da festa seus pertences (jogo de búzios, pembas, favas, sementes, tesoura, navalha, tudo que vai precisar para iniciar Iaôs) no Ketu é chamdo Odu Ijê com Oyê, em outras nações é chamado de Deká, Peneira, Cuia, etc.
Caso o Orixá da pessoa não queira abrir uma casa e queira continuar na roça da Iyalorixá, o Orixá depositará os objetos recebidos nos pés da Iyalorixá e sua filha não abrirá uma casa, continuará na roça onde normalmente receberá um posto para ajudar a Iyalorixá.
Quando o Orixá aceita a Egbomi receberá todas as homenagens dos presentes pois está sendo consagrada como uma nova Iyalorixá se for homem Babalorixá. Nesse caso terá que providenciar uma casa para onde será levado seu Orixá e iniciar um novo Ile axé.
- OIYE - quer dizer titulo independência, são pessoas que já tomaram seus sete anos e necessitam de um TITULO dado pelo seu babalorixá, para ser independente e Zelador (a) de Orixás, sacerdócio. Esse Oiye pode ser também um cargo na casa do babalorixá onde fez a obrigação.
- DEKA - é autorização (direitos) de conduzir a sua própria casa de Candomblé, atendimento de seus adeptos e consulentes, jogar búzios, tirar ebós e iniciar pessoas no Orixá, ou Vodum dependendo da nação etc.. Na nação Jeje receberá um Húnjèbé é o Titulo de sacerdócio exclusivo da nação Jeje e um amuleto do Egbònme, é o diploma dado pelo Voduno para dar continuidade do aprendizado dos fundamentos dos Voduns.
Iniciação de Ogans e Ekedis
Para os cargos ou postos de Ogan e Ekedi normalmente são pessoas escolhidas pela Iyalorixá ou por algum Orixá da casa, serão pessoas de sua inteira confiança, pois ficarão com a responsabilidade de zelar da casa e da festa enquanto a iyalorixá estiver em transe.
Uma vez que não entram em transe, Ogans e Ekedis passam por todos os preceitos que passam os Iaôs inicialmente e até um determinado momento, mas durante o desenrolar da obrigação constatado que não entrará em transe, é confirmado através do jogo de búzios no merindilogun o Orixá que trará o Orunkó do Ogan ou da Ekedi na festa.
Se foi escolhido pelo Orixá da Iyalorixá ou Babalorixá ou pelo Orixá de uma das Egbomis da casa, o Orixá que o escolheu é que sairá no barracão acompanhando o iniciado. Nesse caso a festa não terá tantas saídas como as saídas de Iaô. Mas no final terá o mesmo banquete de confraternização entre todos presentes.
Quanto ao resguardo e ewo também não será igual ao do Iaô, será de acordo com o jogo de búzios, mas geralmente é de 21 dias de Quelê e normalmente cumpridos na roça, no caso de impossibilidade por motivo de trabalho, sai de manhã para trabalhar e vem dormir na roça até terminar o período de Quelê. Normalmente o Ogan e a Ekedi não cumprem o mesmo resguardo do Iaô, por não ter realizado todos os preceitos necessários ao último. Quando iniciados, equivalem ao Ebômi em idade de santo, tendo portanto os 7 anos de idade perante os Iaôs.
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A VERDADE SOBRE ABIAXÉ

1 – Abiaxé é aquele que nasceu dentro do terreiro, cujo parto se deu no axé, e isso hoje é quase impossível por todos os motivos que sabemos.
2 – Abiaxé é aquele que a gravidez só foi descoberta quando a mãe estava no roncó sendo iniciada/raspada, o que também é muito raro hoje.

Elvira eu tenho visto que muitos confundem as coisas e dizem que basta a criança estar no ventre quando a mãe tomar qualquer obrigação para aquela criança ser considerada um abiaxé. Isso não é verdade, a condição de abiaxé é ímpar e rara.
Não é em jogo que se vê isso, é na própria circunstancia do nascimento que se determina o abiaxé.

Eu aprendi que um abiaxé deve ser raspado como qualquer outro filho, afinal, quem passou pelos oros de iniciação foi a mãe, e por este motivo, o abiaxé deve ser iniciado normalmente, raspado e tudo mais. Muitos também dizem que o abiaxé conta o mesmo tempo de iniciação da mãe. Eu aprendi que não, as obrigações de tempo não são dadas tendo como base o tempo cronológico. As obrigações de tempo obedecem a um tempo diferenciado, é o tempo do axé, e neste tempo o que vale é o aprendizado individual da pessoa, antes de dar obrigação é preciso saber se aquela pessoa está apta a tomar obrigação, se ela aprendeu alguma coisa do axé que a habilite a ingressar em novos mundos de aprendizado do axé, e isso tem seu tempo pra cada pessoa. Obrigação de tempo (01, 03 e 07) são passagens de níveis de responsabilidades com o Egbé (família).
Se as Casas de Axé respeitassem este detalhe não teríamos tantos problemas na religião com pessoas que desconhecem a liturgia e o sagrado da nossa cultura religiosa (desabafo meu, desculpe).

Por tanto, um abiaxé deve percorrer o mesmo caminho dos demais, ser inciado, aprender, dar obrigação de tempo e só depois ser um mais velho (egbomi)
oloje iku ike obarainan
Qualidades do Orixá Omolú

Omolu Afenan: É velho, dança curvado, veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumarê e Oyá, de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.
Omolu Afoman, Akavan ou Kavungo: (ligação com Exu) afomo; contagiante, infeccioso.
Omolu Ahosuji ou Segí (Ligação com Yemanjá, Oxumarê ou Bessen):
Omolu Ajunsun: É extrovertido; tem fundamentos com Ogum e Oxalá.
Omolu Arawe ou Arapaná (ligação com Oyá):
Omolu Arinwarun (wariwaru): Título de Xapanan.
Omolu Avimaje ou Ajiuziun (ligação com Nana, Ossain):
Omolu Azoani: É jovem, veste preto e branco. Tem caminhos com Iroko, Oxumarê, Yemanjá e Oyá. Come tatu na praia.
Omolu Azunsun, Azonsu, Ajansu ou Ajunsu: É ligado ao tempo, as estações do ano e ao culto da terra. É o verdadeiro dono do cuscuzeiro. Possui ligação com Oxalá e Oxumarê. Seu assentamento é feito no barro vermelho, leva 9 olhos de boi, duas muletas pequenas de cedro, suas lanças são sete sendo uma maior que as outras, no meio leva uma bandeira de aço e na outra um tridente. Veste vermelho, preto e branco, na perna esquerda leva uma pulseira de aço.
Omolu Intoto: Suas contas são vermelho e preto. É um orixá cultuado em seu assentamento e não vira na cabeça de ninguém. Antigamente recebia sacrifícios humanos por se tratar de um orixá antropófago, come a carne e destrói os ossos. O Iyàwó é feito de Oxum ou Azoani. Dá-se comida a terra. Este orixá é Abìkú, portanto não se raspa, pois representa o fundo da terra. Come com Ewá, Oyá e Ikú. Seus assentos são cultuados ao lado de Nanã e Yemanjá.
Omolu Jagu Jagun ou Ajagun: Em seu assentamento leva uma estatuazinha com olhos; tem dois kelês, um de búzios e outro de miçangas. Tem caminhos com Oxalá. É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada okó; tem caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. É cultuado no dia 17 de dezembro. Seu cuscuzeiro leva uma seta só, vindo de dentro de uma bacia com 9 pratinhos brancos de barro. Não come feijão preto; come miúdos de boi no azeite doce. É o único que come Igbin (Caracol).
Omolu Jagun Agbagba (ligação com Oyá):Provisoriamente sem dados inerentes a este caminho do Orixá Omolu.
Omolu Obàluáyê: É o rei da terra, na Nigéria os Owo Érindínlogun adoram Obaluaiê e usam, no punho esquerdo, uma tira de Igbosu (pano africano) onde são costurados cauris esó. Sua vestimenta é feita de ìko, é uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a “palha da costa”, elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e o sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto. Compostos de duas partes o “Filá” e o “Azé”, a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé, seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú”, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte. Sua festa anual é o Olubajé, (Olu-aquele que, ba-aceita, jé-comer; ou ainda aquele-que-come), são feitas oferendas e são servidas suas comidas votivas, seus “filhos” devidamente “incorporados” e paramentados oferecem as mesmas aos convidados/assistentes desta festa, em folhas de bananeira ou mamona. Suas quizilas (proibições) mudam de casa para casa, e de nação para nação; carneiro, peixe de rio de couro, caranguejo, carne de porco, pipoca, jaca… Tido como filho de Nanã, no Brasil, sua origem, forma, nome e culto na África é bastante variado, de acordo com a região, essa variação de nomes é de conformidade com a região, Obàluáyê ou Xapanã em Tapá (nupê) chegando ao território Mahi ao norte do Daomé; Sapata é sua versão fon, trazido pelos nagôs. Em alguns lugares se misturam em outros são deuses distintos, confundido até com Nanã Buruku; Omoluem keto e Abeokutá. Seuparentesco com Oxumarê e Iroko é observado em Keto (vindo de Aisê segundo uns e Adja Popo segundo outros), onde pode se ver uma lança (oko Omolu) cravada na terra, esculpida em madeira onde figuram esses três personagens superpostos, também em Fita próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju, recebera o fetiche Moru, três fetiches ao mesmo tempo Moru (Omolu), Dan (Oxumarê) e seu filho Loko (Iroko).
Omolu Possun ou Posuru: É o mesmo Azunsun do Gege, louvado como Possun no ketu e na angola, tanto é Iroko como Tempo. Come diretamente da terra. Sua dança mostra claramente sua ligação discreta com Exu e com a terra, dança com garras na mão. Seu assentamento leva uma bola de tabatinga que representa o mundo, e põe-se as garras. Come cágado e tatu. Tem caminhos com Intoto, Iroko e Oyá.
Omolu Sapona, Soponna, Sapata ou Sakpatá: É o mais antigo; é proibido falar seu nome. Na África quando se fala seu nome, coloca-se mel na boca. Come com Exu e tem fundamento nas encruzilhadas. Tem caminhos com Oxossi e é o deus da varíola e das doenças de pele. Usa contas brancas e pretas; em sua feitura são feitas sete qualidades de comidas, colocadas na folha de mamona e levadas com uma vela para o campo.Leva dois kelês, um no pescoço e um na perna esquerda (duas argolas de aço). No dia do recolhimento leva-se o Iyàwó na porta do cemitério para Ebó. É preparado no barro vermelho.
Omolu Savalu ou Sapekó (ligação com Nana):
Omolu Tetu ou Etetu: É jovem e guerreiro. Come com Ogum e Oyá. Veste branco, preto e vermelho. Seu caqueiro é tampado e não se abre nunca.
oloje iku ike obarainan
O PORQUE OYA NÃO COME ABOBORA

Na verdade o que Iansã tem pela abóbora não é bem quizila, a quizila é para os filhos desta, Iansã tem pela abóbora GRATIDÃO. 

Conforme uma determinada lenda, normalmente contada nos candomblés, Iansã quase foi morta por um carneiro que a traiu chamando inimigos de Oya para que a matassem, e para fugir destes Iansã precisou se esconder no meio de uma plantação de abóboras por toda uma noite disfarçada como tal, e por gratidão de ter escapado da morte jurou nunca mais comer abóbora. 
OLOJE IKU IKE OBARAINAN
PORQUE OXOSSI NÃO COME MEL

Conta-se que o grande caçador entrou na mata com seu filho, Logun edé, ensinando-lhe a arte de caçar e manejar o arco e a flecha, Após inúmeras caçadas, Logun sentou-se embaixo de uma árvore para descansar. Nessa árvore pousou um pássaro e Oxossi preparou sua arma e atirou. Acertou em cheio pássaro e, também, uma colmeia de abelhas. Elas foram cair justamente sobre a cabeça de Logun, que sem ter como se defender foi picado.
Oxossi vendo o desespero do filho, correu a acudi-lo, sendo mordido várias vezes. Conseguindo fugir, deitou seu filho em folhas frescas e, sem saber o que fazer, pôs-se a chorar. Eis que o Òrixá Omulú vendo aquilo, parou e apiedou-se do estado de Logun, pois, a criança estava morrendo. Omulu tirou de sua capanga água de cana e gengibre, pilou e aplicou sôbre os ferimentos, aliviando as dores. Após isto, fez o mesmo com Oxossi, curando-o completamente.
Oxossi então disse-lhe: Senhor dos aflitos, ponho o meu reino a seus pés e toda a minha caça que daqui por diante eu conseguir, comeremos juntos. Omulu agradeceu e seguiu seu caminho. Então Oxossi jurou que nunca mais comeria o mel, pois, o mel o faria lembrar todo o sofrimento seu e de seu filho. Por isso Oxossi não leva mel e Logun é lavado com açucar mascavo e gengibre.

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