quarta-feira, 6 de novembro de 2013



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sobre as brasas escaldantes das fogueiras.Nessa qualidade, os seguidores de Airá têm espírito jovem, perigoso,violento, intolerante, mas são brincalhões, alegres, gostam de dançar ecantar.
Airá Osi
É o eterno companheiro de Oxaguiã. Um dia, passando Oxaguiã pelasterras onde vivia Airá Osi, despertou no jovem grande entusiasmo por seuporte de guerreiro e vencedor de batalhas. Sem que Oxaguiã se desseconta, Airá trocou suas vestes vermelhas pelas brancas dos guerreiros deOxaguiã, misturando-se aos soldados do rei de Ejibô. No caminhoencontraram inimigos ao que Osi, medroso que era, escondeu-se atrás deuma grande pedra. Oxaguiã observava a disputa do alto de um monte,esperando o momento certo de entrar nela, mas, para sua surpresa,percebeu que um de seus soldados estava de cócoras, escondido atrás dapedra. Sorrateiramente Oxaguiã interpelou seu soldado e para suasurpresa deparou-se com Airá que chorava de medo, implorando seuperdão, por haver enganado o grande guerreiro branco. Oxaguiã, por suabondade e sabedoria, compadeceu-se de Airá Osi. No entanto, comopunição pela mentira de Airá, decidiu que naquele mesmo dia o jovemvoltaria à sua terra natal vestindo-se de branco e nunca mais usaria oescarlate, devendo dedicar-se a arte da guerra para poder seguir com eleem suas eternas batalhas.Os filhos de Airá Osi são considerados jovens guerreiros, lutam pelo quequerem, mas as vezes deixam-se enganar pela impetuosidade. São calmos,não tidos a trabalhos intelectuais, são amorosos, alegres e sentimentais.São muitas as invocações ou qualidades de Xangô, que, como vimos, sejuntam às outras tantas de Airá. Em diferentes países e regiões dadiáspora africana em que a religião dos orixás sobreviveu e prosperou, diferentes variantes das qualidades dos orixás, pois cada grupo,geograficamente isolado, ao longo do tempo, acabou por selecionar estaou aquela passagem mítica do orixá. Muitas foram esquecidas, outrasganharam novos significados. Cada qualidade é representada pordiferentes cores e outros atributos, de modo que, pelas vestes, contas eferramentas, ritmos e danças, é possível identificar a qualidade que estásendo festejada, principalmente no barracão de festas dos terreiros. Nãosó por esses aspectos, mas também pelas oferendas votivas e pelosanimais que são sacrificados em favor da divindade.
Logunedé - Orixá jovem da caça e da pesca
Logunedé ou Logun Ede, do iorubá Lógunède, é um orixá africano que namaioria dos mitos costuma ser apresentado como filho de Oxum Ipondá eOxóssi Ibualama, do iorubá Ibùalámo. Segundo as lendas, vive seis mesesnas matas caçando com Oxóssi e seis meses nos rios pescando com Oxum.É cultuado na nação Ijexá como sua mãe, mas também nas nações Ketu eEfan, sendo o seu culto muito difundido no Rio de Janeiro.

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No entanto, existem outras versões acerca de suafiliação. Se na maioria dos mitos, Logunedé surgecomo filho de Oxum e Oxóssi, em outros, um poucomais raros, aparece como filho de Ogun e Iansã. Há,ainda, histórias que contam a lenda de Logunedécomo filho desses quatro Orixás, apresentando-ocomo nada mais, nada menos que uma representaçãodos Orixás Gêmeos, Ibeji.Simultaneamente caçador e pescador, Logunedé é oherdeiro dos axés de Oxum e Oxóssi que se fundem ese mesclam como mistério da criação, trata-se de umorixá que une a graça, a meiguice e a faceirice deOxum à alegria, à expansão de Oxóssi. Se Oxumconfere a Logunedé axés sobre a sexualidade, amaternidade, a pesca e a prosperidade, Oxóssi lhepassa os axés da fartura, da caça, da habilidade, doconhecimento.Essa característica de unir o feminino de Oxum aomasculino de Oxóssi, muitas vezes o leva a serrepresentado como uma criança, um meninopequeno ou adolescente, formando mais uma tríadesagrada na História das religiões. Com Logunedé,completa-se o triângulo iorubá pai, mãe e filho quetambém se repete nas trilogias católica (Pai, Mãe eEspírito Santo), egípcia (Ísis, Osíris e Hórus), hindu e tantas outras.Como criança, Logunedé se liga ao lírio, símbolo de pureza e inocência,sendo o lírio da paz uma de suas folhas sagradas. Em um de seus mitos,ele é encontrado por Iansã Onira sobre um lírio. Ela o adota e passa a sersua companheira inseparável, tanto que na feitura dos filhos de Logunedéno candomblé Iansã Onira costuma se apresentar como seu juntó.Como símbolo da pureza, muitas vezes Logunedé também é visto comoum ser andrógino, sendo a androginia um traço do sagrado também emoutras religiões, o que ocorre especialmente no cristianismo e nojudaísmo com os anjos.Mas se, em várias tradições, ele é considerado um orixá masculino, emalgumas é confundido com a homossexualidade ou a bissexualidade, o queocorre quando se interpreta ao pé da letra o mito que afirma viverLogunedé seis meses como homem e seis meses como mulher. Naverdade, a interpretação mais aceita seria que essa se trata de umametáfora para falar dos axés herdados por ele de seus pais, Oxum eOxóssi.Após ser abandonado e viver com Ogum, aprende com ele as artes daguerra e da metalurgia. É coroado por Iansã como o príncipe dos Orixás. Éamigo íntimo de Yewá, seriam eles os Orixás que se complementam,considerados o par perfeito.Num mito raro, Logunedé se perde no caminho entre as casas de Oxum eOxóssi, é encontrado pelo velho Omolu que o ampara e protege. Com

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Omolu, Logunedé aprende a arte da cura e a feitiçaria. O seu primeironome, Logun, no Brasil se mesclou ao segundo, Edé, nome da cidadeiorubá na qual o seu culto se fortaleceu, formando Logunedé. Logun podeser uma abreviatura de Ologun que, em iorubá, quer dizer feiticeiro.Então, feiticeiro, caçador, pescador, príncipe guerreiro, esses são algunstítulos, alguns epítetos dados à Logunedé. Para Mãe Menininha doGantois, "Logun é santo menino que velho respeita".Costuma ser cultuado no candomblé, mas não na umbanda.

terça-feira, 5 de novembro de 2013


                                                   Oro o culto secreto dos Yoruba


Oro Oro ou Orun é orixá, sendo um dos cultos mais secretos no país yoruba no país, está ligado ao Orixá Iku (a morte). Alguns dizem que o sistema do culto a Oro foram retiradas dos macacos vermelhos, chamados Ejimere. Trata-se de uma fundação cujo cargo é secreto, preparado pelos Babalawos em um frasco preto, lacrado com cimento que se destacam búzios 9 ou 18 como base, um caracol Cobo e, em alguns casos, as cabeças dos dois bonecos (um Obiní e um Okuni), também carregados com seus fundamentos.

Outro elemento que está ligado a Oro um bastão (pagugú) decorado em alguns casos a ponta com o tamanho de um crânio (uma caveira), cujos olhos são dois búzios são dadas a abertura natural para o interior, um facão, uma telha (Ikokó Kole Awadorono Unoricha) e um Exu de Oro montado sobre uma pedra (OTÁ) de recife poroso. Um elemento essencial do culto consiste em uma peça de ouro de metal plana ou uma superfície plana de madeira em forma de peixe com uma longa corda, que antigamente era amarrado a um poste. Quando o vento soprava se movia emitindo um som chamado Ejáoro (Pez de ORO). Essa é a voz de Oro.

Entre os Ijebu e Egba, o Oro é muito mais sagrado e importante que Egungun (culto aos espíritos “egum”, mantido aqui no Brasil, como na ilha de Itaparica). Nos tempos antigos, os membros da sociedade de Oro também foram os executores dos que praticavam crimes. Quando as pessoas foram condenadas à morte pelo tribunal Ogboni (sociedade secreta dos yorubas) eram os membros do culto a Oro que se encarregavam de executar a sentença dos condenados. Quando Oro saía à noite, aqueles que eram membros da seita tinha que ficar em casa e fora corriam risco de morrer (realmente é um culto muito perigoso e sagrado).

Outros energia da mesma classe são Igbis (árvores), por isso as montanhas ou as florestas são tão particular ao culto Egungun. No caso de Igbis, são personificadas por seres humanos mascarados têm uma imagem na cabeça. Entre Oyó (cidade africana do reino de Xangô), as pessoas de Jabata e Iseyin são os principais adoradores de Oro em cada ano tem 7 dias para a adoração (festa do culto). Durante todo o periodo do culto as mulheres ficam trancadas em casa, exceto por algumas horas, está autorizado a algumas exceções.

O sétimo dia ou mesmo que elas são permitidas e são mantidas rigorosamente fechadas. Por que não cumpram pena de morte certos meios deve ser executado, não importa o que o título, riqueza ou posição social que a mulher possua, a nenhuma mulher ousa olhar para Oro.

Oro orun egun, mascara africana O culto a Oro sem mantém vivo entre os Babalawos em Cuba, que são responsáveis por de iniciar os homens que desejam possuir o fundamento de Oro, aqueles pretendem ser Oriatés (babalorixá, pai de santo), de acordo com as verdadeiras tradições devem pertencer ao culto de Oro, que dispor de tempo para realizar uma Ituto (luto, cerimônia funebre) a fazê-lo com sabedoria. Os Jurados no Culto a Oro, após recebê-la e passar por rigorosos rituais, chamados Omo Oro (filhos de Oro) e se realiza um ita (iniciação, cerimônia leva nada menos que três Babalawos que por intermédio Orunla (Orunmila) e devem receber o Odu que os caracteriza dentro da Sociedade de Oro.

Questão de Orixá Oro:

Quem é mais forte Oro ou Babá Egungun?

Resposta: É óbvio que é Oro, pois babá egungun é nada mais, nada menos que um zelador de santo (só um exemplo) que está sendo cultuado dentro do culto dos lesé egun, e Oro é o pai de todos os Eguns, é o capataz, Egungun é subordinado a Oro (deve obediência).

Por que nas casas de Candomblé (barracão, casa de santo, roça de santo) não cultuamos o Orixá oro, já que ele é um orixá indispensável dentro do culto ao afro?

Resposta: É simples, na migração do culto aqui para o Brasil foi perdido seus fundamentos, também o nosso culto foi muito propagado por mulheres (as mães de santo), já que as mulheres são proibidas de exercer ou manipular as energias de Oro (seus fundamentos e ibás). Como sabemos o culto a Oro pertencia as mulheres, mas elas foram castigadas por utilizarem o culto para suas aruaças e sendo banidos do culto para sempre, então o culto a Oro, Orun, Egungun é exclusivo de homens, tais como o culto a Geledé (Yamin Oxorongá, as mães ancestrais) é uma sociedade exclusiva das mulheres.
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Iniciação 

Para saber se uma pessoa precisa ser iniciada ou não, no Candomblé, o Babalorixá ou Iyalorixá consulta o jogo de búzios no merindilogun, onde terá as respostas. Essa é uma das formas de saber. A outra é quando uma pessoa vai assistir uma festa de candomblé e entra em transe profundo. Esse transe é chamado de "Bolar no Santo" é a declaração em público do Orixá que quer a iniciação de seu filho, nesse caso o babalorixá vai consultar o jogo de búzios para saber qual é o Orixá e suas condições, se pode esperar ou se caso de urgência. Normalmente são feitos acordos com os Orixás para que aguardem até o filho ter condições financeiras e de férias para poder se recolher.
A primeira fase da iniciação ou feitura de santo na nação Ketu é de 21 dias, onde a pessoa fica em retiro longe da vida profana e da família, devendo desligar-se de tudo e dedicar-se totalmente aos ritos de passagem. Saliente-se que todo o ritual da iniciação não é público. Saliente-se também que essa iniciação só pode ser feita por uma pessoa iniciada, segundo as normas do candomblé só pode transmitir o Axé quem os recebeu de alguém iniciado na obrigação de Odu ijè.
Quanto ao fato da pessoa ser recolhida para ser Iaô, Ogan ou Ekedi, essa questão só é resolvida durante a iniciação. Se a pessoa entrar em transe será um Iaô elegun, se não entrar em transe e for homem, será um Ogan, se for mulher será uma Ekedi.

Barco de Iaô

A iniciação pode ser de apenas um Iaô ou pode ser de muitos. Nesse caso recebe o nome de "Barco de Iaô". Quando entra para fazer o santo sozinho será chamado de Dofono (homem) ou Dofona (mulher), por ser o primeiro e único.
No caso do barco, o primeiro Iaô será chamado de Dofono, o segundo dofonitinho, o terceiro será chamado de Fomo, o quarto de Fomutinho, o quinto de Gamo, o sexto de Gamutinho, o sétimo de Vimo, o oitavo de Vimutinho, o nono de Gremo, o decimo de Gremutinho, o décimo primeiro de Caçula e daí por diante. Essa sequência de nomes é usada na maioria das casas de candomblé de cultura Jeje-nagô.
Já houve barcos com quinze Iaôs, mas isso é muito raro, pois implica muito trabalho e dedicação de muitas pessoas para cuidar dos Iaôs. A maioria das casas recolhe no máximo três ou quatro. Existem Orixás que não podem ser iniciados junto com outros; nesse caso será recolhido sozinho.
No ano de 2011,em Salvador houve um barco com dezoito Iaôs.

Iniciação
Nos 7 primeiros dias a pessoa ficará descansando e fazendo os ebós de limpeza, que serão apurados no jogo de búzios e tomando banhos com folhas sagradas e abô. Ficará recolhida no roncó (quarto específico de recolhimento) próximo ao peji e será feita a primeira obrigação, que é o bori. No final dos três dias é suspenso o bori e passa para as fases seguintes.
Em seguida começa a contar o período de 16 dias. Aí tem início o longo aprendizado das rezas, costumes, práticas, lendas, histórias e a iniciação propriamente dita, que consiste em raspar a cabeça, fazer curas (pequenos cortes), assentamento do orixá, serão oferecidos animais, comida ritual, flores e frutas.
Saída de Iaô
No final tem a festa que é chamada de "saída de iaô", essa festa é dividida em 4 partes: A primeira saída no barracão é interna sem a presença do público, somente os membros da casa estarão presentes. Pode ter variação de uma casa para outra ou de nação para nação, uns fazem três saídas públicas outros fazem quatro.
Inicia-se o candomblé normalmente despachando o Padê (pode ser despachado durante o dia também, depende da casa) e canta-se algumas cantigas para cada um dos Orixás, enquanto isso os Iaôs estão sendo preparados para a primeira saída no barracão de festas.
Na primeira saída pública o Iaô sai do roncó (nome dado ao quarto onde ficam recolhidos) para o barracão todo vestido de branco, essa saída é em homenagem a Oxalá, trás na testa uma pena vermelha chamada Ekodidé e na parte superior da cabeça o adoxu e pintado com efun, ele vem acompanhado de sua mãe pequena, da Iyalorixá e todos que ajudaram na feitura. Nessa saída o Iaô deverá saudar a porta, os atabaques o Axé do centro do barracão onde estar o fundamento da casa e a Iyalorixá. Em seguida é recolhido para mudar de roupa.
A segunda saída pública do Iaô no barracão as roupas são coloridas em homenagem à todos os orixás e a pintura é feita com o pó azul wáji, branco efun, e vermelho osùn. O Iaô sendo de oxalá ou determinados orixás funfuns a roupa não pode ser colorida, predominando o branco, todavia a pintura colorida seja relevante em quantidade discreta.
Momento mais esperado da iniciação
A terceira saída do Iaô é a mais esperada por todos da comunidade, nota-se um momento de tensão muito grande e a expectativa dos sacerdotes que contribuíram nesta sagrada iniciação, que pode ser afirmada ou negada pelo noviço de que tudo foi bem feito ou não, com o grito triunfal do seu nome. Novamente o Iaô é trazido ao ile axé, desta vez sem a pintura geral, só com uma pintura de wáji no centro da cabeça (cuia de wáji) ou borilé (ritual feito com ejé do pombo branco) e ornado com penas do mesmo. O Orixá dirá seu Orunkó para todos ouvirem, nesse caso é escolhida uma pessoa (normalmente um Babalorixá ou Iyalorixá de outra casa) presente para tomar o nome do Orixá, são feitas algumas cerimônias onde a pessoa pergunta por três vezes o nome do Orixá e na terceira ele grita em voz alta seu Orunkó para todos ouvirem. Depois do nome dado o Iaô é recolhido novamente para trocar a roupa.
A quarta e última saída o Orixá vem todo paramentado com roupas e ferramentas características do Orixá, para dançar e ser homenageado por todos os presentes. No final canta-se para Oxalá e a festa é encerrada.
Banquete:
Quando é encerrado o candomblé todas as filhas da casa ocupam seus postos e começam a distribuir a comida ritual do banquete farto. Sempre tem comida para todos e sempre sobra. Esse banquete é composto de cabritos assados ou cozidos, galinhas, patos, pombos, canjica, milho cozido, inhame, pipoca, acaçá e acarajé. Toda comida ritual servida ao Orixá é distribuída para os presentes. Muitos candomblés não permitem bebidas alcoólicas e nesse caso é servido o Aluá. Nas casas que permitem, é servido refrigerante e cerveja.
Algumas casas atualmente não servem comida de santo para os presentes. Dependendo das posses do iniciado, poderá se contratar um Buffet para o banquete, onde serão servidos aos convidados todos os requintes contratados.
Seguimento da iniciação chamado Urupim.
No mesmo dia ou não, dependendo do costume da casa, as luzes elétricas são desligadas, e inúmeras velas são acesas, ouve-se um cântico tristonho como nos rituais fúnebres axexê, o Iaô cercado dos mais velhos, Iyaefun, Iyadagan, iyamorô, Iyabassê Iyakekerê e puxada pelo Babalorixá ou Iyalorixá é trazido do peji ao ile axé com um alguidá ou balaio coberto com pano branco e ornado com flores brancas e mariwô, contendo inúmeros objetos, comida ritual e o cabelo raspado no inicio da obrigação. Este ritual é denominado pelo povo do santo de carrego de urupim e pode ser assistido por alguns membros da comunidade, mas não chega a ser uma festa pública, fechando um ciclo do rito de passagem de abiã "não nascido" para iaô "noviço ou recém nascido".
Passada a festa o Iaô ficará mais uns dias na roça dependendo do jogo de búzios e a confirmação no merindilogun, depois será levado para sua casa pela Iyalorixá que a entregará a sua família.
Ritual do Panã.
O iaô ainda desorientado devido ao longo período de transe e clausura, com os movimentos ainda trôpegos, recebe orientação do seu Babalorixa ou Yalorixa para executar as tarefas que serão usadas em seu dia a dia, tais como varrer, costurar, lavar, passar, sentar-se à mesa, cozinhar, etc. Numa dramatização muito divertida onde todos da comunidade tem um grande prazer de participar, rindo e até mesmo ajudando o novo iniciado. O ritual de apanã tem a finalidade de fazer com que o noviço reaprenda as atividades do mundo profano e cotidiano, para que nada lhe seja prejudicial no futuro e também entenda que já é hora de voltar à sua vida normal, apesar de aproveitar mais um pequeno período do seu mundo sobrenatural, estabelecendo neste momento o ewo temporário ou permanente, que o noviço terá a responsabilidade de obedecer, finalizando este ritual com outro rito chamado Kàrô (juramento feito diante do obi e uma quartinha).
Caída de kelê
Porém a Iaô ainda não terminou as obrigações terá ainda que cumprir um resguardo normalmente de três meses e continuar usando o kelê (uma gargantilha de contas) que foi colocada em seu pescoço no início da feitura de santo. Durante esses três meses o Iaô continuará dormindo numa esteira, usará roupas brancas e seguir uma série de restrições denominada de ewo. Terminado o período de quelê, é feita a retirada do mesmo e outra festa é feita para comemorar a comumente chamada "caída de quelê".
É o período mais difícil para o Iaô que precisa voltar a trabalhar, muitos se iniciam no período de férias do trabalho e quando termina as férias precisam voltar para um ambiente onde sem dúvida será notado por todos, discriminado por alguns e terá que se manter calado, terá muitos problemas na hora das refeições, pois está proibido de entrar em bares e restaurantes, terá que levar uma marmita e aceitar os olhares de curiosidade.
Algumas casas atualmente por esse motivo têm feito alguns acordos com os Orixás para que o Iaô que precisa trabalhar já saia da roça sem o kelê, mas terá que cumprir todos os itens do resguardo nos mínimos detalhes. Nesse caso não precisará usar somente branco, poderá usar roupas de cores bem claras como azul, rosa, bege, cinza, tudo para não chamar muito a atenção. Existem casos de firmas que o uniforme é preto, marrom, azul marinho, nesses casos o Orixá permite, não vai querer que seu filho perca o emprego.
Obrigações
Iyawo São os novos iniciados de Orixá da Casa de Candomblé, durante o período de sete anos, e serão subordinados pelas pessoas de Cargos/Posto da casa. E deve obediência aos seus mais velhos. E deverão concluir suas obrigações de 1, 3 e 7 anos. Ser Iyawo, além de outros preceitos, é permanecer recolhido por um período de 21 dias, passando por doutrinas e fundamentos, para conceber a força do Orixá. Saem da vida material e nascem na vida espiritual com um novo nome orùnkò. O Mòócan e os Delègún são os comprovantes e o diploma do iniciado.
Obrigação de um ano
(Odueta) ou (odú Kíní) É às obrigações muito importantes é considerada como fim do resguardo do Iyawo após sua iniciação. Somente esta obrigação dará ao iniciado à liberdade de viver materialmente sem restrições na sociedade e no seu convívio familiar e pessoal.
Até fazer um ano de feitura ou pagar sua obrigação de um ano (odú Kíní), ainda terá algumas restrições (ewo temporário. como cortar cabelo, tomar banho de mar e outros. Será feita na obrigação de um ano de feitura, uma nova festa para comemorar a data onde serão oferecidos comida ritual, frutas e flores.
Obrigação de três anos
(Oduetá) Esta obrigação é considerada a confirmação da continuidade do iniciado no Axé, e já está autorizado a conceber o seu ajuntó, e a começar ser liberado e graduado pelo seu babalorixá, a usar fios com Seguis e Bràjà dependendo do Orixá, e poderá deixar de usar Mòócan e Delègún. (conforme orientação do babalorixá)
Outra obrigação é feita aos três anos de feitura (odú kétà), algumas casas ou nações fazem também uma de cinco anos, mas no candomblé ketu considera-se um ano, três e sete anos. Ele ou ela permanecerá como Iaô até completar os sete anos de feitura e fazer a obrigação de sete anos (odu ejé).
Obrigação de sete anos
(Oduijé) ou Odu ejé (a pronúncia do acento é fechada) É uma das maiores obrigações de uma casa de Candomblé, que todos os iniciados serão obrigados a tomar sem exceção. Com essa obrigação o iniciado poderá receber posto, cargo, titulo e direitos de independência do seu babalorixá.
Só quando fizer a obrigação de sete anos Odu ejé é que será considerado um Egbomi.
A obrigação de sete anos é tão grande e importante quanto a feitura, nessa obrigação é que será definido se o Egbomi irá abrir uma casa ou não. A Iyalorixá entregará para o Egbomi no ato da festa seus pertences (jogo de búzios, pembas, favas, sementes, tesoura, navalha, tudo que vai precisar para iniciar Iaôs) no Ketu é chamdo Odu Ijê com Oyê, em outras nações é chamado de Deká, Peneira, Cuia, etc.
Caso o Orixá da pessoa não queira abrir uma casa e queira continuar na roça da Iyalorixá, o Orixá depositará os objetos recebidos nos pés da Iyalorixá e sua filha não abrirá uma casa, continuará na roça onde normalmente receberá um posto para ajudar a Iyalorixá.
Quando o Orixá aceita a Egbomi receberá todas as homenagens dos presentes pois está sendo consagrada como uma nova Iyalorixá se for homem Babalorixá. Nesse caso terá que providenciar uma casa para onde será levado seu Orixá e iniciar um novo Ile axé.
- OIYE - quer dizer titulo independência, são pessoas que já tomaram seus sete anos e necessitam de um TITULO dado pelo seu babalorixá, para ser independente e Zelador (a) de Orixás, sacerdócio. Esse Oiye pode ser também um cargo na casa do babalorixá onde fez a obrigação.
- DEKA - é autorização (direitos) de conduzir a sua própria casa de Candomblé, atendimento de seus adeptos e consulentes, jogar búzios, tirar ebós e iniciar pessoas no Orixá, ou Vodum dependendo da nação etc.. Na nação Jeje receberá um Húnjèbé é o Titulo de sacerdócio exclusivo da nação Jeje e um amuleto do Egbònme, é o diploma dado pelo Voduno para dar continuidade do aprendizado dos fundamentos dos Voduns.
Iniciação de Ogans e Ekedis
Para os cargos ou postos de Ogan e Ekedi normalmente são pessoas escolhidas pela Iyalorixá ou por algum Orixá da casa, serão pessoas de sua inteira confiança, pois ficarão com a responsabilidade de zelar da casa e da festa enquanto a iyalorixá estiver em transe.
Uma vez que não entram em transe, Ogans e Ekedis passam por todos os preceitos que passam os Iaôs inicialmente e até um determinado momento, mas durante o desenrolar da obrigação constatado que não entrará em transe, é confirmado através do jogo de búzios no merindilogun o Orixá que trará o Orunkó do Ogan ou da Ekedi na festa.
Se foi escolhido pelo Orixá da Iyalorixá ou Babalorixá ou pelo Orixá de uma das Egbomis da casa, o Orixá que o escolheu é que sairá no barracão acompanhando o iniciado. Nesse caso a festa não terá tantas saídas como as saídas de Iaô. Mas no final terá o mesmo banquete de confraternização entre todos presentes.
Quanto ao resguardo e ewo também não será igual ao do Iaô, será de acordo com o jogo de búzios, mas geralmente é de 21 dias de Quelê e normalmente cumpridos na roça, no caso de impossibilidade por motivo de trabalho, sai de manhã para trabalhar e vem dormir na roça até terminar o período de Quelê. Normalmente o Ogan e a Ekedi não cumprem o mesmo resguardo do Iaô, por não ter realizado todos os preceitos necessários ao último. Quando iniciados, equivalem ao Ebômi em idade de santo, tendo portanto os 7 anos de idade perante os Iaôs.
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sábado, 2 de novembro de 2013

OLOGBOJÓ

Na religião dos yorùbás, cremos que há vida após a morte e que os mortos podem retornar à terra através do Culto à Egúngún.
De forma muito resumida, podemos afirmar que há o culto aos ancestrais "Lese Òrìsà" e o culto aos ancestrais "Lese Egúngún". O primeiro é realizado nos terreiros de Candomblé – no Ilé Ibó Aku (casa de adoração aos ancestrais), em que os Sacerdotes de Òrìsà cultuam os ancestrais do terreiro, sem que exista a manifestação física desse ancestre. Esses ancestrais chamados de Esá são louvados e evocados em rituais como o Ipade e em cerimônias dedicadas à ancestralidade da Casa de Candomblé.
O segundo, por sua vez, ocorre nos chamados Terreiros de Egúngún, em que o Sacerdote do culto a Egúngún (Alapini, Alagbá e Ojé) cultuam além dos ancestrais daquele terreiro e da família, os ancestrais patronos de cidades inteiras, como ocorre, por exemplo, com BÁBÁ ÉGUNGUN OLOGBOJÓ, patrono da cidade de OGBOJO na África, ainda hoje cultuado nos Terreiros de Egún da Ilha de Itaparica. Além disso, esses Sacerdotes, trazem à terra, esses Egúngún de forma física, ricamente vestidos com roupas coloridas.
Um Itán de Ifá, narra que na cidade de Oyo (África), existia um fazendeiro chamado Alapini. Esse fazendeiro tinha três filhos (Ojewuni, Ojesami e Ojerinlo). Certo dia, Alapini fez uma viagem e recomendou aos filhos que não comessem um tipo especial de inhame, haja vista ele deixar as pessoas com uma sede desmedida. Os filhos ignoraram a advertência e comeram em excesso o aludido inhame. Como já anunciado pelo Alapini, eles tiverem uma sede imensurável e beberam água até a morte. Quando do seu retorno, o Alapini deparou-se com seus filhos mortos e resolveu procurar um Babalawo. Através do jogo de Ifá, o Babalawo disse que no décimo sétimo dia da morte de seus filhos, o Alapini deveria ir até um bosque que havia perto do rio e pegasse um galho de Àtòrì. Nesse bosque ele deveria bater no chão três vezes o Isan (o bastão feito da árvore Àtòrì) e pronunciar certas palavras mágicas e chamar pelos nomes dos filhos "wa de" (venha), na terceira vez os filhos retornariam à terra e assim aconteceu.
Por isso, o sumo sacerdote do culto aos ancestrais é chamado de Alapini, pois o fazendeiro de nome análogo foi o primeiro homem a materializar um ancestral no aye. Diferente do culto a Ìyàmì, no qual, as mulheres são as grandes líderes, no culto à Egúngún, a liderança pertence aos homens. Há uma antiga história de Ifá, que nos explica a razão disso.
À época dos Òrìsàs, os homens eram os líderes de tudo. As mulheres, no entanto, resolveram punir os homens, mas sem nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os. Yansan era a líder dessas mulheres revolucionárias que se reuniam em uma floresta. Oya havia domado e treinado um macaco marrom chamado Ijimere, utilizando para isso, um isan (galho da árvore "Àtòrì". Oya vestia o macaco com uma roupa feita de várias tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob os panos. Conforme Oya batia o isan no solo, o macaco pulava de uma árvore para outra, movimentando-se de forma alucinante, como fora treinado por Oya. Deste modo, durante à noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres que estavam escondidas, faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados, pois acreditavam estar vendo um Egúngún. Cansados de tanta humilhação, os homens foram consultar Ifá através de um babaláwo, a fim de descobrir a causa de tamanha injúria. Através do jogo de Ifá, a farsa das mulheres foi desvendada. Ifá recomendou aos homens, alguns sacrifícios, sendo Ògún, o encarregado de reverter o cenário imposto pelas mulheres. Quando Ògún chegou ao local das aparições, vestiu-se com vários panos coloridos, ficando totalmente encoberto, escondendo-se atrás de uma árvore. Quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo, berrando e brandindo sua espada pelos ares, todas as mulheres fugiram assustadas, inclusive Oya. A partir desse dia, os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto aos ancestrais. No entanto, Oya Igbale, continua sendo a Divindade que os Egúngún respeitam.
Muitos desacreditam da manifestação dos ancestrais e isso aconteceu até mesmo com os Òrìsàs. Outra história de Ifá, narra que após o Alapini ter evocado presencialmente os seus filhos já falecidos, Sàngó mandou lhe chamar, pois não acreditava que os mortos podiam voltar do além.
Como Sàngó era o grande Rei de Oyo, o Alapini foi prontamente ao palácio, quando chegou lá, Sàngó disse que iria prender Alapini, pois ele dizia que tinha o poder de trazer os mortos do além e isso era uma grande mentira e que se ele realmente conseguia fazer isso, que fizesse diante dos olhos de Sàngó. Alapini respondeu que não poderia evocar os ancestrais diante de Sàngó, mas que sim era possível trazer os mortos do além. Sàngó então mandou que construíssem um quarto dentro do palácio e vistoriou toda a edificação, garantindo que não havia ninguém dentro dela. Sàngó pediu para que o Alapini entrasse no quarto e que se ele tinha realmente esse poder, ele evocasse os ancestrais lá dentro, pois Sàngó tinha certeza que não havia mais ninguém lá. Alapini pediu algumas coisas, como panos, espelhos e um Isan (a grande vara de atori). Sàngó pessoalmente entregou tudo ao Alapini, certificando-se que não havia truques. Feito isso, Sàngó trancou a porta e ordenou que Alapini evocasse os ancestrais. Pouco tempo depois, uma voz rouca começou a sair do quarto. Sàngó irritado, disse que se aquilo fosse um truque, o Alapini seria morto. Passado mais um tempo, o Alapini pediu que abrissem a porta, quando Sàngó abriu, saíram de lá o Alapini e Egúngún, vestido com os panos e espelhos preparados pelo Alapini. Diante disso e impressionado, Sàngó instituiu o culto aos ancestrais em Oyo (seu reinado) e, a partir desse dia, todos os Alaafin (rei de oyo), são empossados pelo Alapini, pois é ele que conhece a ancestralidade de Sàngó.
No Candomblé, o culto aos antepassados é tão importante que, mesmo antes de louvarmos os Òrìsàs, devemos render homenagens aos ancestrais, isso é ainda mais saliente nas casas antigas, em que já houve mais de um Sacerdote, sendo que o líder atual, sempre reverenciará aqueles que o antecederam. Nesse sentido, acreditamos que, quando uma Ìyálòrìsà ou Babalòrìsà falece, ele também servirá como conselheiro para os que o sucederão, no entanto, como ancestral, sendo muitas vezes consultado por meio do oráculo. Há um antigo provérbio yorùbá que diz: "Você só completará a sua missão, se cumprir a missão dos seus antepassados".
Como exposto acima, no Candomblé nós acreditamos na vida além da morte, em verdade, cremos que a morte é o renascimento para todos. Nós cremos que, quando uma pessoa morre, ela parte para um dos espaços Orùn, a depender da sua conduta no Ayè (que também é considerado um dos Orùn, para os yorùbá).
Acreditamos na existência do Orun Rere (reservado para as pessoas que tiveram uma conduta exemplar no Aye), o Orun Alafia (local de grande paz e harmonia), o Orun Funfun (local da pureza), o Orun Baba Eni (local no qual cremos que residem os Sacerdotes), Orun Isalu (local onde as pessoas serão julgadas), Orun Apadi (local ruim, das coisas que não serão reparadas e que não serão restituídas à vida através da reencarnação), o Orun Buruku (o pior espaço, para onde vão as pessoas más) e o Orun Afefe (onde os espíritos permanecem e tudo é corrigido, e lá ficarão até serem reencarnados).
Desse modo, nós também acreditamos na reencarnação (Atunwa), mas como vimos, nem todos serão reencarnados. A viagem da vida (Ajolaiye) em sua amplitude, não é concedida a todos, mas quando isso ocorre, cremos que seja na mesma família. No Candomblé, quando existe a reencarnação, essa ocorre invariavelmente no mesmo seio familiar daquele que faleceu.
Nesse sentido, essa "sentença" de nascer na mesma família, serve como "premio" ou "punição". Quando uma pessoa atingiu seu papel no aye, de forma benéfica, ele certamente contribuiu para a edificação de sua família, assim sendo, quando ele retornar para essa família, ele estará retornando para um ambiente que ele mesmo contribuiu para que fosse bom e isso será considerado um prêmio ancestral. No entanto, se ao invés disso, ele tenha causado problemas à sua família, ele retornará para um ambiente que ele contribui para que não fosse bom, sendo assim uma punição, no entanto, com uma oportunidade de virar o jogo.
Na África, essas crianças reencarnadas são descobertas pelo oráculo logo quando do seu nascimento, recebendo nomes que evidenciam isso, como por exemplo, "Babatunde" (o pai retornou).
Há um itan de Ifá, que discorre que uma pessoa só descansará eternamente no Orun, caso ela já tenha conseguido realizar todas as coisas boas que ela tinha que realizar no Ayé. Somente após isso ele poderá descansar, caso contrário, ela retornará ao Aye (Atunwa), para cumprir a sua missão. Isso tem como objetivo, atingir o equilíbrio máximo entre os Orun e Aye.
oloje iku ike obarainan

 Síntese do Culto Ancestral segundo o que acreditamos e praticamos:

Saudações aos amigos e irmãos que visitam nossa página de web! Em nosso modesto ponto de vista, e impossível falarmos de Religião, sem darmos aos Ancestrais o verdadeiro papel de destaque que eles merecem. Afinal os Ancestrais não devem ser temidos, ao contrário disso, devem ser amados e louvados, pois se os devo temer, por que Cultuar? Acredito que com o passar do tempo tem havido uma maior conscientização, bem como divulgação das reais funções do Culto Ancestral, tanto que muitos já concluíram que sem a presença de nossa Ancestralidade não somos nada, não teríamos vivido e com certeza não estaríamos lendo esta página ;) Na verdade o que realmente existe e a necessidade de colocarmos a Ancestralidade no local aonde ela merece, em um patamar digno, sem falsos dogmas ou misticismos, para que a mesma deixe de ser temida, ou até mesmo de ser algumas vezes motivo de falácia, e seja sim, respeitada, viva e presente.
Acredito ser importante para a compreensão do tema aqui proposto, que num primeiro momento se defina o que venha a ser Ori:

Considerando enquanto divindade pessoal, Ori é de fato a divindade mais importante do panteão, dado que, seja qual for o empenho de outras divindades em favorecer determinada pessoa, todo e qualquer progresso dependerá sempre do que for sancionado por Ori. Todos nascemos com um destino para realizar, entretanto isso não significa que sejamos meros joguetes nas mãos de forças inteiramente deterministas.

O homem tem poder de tomar em suas mãos as rédeas do curso da própria existência e participar de modo responsável de seu desenrolar, através da busca da ampliação da consciência e dos conhecimentos e através do desenvolvimento disciplinado da vontade.

As realizações fundamentais da existência dependem não apenas de inclinações naturais ou da sorte, mas também de esforços pessoais que, aliados à força do destino promovem o desenvolvimento e constroem o homem forte, rico em saúde, genitor de prole numerosa e possuidor de respeitáveis recursos materiais (prospero), ou seja, um homem respeitado e estimado por todos, benévolo, participante, responsável pela construção de seu grupo comunitário.

Tendo-se compreendido preliminarmente o que segundo a visão da Fé Indígena Tradicional Africana, venha a ser este ùnico Òrìsà individual, se faz necessário frisar que segundo o que cremos, este Ori é definido antes mesmo do próprio nascimento, ou seja, no momento exato da criação. E em última análise podemos compreender que é ele o responsável por nossa existência no Aiye. A função vital, que interage junto ao Orí é o Emí, permitindo que este se perpetue, uma vez que o mesmo está associado ao nosso duplo no Òrun ( egbé ), sendo assim, independente de que ciclo o Emí esteja associado, o mesmo circula entre o Òrun e o Ayé, criando um movimento e assim a possibilidade de movimentação concreta dessa energia. Assim sendo, de acordo com nossas ações no Ayé, podemos assumir a condição de um ancestral venerável, tendo participação concreta nas escolhas e caminhos de nossos descendentes. 

A Ancestralidade:
Se você tem sua própria ancestralidade e, portanto raiz, por que cultua somente a dos outros? Não seria esta a hora de avaliar melhor a questão?
O que vem a ser a Ancestralidade e por que a devemos Cultuar? 
A Ancestralidade é algo concreto, e ao cultuarmos a mesma, abrimos um leque de possibilidades e um constante ciclo de renovações de nossas energias, uma vez que a manifestação energética do culto se encontra em constante movimento. É Raiz, portanto caminho. Ela nos traz a realização pessoal e o sucesso! Nada se pode fazer sem a Ancestralidade, pois sendo raiz é ela quem sustenta toda a arvore. Então sem Ancestralidade, sem RAIZ! Todos temos Ancestrais a louvar. Vamos agora definir o que sejam os Ancestrais, são todos aqueles que um dia possuíram sua energia vital no Aiye, e que repassa esta sua energia à sua descendência, garantindo assim a perpetuação da mesma. Ao Cultuarmos Bàbá Egún, reforçamos nossa crença na reencarnação, e através desse fenômeno evocamos a sua presença uma vez que dentro da essência desse culto cremos que todos, a principio sempre voltarão ao Ayé, pois nosso Emí é imortal. Por mais poderosa que seja Ikú(ojegbe-alaso-ona), a mesma não destrói o homem, mas age apenas como um agente de transformação e renovação dos ciclos entre o Òrun e o Ayé. Podemos concluir que, enquanto existir o homem, tempo e o desejo, haverá o Culto a Babá Egún.
Quem deve Cultuar a Ancestralidade?
Todos temos pai. Temos mãe. Temos avô. Temos avó. E assim por diante. Então por certo TEMOS Ancestralidade! Compreendido isso, podemos facilmente deduzir então que não só podemos, como devemos cultuar nossos Ancestrais. Uma vez que somos o resultado da soma de saberes de nossos Antepassados, destes herdamos o inconsciente coletivo e com ele as informações legadas nele, e é por esta determinante maior, que os devemos louvar. A diferença é que, nem todos devem se iniciar no Culto. Caso não saiba qual é o seu caso, e deseje descobrir seu caminho, ou seja, se é Cultuar ou Iniciar-se, basta consultar seu Ori. Iniciar-se ou não no Culto a Bàbá Egún, dependerá de exclusivamente dele(ORI), pois é ele quem determina o que deve ou não ser feito. E a resposta a esta questão nos é dada através do Oráculo, e é um procedimento válido para os filhos de qualquer Òrìsà.
 As diferenças entre Iniciação e Assentamento:
A INICIAÇÃO:

- Numa iniciação, despertamos nos seres humanos características que já se encontram presentes em seu Ori, então deve ser ele iniciado quando assim determinar seu Ori através do Oráculo. Claro que isso só se dará se o postulante atender também aos demais pré-requisitos exigidos pela Egbé a que for se submeter.
O ASSENTAMENTO:
E Quando devemos possuir o seu Assentamento?
- O Igbá Ancestral tem a finalidade de suprir algo que não esteja presente em nossa essência. Assim sendo é necessário que o possuamos em nossas Casas de Culto, para que se possa efetivamente suprir uma eventual necessidade da Comunidade, ou até mesmo pessoal. Pois um ancestral não dorme, não esquece as pessoas que deixou para traz, e é ele a solução de todas as dificuldades em minha vida.
Onde se iniciou realmente o Culto?

O Culto de Egúngún surgiu em Oyo, foi fundado por uma família de bardos (poetas itinerantes nômades), que antes eram contratados para cantar de forma dramática as glórias das famílias nobres. Depois foram acrescentadas as roupas e rituais de sacrifício transformando-se em mais um "colegiado" de culto Yorùbá, um dos mais respeitados e exclusivos, aliás. Isso porque, provavelmente, no passado todos os mortos ilustres se tornavam Òrìsàs e em Oyo, depois de Sàngó, apenas ele e pessoas da família real passaram a ter este privilégio, daí esta função de divinização dos "plebeus" foi atribuída à Sociedade Egúngún. Daí o fato de Egúngún, enquanto divindade, ser considerado filho de Sàngó, e o Itan que conta que ele usou a roupa de Sàngó para se fazer passar por ele. O Babá Egún que representa o clã original dos bardos chama-se Bàbá Ologbojo ("
o-bardo-que-comanda-a-chuva").

Em nosso modesto conceito, desde que o mundo é mundo, louvamos os Ancestrais, tendo, portanto a Mãe África como ponto conhecido de partida. Na diáspora brasileira, ele chegou na memória e no dia a dia de diversos Sacerdotes e das diversas nações, pois todas têm "Ancestralidade". O que nos falta e compreender que todos somos parte do todo, e que não há esta folclórica descendência indireta, descendente é descendente. O discurso etno-centrista é ultrapassado e comprovadamente ineficaz, afinal viemos todos da boa e velha mãe África, pois segundo o que se sabe, lá nasceu a humanidade como a conhecemos hoje. A maior profusão de melanina não desqualifica ou qualifica ninguém, muito menos a genética, pois hoje sabemos que pertencemos todos a uma raça, a humana. O Culto a Ancestralidade procedente de Oyo, foi "mantido" em Itaparica/Bahia, más isso não quer dizer que ele não tenha ocorrido também em outros rincões do Brasil.
Há somente uma forma de Culto Ancestral?

Seria um lamentável engano, supor que entre as diversas levas de escravos espalhados por nosso país, não houvesse dentre eles Sacerdotes de Ancestrais de diferentes grupos étnicos e religiosos, afinal Cultuar a ancestralidade não é um privilégio exclusivo dos Yorùbás, um exemplo disso é a Nação Bantu/Angola que faz o Culto Ancestral calcado em suas próprias tradições.
Há um questionamento muito comum e até constante que gostaria de expor, perguntam-me sempre se uma pessoa que teve, por exemplo, como Ancestral um Budista, pode Cultuar sua Ancestralidade? 

Em resposta a esta questão, costumo colocar que, muito mais importante que a origem de uma crença pessoal, seja ela cristã, judaica, seja uma pessoa muçulmana ou mesmo sem crença nenhuma é a Ancestralidade. O que difere nossos conceitos dos demais? Creio simplesmente nada. Com que direito podemos pensar que uma pessoa que nos deu a vida, independente de compartilhar de nossas crenças ou não, não possa ser cultuada? Com que direito podemos questionar o fato de uma pessoa de qualquer origem, que ao conhecer o culto e as possibilidades que o mesmo cria, sentir a necessidade de pedir apoio a seus Ancestrais, mesmo os mesmos em vida não tendo crença nenhuma. Ou pensam vocês que simplesmente pelo fato de uma pessoa possuir ancestralidade judaica, ateia ou etc, a mesma é inexistente e por isso não deva ser reverenciada. Um dos conceitos que aprendi no Benin, é que independente da crença pessoal de qualquer um, a mesma deve ser respeitada, e jamais questionada, uma vez que sabemos que, mesmo que a pessoa não creia em nada, ela possui um Ori, ela possui um Òrìsà, e o fato do mesmo manifestar-se ou não, não é um fator determinante para que isso lhe seja tirado.
Há perigo no Culto Ancestral?

Nossos Ancestrais andam nas ruas Nigerianas e Beninenses abraçando seus descentes queridos! Por que vou cultuar uma energia que pode me gerar malefícios isso seria no mínimo um contra-senso. Até pouco tempo, a visão generalizada era de que estas eram energias perigosas e que o simples toque gerava um resultado nefasto, eu mesmo mantive este dogma por algum tempo, buscando assim evitar um confronto direto de opiniões, más devo as pessoas uma atitude de esclarecimento e divulgação, pois este é meu caminho, e farei sempre o meu melhor quando levar a conhecimento público o que pode ser dito sobre o assunto. Em nossa Egbé o Culto é um pouco mais aberto, pois quem somos nós para proibir que as pessoas tenham acesso direto e dividam seus problemas, desabafem, ou até mesmo busquem conselhos junto a Ancestralidade. Estamos plantando uma semente e muito me alegra saber que em outros espaços da diáspora brasileira existam pontos de vista semelhantes aos nossos.
Que são os Egúngún?

São os guardiões da herança ancestral de um determinado grupo e através de sua manifestação, podem ajudar ou molestar, criar problemas ou nos encaminhar para a felicidade. Cultuado enquanto espíritos coletivos de uma herança ancestral são conhecidos como Ara Òrun kinkin, e possuem um papel fundamental, pois seus fiéis crêem que o mesmo tem participação constante em tudo aquilo que acontece no Ayé. Sendo assim, orientam, direcionam, protegem, pois de acordo com a crença yorùbá, o Ancestral que deixa sua família no Ayé não dorme. Assim sendo, todas as minhas aflições serão depositadas nas mãos de meus Ancestrais, pois da mesma forma que uma árvore sem raiz não sobrevive, o mesmo acontece com um ser humano que não reconhece a importância de sua ancestralidade. Enquanto Ancestrais, podem ser evocados individualmente (Bàbá Egún) ou coletivamente (Bàbá Igúnnuku ) de acordo com o momento e eventuais necessidades. Suas funções coletivas superaram a linhagem de um determinado círculo familiar. Protegem a comunidade dos espíritos, das epidemias, de feitiços e bruxarias, assegurando assim o bem estar geral.
O que vem a ser um Màrìwò?

Um filho da Palmeira do segredo, ou seja, uma folha da grande árvore ancestral, irmanados pelo segredo(awò). Quanto à hierarquia, somos exatamente como o Iji Opé, algumas folhas mais novas outras mais maduras, porém todos são folhas. Compreendendo melhor, são todos os iniciados no Culto a Ancestralidade, desde o Omò Isan até o Alapini.
Baba Egún passa pelo processo de Atunwá?

Como foi dito acima, segundo o conceito africano a morte não é o ponto final da vida, más sim o início de outro nível da existência humana. Eles acreditam em ATUNWÁ (reencarnação), ou seja, no renascimento dentro da mesma família a qual pertencia, retornando em um dos seus descendentes. Porém para nós os Màrìwò, há uma maneira diferente de ver esta questão, pois entendemos que os "Omò Bibi(Bem Nascidos)" 'iniciados' neste Culto não 'reencarnarão', pois no ato de sua confirmação e segundo nossos dogmas, temos uma trajetória diferenciada, pois ao falecermos, tornamo-nos 'Ancestrais Ilustres' Ará Orun Kinkin ou como se diz aqui no Brasil, Bàbá Egún, isto claro, segundo nossos méritos neste mundo. Então, compreende-se que nossa energia(essência), ao se desprender da matéria que a envolve será agregada às outras já pré-existentes no panteão dos 'Ancestrais Divinizados' desta ou daquela família ou mesmo Egbé.
A participação da mulher no Culto:
Em contraste com o que se pratica na diáspora brasileira, na Tradição Indígena Nigeriana e também na Beninense, acreditamos que todos, independentes de sexo, têm o poder e a habilidade de se comunicar com aqueles que passaram além dessa vida, tendo a mulher enquanto Ìyágan ou Ìyálasé, papel fundamental nos ritos iniciáticos, já que a mesma é a manifestação viva da presença de Omulale ou Alale, a Mãe Terra. Assim sendo, entendemos que a mulher possui um papel preponderante no Culto.

Dizia-se, até muito pouco atrás, que mulheres não participam do Culto a Bàbá Egún, mas podemos perceber, em um dos mais variados Orikis - Ewi - Esa justamente o contrário: - A mulher que conhece o segredo, não deve revela-lo. O homem que conhece o segredo, não deve revela-lo. Eles não devem abrir a boca. Eles não devem falar. Chegou Egúngún, que venerando seus Ancestrais afasta a pobreza e a doença, estamos venerando nosso pai, esse tempo nos será favorável.
( * ). - Sem a força fecundadora feminina a força fecundadora masculina não poderia gerar descendência. Acho que seria importante avaliar e pesquisar melhor esta questão, pois a teoria na prática é outra. Por ser um assunto controverso, merece uma avaliação mais aprofundada por parte dos pesquisadores. 
O Isan e o Òrè Èwòò
O OBJÉTO RITUAL ISAN NOS DEMONSTRA QUE A "UNIÃO" É O CAMINHO. SENDO ESTA, PARTE DO QUE REPRESENTA ESTE OBJETO MAGNÍFICO! A "UNIÃO" DO REBANHO FAZ O LEÃO IR DORMIR COM FOME. OU SEJA, NOSSA FORÇA É NOSSA "UNIÃO".

Na verdade há uma pequena confusão no Culto Ancestral da diáspora brasileira, a longa, flexível, e resistente vara utilizada no Ritual dos Ancestrais Divinizados denomina-se Àtòrí, na verdade seu nome é "Òrè Èwòò", Esta é uma planta hermafrodita, que cresce até 2,5 mt de altura, textura parecida com a textura do couro, sendo ligeiramente brilhosa, com folhas Verde-escuras, na parte superior; e verde-pálido na parte inferior. Suas flores possuem a parte externa verde pálida, e são amarelas na parte interna, já suas pétalas e estames são amarelos. Sua utilização se dá tanto em África quanto na diáspora brasileira dentro do Culto Ancestral, porém com conotações diferentes. O Àtòrí (Glyphaea brevis (Sprengel) Monachino - família das "Tiliáceas") é utilizado semi-descascado em forma espiralada na Tradição africana, e tem um papel de ligação entre o Olojé e o Ancestre, enquanto que o ISAN pequeno feixe de certa árvore, com determinado numero de unidades tem uma simbologia profunda representando as nove famílias iniciais bem como a unidade perdida. O Itan que transcrevemos a seguir nos demonstra a importância fundamental deste objeto sacro dentro do Culto Ancestral.
É história corrente em Ouidah(Benin), que foi Olokonso Alapini proveniente de Oyo quem levou o Culto a Bàbá Egún aos Fon. Conta-se que o Roi du Benin(Rei do Benin) não acreditava na existência dos Egúngún, e por mais que insistisse o Alapini não obtinha sucesso em convencer o dito rei de que através do segredo da Roupa ou da roupa do segredo se podia mesmo trazer a sua presença seus antepassados. Passado muito tempo e devido à insistência do olopa, foi determinado que este sacerdote ancestral provasse o que dizia diante do Rei, claro que o awò concordou e imediatamente pediu os "ingredientes" necessários para realizar o ritual, bem como solicitou um local "reservado" para guardar estes ingredientes, e que estes deveriam ser lá trancados até a dia seguinte, ao que foi prontamente atendido. Tendo recebido os itens pedidos (carneiros, galos, galinhas, akara, obí etc...), estes foram guardados e vigiados até o dia seguinte, como pediu o awò. Chegado o outro dia, o Alapini dirigiu-se ao "Quarto do Segredo", parou frente à entrada, umedeceu e propiciou a terra, proferindo em seguida seus Orikis e Aduras, em ato contínuo golpearam a terra por três vezes consecutivas.  No quarto do awò, que permanecia fechado, ouve-se um grito gutural e inarticulado, pois o Ancestre se fez presente, momentos depois abriu-se a porta, e veio ele visitar sua descendência real. Ao deparar-se com seu Antepassado retornado através da Roupa do Segredo, o rei emocionado o reconheceu, e determinou que desta feita em diante se instalasse o Culto aos Bàbá Egún no Benin. Más infelizmente ou felizmente a história continua, pois os filhos de Olokonso Alapini não se davam bem, e quando este veio a falecer, seu isàn foi entregue a seu amigo Orogbomba, para que este o entregasse ao novo ALAPINI eleito, más devido ao desacordo motivado pelo interesse e ganância de seus descendentes, este objeto permaneceu em poder do próprio Orogbomba, "desaparecendo" após sua morte. O de Isan, é um importantíssimo "objeto ritual" com que se evoca e invoca um Ancestral, além do que, é ele que dá o nome aos neófitos em nosso Culto. Como podemos notar não é um modernismo, e sim, Tradição Indígena Africana sendo resgatada, e devidamente corroborada pelo fragmento do Itan Ifá descrito anteriormente. Ele evoca a força através da União, afinal somados, somos "um" com o todo, e é exatamente a União Ancestral o que representa este sagrado objeto ritual que estava obscurecido. 
O que há sob as roupas dos Bàbá Egún?

Quando me questionam o que há sob as vestes dos Bàbá Egún, costumo dizer que há um Ancestral divinizado. O que vem a ser isso, somente os iniciados sabem haja vista que isso sim é awò. Porém preocupam-se com o que há sob a "roupa", quando o importante mesmo é a "simbologia da roupa", infelizmente algumas pessoas não compreendem que é exatamente esta simbologia intrínseca ao Eku Ancestral que propicia aos Màrìwò transcender a morte. E é exatamente aí que esta o fator primordial, pois se o Sacerdote se der ao trabalho de esclarecer o leigo, dando-lhe uma resposta equilibrada e coerente, este certamente passara a observar o que se diz com mais propriedade e respeito, pois acabara por compreender o que se faz e o por que se faz. Na simbologia da roupa dos Ancestrais Masculinos, os Egúngún" estão expressos todos os mistérios da transformação de um ser (Ará Aiyè) deste-mundo num ser-do-além (Ará Orun), de sua convocação e de sua presença no Aiyè (o mundo dos vivos). Esse mistério (Awò) constitui o aspecto mais importante do Culto. Como claramente nos demonstra a Orin:

GÉGÉ ORÒ ASÓ LA RI,LA RI, LA RÍ
GÉGÉ ORÒ ASÓ LÈMON,AKO MO BÀBÁ!
"
OJÚ EGÚNGÚN OU OS OLHOS DE EGÚNGÚN? 

É um Oráculo utilizado pelos Màrìwò Egúngún, trazendo respostas concretas "sim" ou "não" diretamente da Ancestralidade a sua descendência. É a forma de se "apurar" sem "perguntar". Egúngún responde nossas perguntas através de movimentos do mesmo, e este Oráculo é uma espécie de pêndulo. Hoje, a Radiestesia já é uma ciência conhecida e bastante usada, mas os antigos já conheciam este método de comunicação. Porém, há a diferença do Ojú Egúngún para o pêndulo comum. No primeiro, há a presença de Bàbá Egún respondendo. Já no segundo caso, existe um fenômeno anímico, onde as respostas podem ser dadas pela própria mente inconsciente de quem pergunta, uma vez que o inconsciente é coletivo e "sabe" tudo.
O que vem a ser Gbobaniyin?
O significado literal de Gbobaniyin, é "o rei deve ser honrado", tratasse de uma Oògùn, medicina tradicional yorùbá, utilizada no culto a Bàbá Egún. Sabemos que a Ancestralidade é algo concreto e que ao cultuarmos a mesma, abrimos um leque de possibilidades e um constante ciclo de renovações de nossas energias, uma vez que a manifestação energética do culto se encontra em constante movimento. Uma vez entendido a essência dessa energia, podemos nos aprofundar um pouco no que vem a ser realmente Gbobaniyin: Tradicionalmente a economia yorùbá era voltada para a agricultura, a caça, a pesca e o mercado... Sendo assim, devido às variações climáticas, como o calor intenso, a falta de chuva que muitas vezes promovia a seca e invibializava o plantio ou mesmo as fortes pancadas de chuva em determinadas épocas do ano eram fatores determinantes para que houvessem sérios problemas e com isso uma constante desestabilidade econômica... E sabido por todos que o Culto a Egúngún tradicional, possui um Osaniyin especifico, conhecido como Oriki Isi. Os sacerdotes iniciados em seus fundamentos, conhecidos em algumas partes como Olojes bi ewé, em outras como Oloriki agba, em outras ainda como Isi ni Ewé, possuem um conhecimento avançado da pratica na magia e medicina tradicional. Sendo o Culto a Bàbá Egún, em muitos territórios yorùbás, de suma importância, uma vez que os africanos acreditam que um ser-humano sem a proteção e o auxílio de seus Ancestrais e o mesmo que uma arvore sem raiz, esses sacerdotes estavam sempre em constante contato com os antigos Obás, e por isso foi desenvolvido uma medicina que, sendo utilizada nas épocas de maiores variações climáticas, minimizassem os danos, contribuindo assim para o restabelecimento da ordem, evitando que a conduta ou a capacidade do rei fosse posta em dúvida.
Lésse Egún, Lésse Òrìsà: (Oto Egún x Oto Òrìsà)

Diferentemente do que se costuma praticar em alguns locais da diáspora brasileira, na Nigéria e no Benin, os Cultos interagem juntos, são partes de um todo e a verdade maior disso tudo esta na Igbá Odu, ou Cabaça da Existência, representando os dois espaços, Céu e terra, Orun e Aye e as divindades e manifestações energéticas que interagem em conjunto. Assim sendo não se deve diferenciar, nem segregar o Culto a Ancestralidade, do Culto as Forças Vivas da Natureza, os Òrìsàs. Esta crença de que as Forças Vivas da Natureza são Antagônicas a Ancestralidade, não procedem. A Ancestralidade é raiz, portanto faz parte da construção de nossa própria existência, haja vista que somos o resultado prático desse somatório. Não estar ligado a sua Ancestralidade, em nossa modesta opinião, é não estar ligado á sua raiz. As obras já publicadas sobre op assunto deveriam ser mais bem compreendidas, afinal não há divisões, pois nos é inconcebível uma árvore sem raiz, e além do mais Ancestral e Òrìsà não possuem fronteiras. Todos eles habitam em nosso Orí, e são interligados e se complementam. O que deve mesmo ser observado é que Òrìsà tem um campo de ação e Ancestral outro, somente isso, más os dois se locupletam sempre, para que se possa ter uma existência equilibrada, e que se possa cumprir nosso destino neste plano.
Infelizmente ainda há um engano muito comum na interpretação de que onde há Òrìsà, não pode haver Bàbá Egún, porém lembro que a maioria confunde Oku Orun com Bàbá Egún e são duas coisas diferentes.
Por que há espelhos nas roupas de Bàbá Egún?

Ao levantar-me todas as manhãs travo uma batalha com meu pior inimigo, ou seja, eu mesmo. Ao defrontar-me com o espelho, sou obrigado a encarar meus piores pesadelos ou meus mais belos sonhos. Tudo dependerá da forma com que me porto diante de minha Iwa(existência), os Ancestrais são os Guerreiros imortais, guardiões de nossas Tradições e Religião, em última análise são a soma de todos aqueles que vieram antes de mim, e isso se traduz na simbologia da roupa do segredo. Roupa esta que permite um contato direto entre seus entes queridos, e a descendência deles neste plano, os espelhos são um adorno geralmente encontrados na diáspora brasileira, pois em áfrica não há costumeiramente este uso pelo que saiba. As simbologias africanas e brasileiras são quase iguais, porém podemos afirmar que sua finalidade é a mesma, transcender Ikú, daí sua fundamental importância em nosso Culto, seja na costa ou aqui no Brasil. Finalizo dizendo que sua confecção é uma magia de tal magnitude, que mesmo os iniciados mais novos desconhecem o seu processo de preparo. Os Ancestrais de nossa Ilè Awò possuem traços das duas culturas e também seus simbolismos, haja vista encontrar o Isan preso à roupa dos nossos velhos, assim como o Atoori(Isan) por nós utilizado, é esculpido em espiral demonstrando simbolicamente o movimento trazido as nossas vidas pelo Culto Ancestral. Enfim, os espelhos da roupa refletem aquilo que somos, uns temem, já outros se regozijam. Más é bom lembrar que sempre há mais a ser realmente conhecido, e que o todo jamais será visto em web irmão. Lembro-me também de um determinado Itan Ifá onde se travou uma batalha, e espelhos foram usados para refletir a imagem dos oponentes.
Num primeiro nível, a reflexão sobre o espelho sempre será um questionamento do ego sobre si mesmo. Já numa observação mais Religiosa, podemos dizer que eles são dispostos na Roupa Ancestral para que Ikú se mire neles e corra assustada com sua própria imagem. E assim podemos compreender por que ela é a Magia que vence a morte.
Finalmente assim compreendo e assim pratico, sei que não existe um pensar único, nem uma única verdade, porém se todos trilharmos o caminho do respeito às particularidades de cada um, certamente encontraremos mais afinidades que diferenças. Awure awa!

oloje iku ike obarainan

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

                      

                

                  

                            

Filha de Nanã. Ela é a deusa dos ventos, das tempestades, dos tufões, dos elementos aéreos ligados ao relâmpago (ar + movimento = ao fogo). É a deusa do rio Níger da África que em iorubá, chama-se Odò Oya. Comanda os eguns (os mortos). Extrovertida e sensual como poucas. Foi a primeira esposa de Xangô. Tinha um temperamento ardente e impetuoso. Destemida, justiceira e guerreira, não teme a nada.

Registram-se, em literatura, 17 qualidades sendo as mais conhecidas: Oya, Onyra, Bagam, Egunita, Benek, Cenou, Bomini e Muriai, a Iansã-do-Bale que preside a festa dos Egun).
 


Lendas


... ventos e eguns
Conta umas das lendas de Iansã, a primeira esposa de SÀNGÓ, teria ido, a seu mandato, a um reino vizinho buscar 3 cabaças que estava com Obalúayé. Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria trazer de volta a SÀNGÓ. Iansã foi e lá Obalúayè recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora. Iansã ia muito apressada e não aguentava mais segurar o segredo. Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Obalúayé. Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para o céus. Quando terminaram os ventos, Iansã voltou e quebrou a segunda cabaça. Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii! Na vez da terceira cabaça SÀNGÓ chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo, dos raios.
Ela tinha um temperamento ardente e impetuoso. Foi a única entre as mulheres de SÀNGÓ que , no fim do seu reinado, o seguiu em sua fuga para Tapá. Quando ele recolheu-se para baixo da terra em Cosso, ela fez o mesmo em Yiá.
... a ira da mulher búfalo
Ogum foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, ogum tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher. Era yansan, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre. Yansan fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, ogum se apoderou da trouxa, guardando-a em seu celeiro.

Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher até que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a corte. Quando anoiteceu ela voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa. Tornou à cidade e encontrou ogum, que lhe disse estar com ele o que procurava. Em troca de seu segredo ( pois ele sabia que ela não era uma mulher e sim animal ), yansan foi obrigada a se casar com ele; apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.

Chegando em casa, ogum explicou suas outras esposas que yansan iria morar com ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la. Tudo corria bem; enquanto ogum saía para trabalhar, yansan passava o dia procurando sua
trouxa.

Desse casamento nasceram nove filhos, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriagar ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia yansan. Logo que o marido se ausentou, elas começaram a cantar: "Você pode beber, comer e exibir sua beleza, mas a sua pele está no depósito, você é um animal." Iansã compreendeu a alusão. Depois que yansan encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos.

Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem, porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em caso de perigo deveriam bater os chifres um contra o outros; com esse
sinal ela iria socorrê-los imediatamente. E por esse motivo que os chifres estão presentes nos assentamentos de yansan/oya.
... orisá do fogo
Embora tenha sido esposa de Sangô, Iansã percorreu vários reinos e conviveu com vários Reis. Foi paixão de Ogum, Osogiyan e de Esú. Conviveu e seduziu Osossi, Logun-Edé e tentou em vão relacionar - se com Obaluaê. Sobre este assunto a história conta que Iansã percorreu vários Reinos usando sua inteligência, astúcia e sedução para aprender de tudo e conhecer igualmente tudo. Em Irê, terra de Ogum foi a grande paixão do Guerreiro. Aprendeu com ele o manuseio da espada e ganhou deste o direito de usá-la. Depois partiu e foi para Oxogbo, terra de Osogiyan .Com ele aprendeu o uso do Escudo para se defender de ataques inimigos e recebeu o direito de usá-lo.Depois partiu e nas estradas deparou-se com Esú. Com ele aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Osossi, seduziu o Deus da Caça, e aprendeu a caçar, a tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida com Esú. Seduziu Logun-Odé e com ele aprendeu a pescar. Foi para o Reino de Obaluaê, pois queria descobrir seus mistérios e conhecer seu rosto. Lá chegando, insinuou-se. Mas muito desconfiado, Obaluaê perguntou o que Oya queria e ela respondeu:
-"queria ser sua amiga".

Então, fez sua Dança dos Ventos, que já havia seduzido vários reis. Contudo, sem emocionar ou sequer atrair a atenção de Obaluaê. Incapaz de seduzí-lo, Iansã procurou apenas aprender, fosse o que fosse. Assim dirigiu-se ao homem da palha:
-"Aprendi muito com os outros Reis, mas só me falta aprender algo contigo."
- "Quer mesmo aprender, Oya? Vou te ensinar a tratar dos Mortos".

Venceu seu medo com sua ânsia de aprender e com ele descobriu como conviver com os Eguns e a controlá-los. Partiu então para o Reino de Sangô, pois lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente. Mas ao chegar ao reino do Rei do Trovão, Iansã aprendeu mais do que isso, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Sangô dividiu com ela os poderes do raio e deu à ela seu coração. O fogo das paixões, o fogo da alegria e o que queima. Ela é o Orisá do Fogo.
... o sopro
Osogyian estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ògún fazia as armas, mas fazia lentamente. Osogyian pediu a seu amigo Ògún urgência, mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Osaguiã que Oyá, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ògún a apressar a fabricação.
Oyá se pôs a soprar o fogo da forja de Ògún e seu sopro avivava intensamente o fogo e o fogo aumentado de calor derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ògún pode fazer muitas armas e com as armas Osogyian venceu a guerra. Osogyian veio então agradecer Ògún. E na casa de Ògún enamorou-se de Oyá. Um dia fugiram Osogyian e Oyá, deixando Ògún enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Osogyian voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Oyá teve que voltar a avivar a forja. E lá da casa de Osogyian, onde vivia, Oyá soprava em direção à forja de Ògún. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Osogyian da de Ògún. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor atiçava. E o povo se acostumou com o sopro de Oyá cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte soprava Oyá a forja de Ògún. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias.
O povo reconhecia o sopro destrutivo de Oyá e o povo chamava a isso tempestade.



... respeito
Oiá desejava ter filhos, mas não podia conceber Oiá foi consultar um babalaô e ele mandou que ela fizesse um ebó. Ela deveria oferecer um carneiro, um agutã, muitos búzios e muitas roupas coloridas. Oiá fez o sacrifício e teve nove filhos. Quando ela passava, indo em direção ao mercado, o povo dizia:
"Lá vai Iansã".
Lá ia Iansã, que quer dizer mãe nove vezes.E lá ia ela toda orgulhosa ao mercado vender azeite-de-dendê. Oiá não podia ter filhos, mas teve nove, depois de sacrificar um carneiro, e em sinal de respeito por seu pedido atendido Iansã, a mãe de nove filhos, nunca mais comeu carneiro.
... corajosa e atrevida
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha. Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto girava Oiá na sua dança que provocava vento.E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para surpresa geral, era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza.
Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato e em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos. Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos eguns.
Oiá então dançou e dançou de alegria para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava , agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo.
Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos.
Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.
                                                                                                                       
                                                                                                              

Qualidades:

Oyà Biniká
Oyà Seno
Oyà Abomi
Oyà Gunán
Oyà Bagán
Oyà Onìrá
Oyà Kodun
Oyà Maganbelle
Oyà Yapopo
Oyà Onisoni
Oyà Bagbure
Oyà Tope
Oyà Filiaba
Oyà Semi
Oyà Sinsirá
Oyà Sire
Oyà Gbale 
ou Igbale (aquela que retorna a terra)que se subdivide em:

  • Oyà Gbale Funán

  • Oyà Gbale Fure

  • Oyà Gbale Guere

  • Oyà Gbale Toningbe

  • Oyà Gbale Fakarebo

  • Oyà Gbale De

  • Oyà Gbale Min

  • Oyà Gbale Lario

  • Oyà Gbale Adagangbará

Estas Oyàs Gbale ou Igbale estão ligadas ao culto dos mortos, quando dançam parecem expulsar as almas errantes com seus braços. Tem forte fundamento com Omulu, Ogun e Exú.

Oyà Mesan – Um de seus epítetos. Espírito meio animal meio mulher, foi esposa de Oxóssi e Xangô
Oyà Petu – Nesse aspecto ela convive com Xangô. Senhora dos ventos, esposa de Xangô e amante de Ossain, fundamento com as árvores e suas folhas, guerreira usa cobre.
Oyà Onira – Rainha da cidade de Ira, guerreira e agressiva, companheira de Oxum, dona das estradas, principalmente com nas encruzilhadas, tem quizila com Ogum.
Oyà Odo – Simboliza o amor e o sexo, o prazer, fundamento na água.
Oyà Bagan – Fundamento com Oxossi
Oyà Egunita – Fundamento com Ogum Wari e Ode
Oyà Onisoni – Fundamento com Omulú
Oyà Tope – Uma de suas formas. Fundamento com Ogum Soroquê
Oyà Agangbele – Nesse caminho mostra a dificuldade quando a geração de filhos.
Oyà Lesseyen – Uma das Igbales que mora no próprio Lesseyen.
Oyà Ate Oju – Orixá Igbale num aspecto dificil de Oyá quando caminha com Nana.
Oyà Ogaraju – uma das mais antigas no Brasil.
Oyà Arira – Uma de suas formas.
Oyà Doluo – Eró Ossain; culto Nagô.
Oyà Kodun – Eró com Oxaguian.
Oyà Bamila – Eró Olufon.
Oyà Kedimolu – Eró Oxumare = Omolu.



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